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ARTIGO: ESPECIAL – O MELHOR DO CINEMA BRASILEIRO

Não é de hoje que o cinema brasileiro perde espaço para grande concorrentes norte-americanos, as vezes o filmes ficam apenas 3 dias em cartaz e logo sai dos grandes cinemas e fica só em exibição nos cinemas cults do país. Isso faz a gente ter que aguentar aqueles comentários desagradáveis de algumas pessoas, tais como “Filme nacional é uma merda”. Por um lado não tiro a razão, pois os melhores filmes não são parceiras globais, é muito são independentes e existe a falta de um roteiro que prenda o publico.

Mas irei mostrar que no Brasil tem sim filmes bons, com roteiro, diretores e elenco que ainda com baixo custo conseguem fazer um humor inteligente, sem apelação, uma violência mais para o lado psicopata do que uma violência na favela. Esses filmes, infelizmente tiveram que competir com os grande filmes de 200 milhões e com a publicidade praticamente 99% das redes de comunicações vendida para elas, não é atoa que você, como cinéfilo perca o interesse de ver um filme brasileiro que fale de só mais de um Silva ou um Raimundo Donato.

Vamos pra lista de alguns filmes que são praticamente mais de 90% de aprovação de público que provavelmente você não viu.

MADAME SATÃ

Lázaro Ramos foi o cara nesse filme, a Globo viu esse talento e não perdeu tempo. Ele conseguiu tirar aquela imagem de “bicha” histérica, feminina e frágil do filme de 2002 de Karim Aïnouz. O filme é extraordinário e se passa na década de 30 –  já dá para imaginar, se hoje tem preconceito, naquela época então –  E pior de tudo é você ve que pouca coisa mudou, as “bichas” da lapa e os “favelados” ainda com o preconceito que sofrem pela sociedade.

O Filme é magnifico eu fico sem sabe como tem gente que ainda não viu esse filme, ao me ver não iria atrair um grande público. Quem quer ver um preto, pobre, transformista ainda não é uma comédia? O Rio de Janeiro é todo retratado pelo João Francisco (Madame Satã) e os seus sentimentos, Madame Satã mostra ser um personagem com tantas contradições e mesmos assim ele é normal e nada de desviado por conta de sua opção sexual.

A direção de fotografia do mestre Walter Carvalho (Lavoura Arcaica, Central do Brasil ) faz o filme ter retratos incríveis fazendo uma enfase nas atuações. Madame Satã de longe é um filme pra juntar as lágrimas, e sim um filme de reflexão, com um personagem que te conquista pela simpatia e não pelo olhar de pena.

O HOMEM QUE COPIAVA

Falando em Lázaro, vamos falar de uns dos filmes que acho que foi O Filme, e sendo umas das injustiçsa da bilheteria brasileira, lembro que na época poucos cinemas chegaram a passar e em algumas cidade nem chegou a passar, fazendo um bilheteria fraca e divulgação (muito pobre) da Globo Filmes que ele teve no ano de 2003.

É uma obra do Diretor Jorge Furtado e conta a historia de André (Lázaro Ramos), que com forma muito engraçada se apresenta ao público como “operador de fotocopiadora”, com a intenção ou não, sempre vem a marca “Xerox” na cabeça, ele mesmo explicar: “Sim, essa é a uma das marcas”. Esse lance do publico se envolver na trama é muito boa, que é de extrema qualidade, nível do aclamado “Cidade de Deus”, narração torna como uns dos pontos fortes, uma trama tensa e bem engraçada sem ser pastelão. Outro ponto forte do filme – que acho uma coisa bem interessante, pois filme brasileiro adora uma violência, cenas de sexo e por ai vai – “O Homem Que Copiava”, vai contra corrente mostrando que é capaz sim de fazer filmes com drama e comédia sem violência e sexo, isso, com certeza, vem da parte de um grande diretor e roteirista que foi o Furtado – direção perfeita – Um drama com várias reviravoltas que não irei contar pra não estraga o final.

HOUVE UMA VEZ DOIS VERÕES

Jorge Furtado, você não irá sair da minha vida tão cedo. Acho que eu já pressentia que no fundo, deste aquela época do colégio onde as professoras de português, história e ciência me mostravam aquele vídeo que a turma toda já sábia que o resultado seria Tomate.

Voltando pro assunto, “Houve Uma Vez Dois Verões” é aquele filme de adolescente nada comparado com novelas globais tipo “Malhação”, tento um tempo perfeito nas piadas e um elenco todo gaúcho “tchê” (você irá sair com belo sotaque do Sul).

