A MULA ( The Mule – 2018 ) – CRÍTICA :

A MULA – MAIS UM ADENDO SR. EASTWOOD

É bem raro assistirmos a um filme de Clint Eastwood em que ele interpreta um personagem vulnerável. Estamos falando sobre o Rei Sem Nome do Faroeste clássico americano. Vulnerabilidade é algo fora do possível ou comum. Mas em A Mula, tudo é agradavelmente diferente, mesmo que ainda trabalhe com alguns clichês em processo de narrativa. 
A Mula Clint Wastwood 2019
Earl é um personagem bem átipo para Clint e ainda assim, ele o interpreta com maestria e com uma malandragem que só o Sr. Eastwood possui. Um homem que viveu para o trabalho, negligenciou a família, mas sempre foi muito adorado por todos, mão generosa e disponível que, por conta do progresso da internet, vê seu lucrativa mini fazenda, acabar. 
Agora, sem ter para onde ir, ele recorre a família, a mesma família que ele decepcionou várias e várias vezes. Por conta disso, Earl aceita desempenhar o papel de Mula para um cartel de drogas mexicano e se torna alvo da boa vontade do Cartel e do FBI. 
A Mula Clint Wastwood 2019
Clichês em cima de clichês. Temos A Mula, Bradley Cooper (o novo garoto maravilha de Clint) como o arisco e esperançoso agente e um elenco coadjuvante de atores e atrizes experientes que passam a maior parte do tempo incógnitos dentro de cena, como se apenas estar ali já fosse bom o suficiente. 
Eu entendo que é uma honra estar dentro de algum projeto de Clint Eastwood, mas o roteiro de Nick Schenk, adaptado de fatos reais, é muito raso. Não temos tempo para entender a dinâmica do Cartel, nem da relação entre os agentes do FBI e acaba que muitos personagens ficam soltos, com arcos interrompidos pelo foco da história, o próprio Earl. 
A Mula Clint Wastwood 2019
Mas não me levem a mal, temos muito pontos positivos neste roteiro e montagem em geral. Primeiro devo ressaltar a sagacidade subjetiva do roteiro ao apontar os fatores do racismo quando se diz a criminalização no tráfico de drogas. A forma do modus operandi desse mesmo mal, que internaliza socialmente todo o tráfico há uma questão racial.
O traficante filipino dentro do cartel mexicano, o a palavra “negro”, a parada policial simplesmente pelo cara parecer “mexicano demais”, tudo isso usado de uma forma muito inteligente, que boa parte do publico, que estava na sessão comigo, achou graça, mas eu senti essa piada intencionalmente potencializada para que percebêssemos que racismo, não tem graça. 
A Mula Clint Wastwood 2019
Outro ponto positivo de A Mula está, obviamente, está na direção de Clint em conjunto com a fotografia de Yves Bélanger. Clint com sua assinatura de câmera, ângulos e cortes altos, a fotografia em tons quentes e terrosos, sequências extensivas e abertas, um uso genial da luz natural, muito clássico Eastwood e maravilhosamente refrescante. 
Ainda é, em todas as formas, hipnotizante assistir Clint Eastwood atuando. Ele consegue te levar por sua genialidade arrogante, ao mesmo tom, que profissional e irônica. Como se ele levasse o trabalho dele bem a sério. Mas que no final do dia, tudo não passa de uma incrível e bem contada piada. Em relação a Bradley Cooper, ele fez o que precisava fazer, calma, não precisamos dar um oscar desnecessário para ele
No geral, acredito que A Mula é um bom filme. Vale a pena conferir no cinema? Claro que sim. É Clint Eastwood, sempre valerá o ingresso do cinema, com juros. 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *