ARTIGO

ARTIGO JOHN HUGHES – Nossa herança oitentista!

” Deveria ter nascido nos 80’s ” 

Quem inventou esse rumor para essa geração dos Millennials de que seria melhor se tivéssemos nascido nos anos 80’s?

Não foi culpa de ninguém o fato de que John Hughes nos mostrou uma adolescência justa. Uma adolescência com medos, inseguranças, amores e amizades que na nossa cabeça durariam para sempre e o estupido e lindo pensamento de que duraríamos para sempre exatamente do jeito que nossos dezessete anos nos permite. Sem esquecer que vem acompanhada de uma trilha sonora inesquecível. 

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Algum dos seus maiores sucessos foi The Breakfast Club de 1985 no qual atuou como diretor, produtor e roteirista, o filme que consagrou Judd Nelson como o badboy mais desejado do cinema nos anos 80. Outro sem precedentes foi Curtindo A Vida Adoidado, também fazendo a tríplice de direção, produção e roteiro mostrando o trio de amigos mais considerado do cinema.

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Composto por Mattew Broderick (The Legend) e Alan Ruck (Velocidade Máxima), o grupo transformou o cinema quando foi lançado em 1986 com seu manifesto a base de The Smiths e Beatles. Ferris apresenta uma ideia filosófica do que é a vida aos olhos de um adolescente que está para terminar o colégio e encara questões que nunca precisou pensar antes, como carreira, dinheiro e sucesso. Ele então decide viver cada dia como se fosse o último e isso resulta na parada mais agitada de Nova York.

 

Não importa se você é jovem ou adulto, aquele que encara o desafio de assistir Curtindo a Vida Adoidado entende que o filme não ensina apenas como tirar um dia de folga da escola e colocar a cidade praticamente a seus pés, mas como se pode olhar a vida de uma maneira diferente e que como ela pode ser vivida se escolhermos realmente vivê-la.

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Dirigiu muitos filmes onde uma questão de valores adolescentes foram escutados. Não existia apenas a superficial patricinha e o badboy que dava o simples puxão de cueca nos mocinhos nerds, cada personagem possuía sua própria complexidade mesmo vivendo na singularidade de valores superficiais e estereotipados que só a adolescência pode mostrar. A ideia era mostrar o jovem como ele realmente é: confuso, bagunceiro, romântico e sábio a sua maneira.

Produziu muitos filmes onde um dos seus maiores sucessos como produtor foi Home Alone (Esqueceram de Mim ) de 1990 com direção de Chris Columbus ( Harry Potter e a Pedra Filosofal, Harry Potter e a Câmara Secreta) e Home Alone2- Lost in New York (1992).

John Hughes

Mas foi com Molly Ringwald e Anthony Michael Hall( Edward Scissorhands, 1990 – Tim Burton) que criou os filmes adolescentes que hoje servem de lista como influencia. Como um dos exemplos está, Gatinhas e Gatões de 1984 que conta a história de uma garota que só quer mostrar seu valor para aqueles que a cercam e conquistar atenção do garoto mais popular da escola, Jake (Michael Schoeffling) que apesar de ser o atleta bonitão que só liga pra futebol, se mostra bastante profundo em relação a seus sentimentos.

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Anthony Michael Hall ainda trabalhou em mais dois filmes com o diretor, Clube dos Cinco e Mulher nota 1000 e sem deixar de mencionar que Gatinhas e Gatões foi o filme que mostrou uma das primeiras participações dos irmãos Joan e John Cusack, este, que impressionaria tanto o diretor que mais tarde ganharia seu próprio filme, Say Anything de 1989.

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Outro sucesso garantido de Molly Ringwald foi Pretty in Pink de 1986 que mostra Andie, uma garota simples que vivia no mundo das divisões sociais de sua escola. No filme temos Jon Cryer (Two And A Half Man) como o melhor amigo de Andie, Andrew McCarthy como Blane, o mocinho rico que percebe que não importa a classe social, mas sim o caráter e finalmente James Spader (The Blacklist) como o vilãozinho narcisista e recalcado do filme que por inveja persegue o casal que tenta lutar contra muitas diferenças sociais.