O Universo Furtado sempre desenvolve uma espécie de raciocínio lógico, que conduz a uma afirmação (Ilhas das Flores não sai da minha mente) nesse filme não é muito diferente, colocando em forma simples o começo de uma vida sexual com aquela paixão envolvida pra ter um pensamento que o amor vencer a “putaria”. Furtado mostra diálogo de jovens que querem se casar, que curtem Legião, Cássia Eller, Pato Fu e outros com a trilha de jovens de hoje e do ontem. Narração em off, um ponto que deve ser prestado atenção “Houve Uma Vez Dois Verões” é uma comédia de equívocos numa linguagem onde todos conseguem entender, o filme de 2002 onde o cinema nacional produziu muito, mas mesmo assim poucos notaram.

TATUAGEM

Um filme de 2013, que você terá que deixar o seu preconceito de lado. Com direção de Hilton Lacerda e Cláudio Assis o filme fala de um romance de um artista gay com um saldado do exercito,  isso em plena ditadura no anos 70 em Pernambuco. Drama com o trabalho do diretor que ama cenas de sexo perturbadoras, com violência e tudo mais.

Nesse filme a parceria desse dois deixa a violência de lado e foca mais no amor e a luta desse romance. Muitas cenas de sexo bem ousadas e a musica Polka Cu não irá sair da sua cabeça ( fiquei tendo pesadelo com bundas rsrs). o ator Randhir Santos no papel de Clécio está ótimo. Fazendo um conjunto de um romance perfeito.

AMARELO MANGA

Como eu disse Cláudio Assis gosta de filmes com cenas de sexo perturbadoras e nesse filme de 2002 não é nada diferente, esquece o romantismo de “Tatuagem” coloca um açougue, cadáveres e sexo. Sim, o filme faz questão de mostrar a cenas que você precisa ter estômago para assistir – não é para todos os públicos.

O cenário é em Recife, mas esquece das belas praias, está longe de ser um cenário turístico. Recife vira um personagem do filme, mostrando o lado podre, fétido, sujo, colorido e latejante. Filme todo tem esse amarelo manga que quase ninguém nota a fruta que mais se destaca na fruteira deixando a podrecer até alguém comer. O filme e cheio de premiações, e não é qualquer uma premiação.

Ele agrada o publico com o estomago vazio. Ver que a burrice é um elemento estranho à obra amarelo manga, é um mais que necessária na nossa cinematografia.

BAIXIO DAS BESTAS

Esse filme é o “Amarelo Manga” aumentado com todas as polêmicas que existiu no filme anterior. “Baixio Das Bestas” de 2006 é o segundo filme de Assis e vem com o mesmo enredo de A.M., a diferença é o amadurecimento de Cláudio, tanto em termos narrativos e quanto técnicos. Se passa em Pernambuco e tem tema polêmico do que o filme anterior, mostrando prostitutas, pedófilos e rapazes de classe média misóginos – se você viu Amarelo manga e sentiu já um repúdio, esse será pior – pós-cenas de estupros e partes intimas dos personagens a vontade, explorado muito bem e  causando aquela repulsa em particular.

A exploração a que é submetida a garota auxiliadora por seu avô para ganhar dinheiro (dá muita raiva). Filme para poucos mais com uma ótima fotografia, com um história bem contada e uma narrativa que pecou no “Amarelo Manga”, mas  Assis acerta de mão cheia nesse. 

O CHEIRO DO RALO

Filme de 2007 com um humor negro que vai ter prender ao ver o personagem Lourenço, vivido por Selton Mello, um complexo e psicótico cara.

Vemos essa trama evoluindo de uma tal maneira que você dirá: “É, ele realmente não pode, não conseguiria”. O roteiro foi muito bem usado, fazendo um humor com uma tragédia pessoal irônica. Lourenço se encontra numa bagunça, no final não importa muito o que o ralo significa, os acontecimentos são trágicos e engraçados ao mesmo tempo, com um fotografia muito boa, o cenário daria raiva e desconforto pra quem sofre de “T.O.C.” pela tamanha desordem do apertamento e local de trabalho ambos feios e ao mesmo tempo deixando atraentes.

O diretor Heitor Dhalia e o jeito que ele administrou a câmera, passeando pelo cenário, acaba nos aprofundando mais na atmosfera quase fedida da vida de Lourenço. É um filme para quem gosta de cinema, pois é rico em detalhes e “bundas”, onde o diretor soube dosar a dose…

ESTÔMAGO

Esse, por muitos críticos é um filme que quase ninguém ouviu falar, de um diretor desconhecido (Marcos Jorge o seu próximo filme estreando no dia 17/03), mas se tornou uma grande surpresa no cinema nacional, ele é um filme também de 2007 e melhor que “O cheiro do ralo”. Com um roteiro inteligente para fazer a trama simples, Raimundo Nonato ( João Miguel ), –  grave esse nome por livre vontade própria ou coloque esse nome no seu filho – o nordestino que tem sua vida virada do pior pro bem e do bem pra pior.

