A CASA DO MEDO: INCIDENTE EM GHOSTLAND (2018) – CRÍTICA

A Casa do Medo: Incidente em Ghostland (Ghostland) é a mais nova obra do diretor Pascal Laugier. Grande nome do movimento/subgênero New French Extremity, Laugier nos presenteou e chocou com o incrível Mártires (Martyrs, 2008), agora o diretor nos apresenta um terror psicológico que poderia facilmente ser confundido com algum slasher hollywoodiano se não fosse o diferencial presente nas suas obras.

A Casa do Medo: Incidente em Ghostland crítica

Acompanhamos a história de Colleen (Mylène Farmer) e suas filhas adolescentes Beth (Emilia Jones) e Vera (Taylor Hickson) que se mudam para a casa que herdam de uma tia. Logo na primeira noite são atacadas por dois invasores e vivem momentos de horror. Dezesseis anos depois Beth (Crystal Reed) volta a mesma propriedade em que a mãe e a irmã (Anastasia Phillips) ainda vivem e precisa lidar com questões vinculadas aquela noite.

A Casa do Medo: Incidente em Ghostland crítica

A construção da trama contém muitos clichês e até a metade do filme você tem a convicção de que é somente mais um filme cheio de jump scares e violência gratuita, porém o longa surpreende nos apresentando uma história diferente, inteligente e o mais importante: não entrega o plot twist em momento algum (eu também não entregarei, destruiria completamente o filme, ACREDITE EM MIM). O fato da narrativa esconder bem o momento chave do filme faz com que fiquemos perdidos no que está acontecendo, o que também nos faz criar diversas teorias, do sobrenatural ao psicológico. Quando finalmente descobrimos vale muito a pena a espera.

A Casa do Medo: Incidente em Ghostland crítica

Além da história bem construída,A Casa do Medo acerta nos cenários, a casa antiga repleta de bonecas e iluminada a meia luz, é tudo muito sombrio e macabro. As cores da paleta também ajudam a compor o ambiente, nos trazendo uma sensação de desconforto durante todo o longa. As atrizes convencem, tanto as mais jovens Emilia Jones e Taylor Hickson quanto Crystal Reed e Anastasia Phillips nas versões adultas de Beth e Vera, nos afeiçoamos a elas e torcemos por elas, o que é de suma importância, o público precisa se importar (afinal, que sentido teria se não nos importássemos?).

A Casa do Medo: Incidente em Ghostland crítica

Em meio aos acertos, a construção do longa peca pouco, mas peca. O excesso de Jumpscares poderia facilmente ser evitado, mas não é. Outro deslize fica por conta do roteiro (assinado também por Laugier), os vilões não são trabalhados, sabemos que tem questões ali, mas são expostas de forma sutil.  Na totalidade, os erros não atrapalham o trabalho de Laugier, mas o filme poderia ser muito melhor.

A Casa do Medo: Incidente em Ghostland crítica

A Casa do Medo: Incidente em Ghostland não é o melhor filme de horror que você verá no ano, porém traz uma narrativa diferenciada, mesmo com a presença dos clichês. Temos aqui um terror psicológico que não cai na monotonia, repleto de sangue e violência. Você vai ficar incomodado e intrigado, se você acompanha o seguimento é uma boa pedida.

A Casa do Medo: Incidente em Ghostland crítica

CURIOSIDADES

– Durante as filmagens, a atriz Taylor Hickson se envolveu em um acidente e teve seu rosto machucado. A atriz moveu um processo contra os produtores.

– New French Extremity é um movimento/subgênero do cinema francês, é a nomenclatura para filmes de horror transgressivos. Os filmes que compõem o seguimento possuem violência gráfica excessiva, muito sangue, linguagem agressiva e críticas sociais.

Nota: 06


Sobre o Autor

Paula C. Carvalho
Graduanda em História pela UFRRJ e aspirante a crítica de cinema. Viciada em cinema, maratonas de series e viagens literárias.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *