ANIME ATM: NIL ADMIRARI NO TENBIN

NIL ADMIRARI NO TENBIN – O problema dos animes de harém invertido

Animes de harém invertido não são novidades e Nil Admirari no Tenbin (abril/2018) é apenas mais um nesse nicho que parece nunca evoluir. Trazido pelo estúdio Zero-G (Dive!, Battery) em parceria com a Pony Canion (Fairy Tail, K-On), o anime é baseado no otome game de mesmo nome lançado pela desenvolvedora Idea Factory para a plataforma do PSVita. E não chega a valer tanto a pena assim.

O anime se passa no Japão da Era Taishou (1912-1926) e conta a história de Tsumugi Kuze (Juri Kimura), uma menina de uma família nobre em decadência que deve se casar com um homem que nunca conheceu para salvar a família. Eis que seu irmão mais novo tenta cometer suicídio e no hospital Tsumugi é abordada por dois homens jovens e bonitos chamados Hayato Ozaki (Yuki Kaiji) e Akira Kougami (Nobuhiko Okamoto). Hayato e Akira apresentam-se como parte de uma organização governamental chamada Fukuro e explicam para Tsumugi que seu irmão tentou suicídio sob a influência de algo chamado Maremono, livros de estilo japonês escritos à mão que carregam as fortes emoções de quem os escreveu e levam os leitores a cometerem atos ruins. Tsumugi conta para os dois que consegue ver a “aura” do Maremono e por conta disto é convidada para fazer parte da Fukuro.

A história em si não é verdadeiramente o problema do anime, já que há bastante espaço para o desenvolvimento e é uma ideia interessante. O problema é que Nil Admirari cai na mesma caixa de outros animes baseados em Otome Games, como UtaPri ou até mesmo Prince of Stride (embora este consiga se salvar um pouco), onde a personagem principal é insossa e praticamente apagável e todos os outros personagens masculinos cabem em estereótipos de personalidade muito específicos. Hayato, por exemplo, é aquele cara protetor que fala alto e que está sempre preocupado com a personagem principal, enquanto Akira é o personagem caladão e levemente esquisito que é super frio, mas que se preocupa demais com a personagem principal.

No fim, o anime dirigido por Takata Masahiro (Bananya) não é de todo ruim, principalmente se você gostar de personagens bonitos e agradáveis, mas também não acrescenta nada de novo à esse gênero que parece incapaz de se reinventar.


Sobre o Autor

Irina Duarte
Escritora, professora, amante da cultura asiática e cinéfila nas horas vagas!