O filme segue um roteiro tão simples e elaborado ao mesmo tempo, com um suspense que você nem nota que tem na trama, o diretor foi muito feliz em colocar o mundo de Nonato e suas descobertas em um mundo novo. João Miguel coloca todo seu talento no personagem, consegue ser cômico em varias cenas com humor lá de inteligente e fora que a forma feita com varias referências italianas, – alguém duvida que é uma linda homenagem ao cinema de Sergio Leone e seus heróis-forasteiros? – Estômago não deve agradar todo público, sempre terá o mimimi, mas é um filme cômico é genial, duvido você não se apaixonada por Raimundo Nonato.

NATIMORTO

Esse é um que me traz um pouco de desconforto, tanto pelo fato da claustrofobia quanto pelo ar tenso que me traz angustia e desespero. Quanto mais o tempo vai passando, uma relação que parece ser tranquila se torna um furacão e você se vê no meio sem poder fazer nada para ajudar. A ideia de passar a vida em um quarto se matando aos poucos deixa um ar angustiante.

Nos se prendemos no enrendo contado pelo personagem masculino. Ponto alto do filme é o paralelo traçados entre as imagens de advertência que tem atrás de cada maço de cigarro e as cartas de tarô, cada imagem embutida é uma discussão sobre o tema, tornando a convivência muito difícil cada dia. Com a direção de Paulo Machline, arte e fotografia, se destacam em diversos momentos, como quando ele está dentro da banheira onde tem um contraste muito bonito.Com boas atuações e varias discussões filosóficas, o roteiro é outra obra de arte. 

HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO

Do diretor Daniel Ribeiro o longa é um desdobramento do curta metragem “Eu Não Quero Voltar Sozinho” de 2010″, que apresenta os mesmos protagonistas pra estrelar no “Hoje Eu Quero voltar Sozinho”. O filme é de 2014 não é tão velho assim, mesmo assim muita gente não foi ver, e perdeu um filme de uma gentileza e de um delicadeza de um diretor tão jovem.

O destaque é o diretor que dirigiu muito bem, colocando tantos sentimentos, que posso dizer que sinto um toque mais firme e concreto vendo o filme do que eu sentindo a meus dedos no do teclado do meu computador, sensibilidade se torna algo possível. 

ENTRE NÓS

Suspense psicológico, mas o foco é o drama que deixa bem claro que é um filme muito inspirado em Woody Allen, só podia ser um filme bom. Mérito vai pro elenco e pro diretor Paulo Morelli e seu filho Pedro Morelli (que atuou como co-diretor) e trabalharam muito bem a ideia das consequências que a vida traz por certas escolhas e o desenvolvimento da maturidade.

Um destaque mas que merecido também pela fotografia e os quase não diálogos que tem entre o o elenco. Fica tão bom essa identificação dos personagens para o publico que as vezes dá pra ri com eles. Com um fotografia incrível, um filme muito bem trabalhado e deu pra ver Marelli caprichou.

ABRIL DESPEDAÇADO

Pense no filme que é uma poesia, com cenas que parecem ser pintadas, com diálogos de uma letra de música, mas daquelas boas mesmo. Diretor de fotografia é Walter Carvalho e o direção é de Walter Salles – se vocês estão ligados são a mesma dubla do Central do Brasil – que traz o sertão nordestino com horizontes amplos, diálogos longamente meditados e uma reflexão há anos muito a frente do nosso tempo.

O filme conta com uma excelente atuação de Rodrigo Santoro, mas o destaque é a fotografia linda e não é atoa que foi indicado a vários prêmios internacionais e nacionais, já ouviu aquela frase de efeito ” Esse filme foi feito para Oscar” esse com certeza foi um. Não digo que toda hora tem algo novo, as vezes demora para acontecer algo, fazendo ficar monótomo, mas será difícil você sair da cadeira até saber o final da trama. Vale muito apena ser visto. 

Bom, essa é minha pequena lista, claro que existem outros filmes brasileiros que não ganharam o verdadeiro destaque como se devia e muito vai do publico que tem um certo pré conceito com os filme nacionais.

Hoje em dia para ganhar dinheiro e ser vendido são feito filmes de comédia que lucram mais de um milhão na conta, com humor pastelão – apesar de estarmos levando um humor mais inteligente para a tela onde todos conseguem entender a piada – . No entanto perdemos em ver filmes bons com ótimo roteiro pela falta de espaço não só no cinema mais nas redes de telecomunicações, sejam abertas ou fechadas.
Com essa lista podemos ver sim que, por mais que você diga “eu não gostei”, não tem como dizer que o Brasil não tenha filmes bons, está na hora de acabar com o preconceito que existe no cinema nacional.

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