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ARTIGO: TOP10 – 1 FILME POR REGIÃO DO MUNDO

O cinema estadunidense é de longe o mais vendido e consumido no mundo inteiro. Produções norte-americanas dominam as principais redes distribuidoras de filmes, seus atores e atrizes são, também, os mais amplamente reconhecidos mundo afora; são modelos como inspiração, são ídolos, são estrelas. Todo esse reconhecimento, entretanto, não veio do dia para a noite: primeiro que estamos falando dos Estados Unidos, um país influencia, a maior economia do mundo, é um país que não poupa esforços para a divulgação da sua indústria de consumo de massa: quem nunca ouviu falar de Hollywood que atire a primeira pedra. A palavra-chave aqui é INVESTIMENTO.

Por mais que esse cinema seja a grande sensação, a força motriz da indústria de entretenimento, devemos lembrar que o mundo tem muito a oferecer; outros lugares também têm histórias a contar. É óbvio que umas localidades possuem capacidade de investimento para divulgação de seu cinema maior do que outras, mas o que conta é que toda localidade tem sim um cinema a divulgar.

É pensando nisso que, como grande explorador de cinemas, decidi selecionar alguns filmes que, para mim, são essenciais de determinadas regiões do mundo. