ANA E VITÓRIA ( 2018 ) – CRÍTICA

“É tão singular… A singularidade dos amores modernos”

Se a frase “ué, mas elas têm tão pouco tempo de carreira e já vão lançar um filme?” passou pela sua cabeça ao descobrir que o duo ANAVITÓRIA iria lançar um filme, eu tenho uma notícia pra você: esqueça tudo que você pensou a respeito desse filme.

Ana e Vitória filme crítica

Ana Clara Caetano e Vitória Falcão formam o duo ANAVITÓRIA, vindas do Tocantins, mais precisamente de Araguaína, começaram a carreira com vídeos no youtube e estouraram para o Brasil em 2015. No longa, as meninas interpretam elas mesmas e parte do momento exato em que ambas se conhecem. O fato de interpretarem elas mesmas e de acompanharmos a trajetória artística das meninas não significa que temos aqui uma biografia e é aí que Ana e Vitória ganha pontos. Na produção, assinada por Matheus Souza (Apenas o Fim, 2008), não temos uma biografia das artistas mostrando cada passo galgado até a fama, a carreira das meninas é usada como pano de fundo para uma comédia romântica moderna, doce e leve.

Ana e Vitória filme crítica

Ana é romântica, acredita no amor da vida e busca ele a todo instante, tira do amor e suas nuances toda a inspiração das canções que escreve. Vitória é doce e engraçada, enquanto tenta se encontrar nesse mundo enorme vai vivendo experiências e amores. O encontro das duas é único e verdadeiro. As meninas se encontram bem no papel delas mesmas, todos sabemos que ambas não são atrizes, e isso não incomoda. Elas entregam duas “personagens” que só sabemos amar, naturais e com uma química incrível, a intimidade que possuem fica nítido em todas as cenas.

Ana e Vitória filme crítica

E falando em encontro, acredito que a peça chave do roteiro se dá nos encontros das meninas, uma com a outra, e também com outras pessoas. É aí que o roteiro entra em temas atuais como  os relacionamentos modernos, bissexualidade e a presença constante das redes sociais. Tudo da forma mais simples possível, essa é a proposta da narrativa, uma comédia romântica jovem e despretensiosa. Não sabemos o que de ficção e de realidade o longa possui, sabemos que possui doses dos dois e que funcionou muito bem.

Ana e Vitória filme crítica

Dois acertos que merecem menção são os diálogos e a escolha das músicas. Você vai se apaixonar pelos diálogos, engraçados e inteligentes, e vai ficar com o coração apertado todas as vezes que usarem da música para expressar o que sentem. Todas as músicas se encaixam perfeitamente (se você não ouviu “O Tempo É Agora” por Deus, corre).

Ana e Vitória filme crítica

Ana e Vitória ganha em buscar ser uma comédia romântica jovem e não uma biografia, agradando até mesmo quem nunca ouviu uma música sequer da dupla. Por isso, o pouco foco que o roteiro dá a carreira das meninas não é algo ruim, aqui o que importa são as relações humanas apresentadas. Seja você fã ou não das meninas de Araguaína, recomendo dar uma chance.

NOTA: 8

CURIOSIDADES  

  • Talvez você se pegue pensando no destino das formigas que por ventura já ingeriu.
  • Fritura em dia de tristeza não engorda

Sobre o Autor

Paula C. Carvalho
Graduanda em História pela UFRRJ e aspirante a crítica de cinema. Viciada em cinema, maratonas de series e viagens literárias.

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