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Seu trabalho como roteirista foi prestigiado e de grande profundidade, mostrando a criação de um estilo onde se dava a devida importância a toda a construção de cada personagem que eram interpretados de forma autêntica e poderosa. Seu portfólio como diretor também não ficava atrás em qualidade, sua preocupação com a luz, formação de cena e participação ativa em todos os elementos de seus filmes serviu como modelo para muitos diretores que voltaram sua atenção para esse “teen cult“que cresceu e foi revolucionado por John Hughes.

Ele se foi de forma precoce e chocante em 2009 andando pelas ruas de Manhatthan. Sofreu um ataque cardíaco fulminante deixando uma grande e importante herança na história do cinema.

Em 2010 recebeu uma pequena homenagem do roteirista Bert V. Royal e do diretor Will Gluck, responsáveis pela comédia de sucesso Easy A, com uma pequena tendência no clássico da literatura “A Letra Escarlate” de Nathaniel Hawthorne ( 1804 – 1864). A personagem interpretada pela atriz Emma Stone ( La La Land) é muito fácil de ser adorada, é uma personagem profunda a sua maneira jovem, inteligente, romântica e fora que o humor negro da personagem é o que nos faz gostar ainda mais. John Hughes é muito bem representado em todos os aspectos do filme, desde o roteiro que não mostra ser apenas uma simples comédia romântica adolescente, a direção, que transforma o filme em uma maneira bem envolvente com a própria personagem e a receita da trilha sonora. O momento de maior homenagem é quando a personagem Olive demonstra sua maior declaração ao diretor mostrando em sua visão como seria viver aos olhos de John Hughes.

Seguindo com a linha de influencia e referências temos “The First Time” de 2012 com Britt Robertson (Under the Dome) e Dylan O’Brien (Teen Wolf) que saiu de uma vida de coadjuvante e se aventurou no papel principal representando muito bem seu personagem.

O filme conta a história de dois adolescentes que com seus respectivos problemas de personalidade e vida social, precisam enfrentar a pressão do sexo e sua primeira vez. Desde a trilha sonora impactante até a ideia de cada personagem, o filme grita John Hughes em ótimo sentido, trabalhando bem as influências e nos deixando aproveitar bem os personagens e seus dilemas enfrentados naquele momento. As primeiras cenas do filme, uma noite de festa, consegue realizar o trabalho que muitos filmes em três horas podem fracassar. Os personagens tem química, humor negro, são inteligentes e cativantes, fora sua ideia crítica e brutal do mundo, deixando aberto um convite de interesse para aqueles que começam assistir ao filme.

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A frase “Ah se o filme seguisse o livro…”  já fez muito cineasta revirar os olhos e deixar seus corpos tremendo, mas isso não aconteceu com “As Vantagens de Ser Invisível“.

Baseado no romance de Stephen Chbosky publicado em 1999, o filme conta a história de Charlie (Logan Lerman) que sofre de depressão e fica abalado com a morte de um amigo, mas acaba sendo obrigado a encarar a vida, esta, vista muitas vezes com uma visão suicida do mundo. Mas com a ajuda de dois novos amigos interpretados por Emma Watson ( Harry Potter ) e Erza Miller (We Need to Talk about Kevin) o personagem consegue seguir caminho entre todos os problemas que o aflige e ainda abre asas para a vida e o amor.

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A influencia de John Hughes segue desde o roteiro até a direção, cada cena é intensa e de grande valor, um roteiro fiel ao livro e complexo, faz com que, mesmo sendo um filme considerado apenas para jovens, muitos se identifiquem com Charlie e suas filosofias de vida.

John Hughes trabalhou em cada filme com paixão e dedicação nos deixando uma bela e extensa coleção de trabalhos. Um diretor que foi e ainda é muito respeitado e deve ser reconhecido como influência para todos aqueles que amam seus filmes e os levam pra vida. 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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