ARTIGO: A REVOLUÇÃO DE JURASSIC PARK

Steven Spielberg era uma criança como qualquer outra da sua idade, apaixonado por dinossauros. Seu pai levava ele aos finais de semana no museu de história natural Franklin Institute of Technology, na Filadélfia. Quando ele recebeu o convite para ser o diretor do novo projeto da Universal Studios envolvendo dinossauros, lembrou dessa saudade que ele sentia e em como seria bom ver um dinossauro e não ser devorado no processo. Seu objetivo desde o começo era fazer um filme para os amantes dos dinossauros.

Jurassic Park foi baseado no best seller de Michael Crichton que tinha bastante embasamento científico e explorava a ideia de uma grande companhia que investiu bilhões de dólares com o intuito de unir ciência e tecnologia para trazer de volta à vida seres já extintos. O resultado disso seria voltado para o entretenimento. Um parque onde pessoas de todo o mundo poderiam imergir nesse mundo de forma segura. Logo após a leitura, Spielberg percebeu que aquele não seria um filme de monstros.

INSPIRAÇÃO REAL

O filme já estava em pré produção quando contrataram o paleontólogo Jack Horner como consultor. Eles queriam que tudo fosse o mais verossímil possível. O design então foi refeito e baseado em animais existentes. Principalmente aves ao invés de lagartos. O som dos dinossauros também foi baseado em animais reais. O rugido do Tiranossauro Rex é a combinação de crocodilo com leão na camada de elementos profundos e em sua maior parte um bebê elefante (!). Já o som dos Velociraptors é um golfinho na alta frequência mais o som de um leão marinho em baixa frequência. 

ANIMATRÔNICOS E DIGITAL

No início do projeto, os dinossauros seriam feitos à moda antiga. Em stop motion. O próprio Spielberg fez os story boards para o filme. Ele foi montando a cena com uma “câmera batom”. Ele a entregou para Phil Tippet, que fez a cena noturna do T-Rex atacando o jipe com as crianças toda em stop motion e com os exatos mesmos ângulos de câmera. Até que Spielberg recebeu um telefonema do pessoal da Industrial Light & Magic. Segundo eles, eles poderiam criar os dinossauros digitalmente. Logo marcando o dia 20 de Abril de 1992 ,que ficou conhecido como a “segunda feira negra” para a equipe de stop motion, que se sentiu “extinta”, eles estavam sendo substituídos pelo digital. Aquilo era o futuro.

Porém, Stan Winston tinha uma oficina incrível e Spielberg queria que ele ficasse encarregado dos dinossauros. O processo de criação desses animatrônicos em larga escala foi, em grande parte, artesanal. Os marionetistas sincronizavam e ensaiavam antes de filmar. Várias maquetes foram construídas em diferentes escalas. O T-Rex foi construído em escala real e um em uma escala de 1:50 e ele era controlado por um sistema de telemetria.  Todo movimento feito com o pequeno passava para o grande. Os Velociraptors eram atores que colocavam uma roupa de dinossauro. A mandíbula, os braços e os olhos eram controlados remotamente. No final, a combinação dos animatrônicos com o digital trouxe a revolução cinematográfica. Foram feitos, no total, 58 takes com efeitos digitais em todo o filme.

MÚSICA

Depois de inúmeras colaborações, como : Tubarão, Encontros Imediatos de Terceiro Grau, E.T, entre outros, Spielberg usaria John Williams para a criação da trilha sonora. Eles já estavam trabalhando juntos em A Lista de Schindler na Polônia ao mesmo tempo em que faziam Jurassic Park. Então dessa vez ele não pôde estar nas sessões de composição do material feito. Ele recebia o material em fitas cassetes que ouvia nos percursos de uma locação até a sua casa.

Na cena em que Grant olha para um dinossauro vivo pela primeira vez, ele nos representa ali. A intenção do compositor era mostrar o quanto aqueles animais eram magníficos com aquela música. A trilha no geral tenta evocar o clima “aventuresco” e ao mesmo tempo assustador durante todo o filme. E ela consegue. Jurassic Park tem uma das trilhas mais celebradas da história do cinema.

LEGADO JURÁSSICO

Jurassic Park estreou no dia 11 de Junho de 1993 e foi um sucesso absoluto de crítica e público. Filas gigantescas foram formadas. O filme arrecadou mundialmente US$ 1,029 Bilhão de dólares, sendo a maior bilheteria daquele ano e a maior de todos os tempos até 1998. O filme concorreu a 3 Oscar’s levando os 3. Incluindo Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som e Melhores Efeitos Visuais. Curiosamente, Spielberg ganhou o Oscar de Melhor Diretor naquele ano, mas por A Lista de Schindler.  

Ele voltou para dirigir a sequência: The Lost World: Jurassic Park, lançado em 1997. Em 2001 o parque foi revisitado em Jurassic Park 3, dessa vez pelo diretor Joe Johnston (Jumanji – 1995). Em 2015 tivemos a continuação/reboot com Jurassic World, contando com Colin Trevorrow na direção e estrelado pelos astros Chris Pratt e Bryce Dallas Howard. Nesse ano em que Jurassic Park faz 25 anos temos a continuação direta. Jurassic World – Reino Ameaçado pelo diretor J.A Bayona, que promete trazer algo novo e que honre o legado do primeiro filme. Quem deve estar feliz soprando as velinhas é a Universal. Já que o Bilhão é praticamente garantido.

CURIOSIDADES:

  •  O filme seria filmado na Costa Rica. Mas por conta da dificuldade com a infraestrutura, escolheram a Ilha de Kauai, no Havaí. As filmagens começaram no dia 24 de Agosto de 1992.
  • No dia 11 de Setembro, o furacão Inki passou sobre a ilha Kauai, custando a equipe um dia inteiro de filmagens.
  •  Samuel L. Jackson não era tão famoso quando participou de Jurassic Park. “Ele aparece fumando no filme. Ali você já devia saber que ele seria devorado” : Brinca o ator Sam Neil.
  • A cena do copo de água balançando dentro do carro por conta da pisada do T-Rex foi feita com o som de uma guitarra.
  • O personagem Malcom, vivido por Jeff Goldblum foi cortado em uma das versões do roteiro. Mas acabou sendo mantido na versão final.

Sobre o Autor

Guilherme Loureiro
Apaixonado por filmes desde que se entende por gente, carioca, aventureiro por natureza, vai o máximo que consegue ao cinema mas não perde a chance de ficar em casa pra assistir aquele filminho. Projetista e Designer de Interiores nas horas vagas (...err).