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ARTIGO: A DECADÊNCIA DOS FILMES DE TUBARÕES

Recentemente em uma conversa entre amigos a respeito do filme “Megatubarão“, eu comecei a ficar pensativo sobre o porquê de ninguém mais querer fazer um trabalho sério dentro desse gênero de filmes que já foi tão promissor e como ele apenas tem decaído mais e mais, se tornando praticamente uma piada, com títulos bizarros como “tubarão de duas cabeças”, “tubarão fantasma” e muitos outros que passam em canais dedicados a criar programações de filmes B.
Parando para pensar, foram muito poucos os filmes de tubarão que tentaram fazer algo sério e conseguiram criar um efeito positivo no público, mesmo com seus efeitos limitados e a dificuldade de se produzir as cenas no mar. Sempre que esse tema entra em uma roda de amigos eu costumo dizer que o único filme bom sobre tubarões é o próprio “Tubarão (Jaws)” de Steven Spielberg, à partir do momento que estamos analisando apenas os filmes com uma história e não filmes no estilo de documentário.
É compreensível que esse gênero fosse cair na mediocridade uma hora, pois é fácil perceber que os roteiros acabam ficando extremamente repetitivos ou simples demais, mas a impressão que temos foi que imediatamente pararam de tentar ou simplesmente não se importaram o suficiente quando viram a qualidade baixíssima dos filmes que vieram após Jaws, tornando muitos filmes cheios de potencial, em piadas. Utilizar o conceito de isolamento à partir da imensidão do mar se comparado ao indivíduo em si pode causar uma sensação de desconforto tremenda para o telespectador, se somarmos isso com um perigo caracterizado por um monstro que atua por puro instinto irracional e considera os personagens como presas em seu território de predação, ganhamos um gênero único e que poderia ser aterrorizante se investido com roteiros originais e sérios.

Por que então temos tantos filmes ruins mesmo com tanto potencial?

 

Utilizando “The Meg” como exemplo, podemos formular a hipótese de que ele não se focará em ser um filme sério e sim uma produção divertida de se assistir, sem personagens muito profundos ou grande suspense, mas cenas interessantes e com efeitos muito bonitos. Essa hipótese é confirmada pela presença de dois atores típicos destes filmes que exalam clichés propositalmente. O primeiro é Jason Statham, que assim como Dwayne Johnson é uma face conhecida de filmes de ação e exala os valores estéticos de um herói, fazem bem comum que eles sejam escalados em filmes cuja produção é maior que a profundidade. Além dele, temos Rainn Wilson desempenhando o papel de alívio cômico durante o trailer inteiro e chegando muito perto de quebrar a quarta parede fazendo piadas sobre os clichés de filmes de tubarão. Na metade do trailer ainda temos uma referência bem engraçada, quando sincronizam as cenas de ação com a música “Beyond the sea“, que mesmo que não proposital ou não, é impossível não associar ao trailer do filme “Procurando Nemo” que utiliza a mesma música.

Vimos com “Águas Rasas” que é sim possível fazer um filme sério dentro dessa categoria e ainda sim conseguir ser original e passar a sensação de impotência do personagem para a audiência, ainda que o desenvolvimento da personagem de Blake Lively tenha deixado tanto a desejar, podemos ver o esforço presente na tentativa do diretor Jaume Collet-Serra em construir uma cena desesperadora e ainda colocar diferentes simbologias e elementos para que nos compadeçamos com a protagonista. Por mais que águas rasas não tenha sido um sucesso e possua tantas discrepâncias, é impossível dizer que não foi acesa uma faísca de esperança para o público que deseja produções mais sólidas do mesmo gênero.
São ruins, mas gostamos muito mesmo assim.
Ainda sim, mesmo sabendo que é possível um dia ressuscitar o terror presente nessa categoria de filme, sabemos também que nunca pararão de fazer os filmes B sobre tubarões com os títulos e conceitos mais aleatórios, como a série de filmes Sharknado, que fala sobre um tornado que trás tubarões para a terra firme (eu não acreditaria na existência desses filmes se não tivesse dado uma olhada). 
Não vou ser hipócrita, eu realmente gostaria muito que fizessem um filme cheio de profundidade e suspense como “Jaws“, mas ao mesmo tempo… Eu quero sim assistir Jason Statham caçando e matando um tubarão gigante com o Rainn Wilson fazendo piadas ao lado, isso sem falar que o trailer deixou clara a influência que os filmes de Kaijus (Círculo De Fogo, Godzilla, Kong: A Ilha Da Caveira) tiveram para a produção, o que me deixou animado e tendo um conhecimento bem claro do que devo esperar e como devo me comportar durante a análise do filme.
Ainda podemos citar também o filme “Do Fundo Do Mar” que eu fiquei sabendo recentemente que terá uma continuação. Eu lembro de assistir sempre que passava na TV aberta quando eu tinha por volta de 10 anos (o que nem faz tanto tempo assim) e eu nem me importava com os efeitos especiais medíocres do filme, pois eu achava tão bacana de se assistir. Hoje em dia sinto uma vergonha alheia bem grande quando vejo a péssima qualidade do filme e lembro como eu gostava. Vi o trailer da continuação e não vejo esperança nenhuma de que o filme compensará a escassez de conteúdo de seu antecessor, além do que o filme aparenta ser um remake e não uma continuação. Mas mesmo assim… Acho que sinto vontade de ver mesmo sabendo quão enorme pode ser esse fracasso. Por que? Porque sei que ainda que em análise profunda é quase impossível ser positivo com esse filme, ainda posso me divertir e até rir bastante com ele.
Os filmes de tubarão  podem ser um cenário com muito pouco conteúdo agradável aos olhos de críticos sérios, mas também são tão divertidos, podemos dizer até mesmo que são muito criativos se pararmos para pensar um pouco, afinal, ninguém esperava ver um homem pulando com uma motosserra dentro de um tubarão que estava voando dentro de um tornado até isso acontecer em um filme.

Sobre o Autor

Bruno Lucena
Fã de Pink Floyd e pizza. Leitor ávido e nas horas vagas gosto de conversar sobre os filmes que assisto.

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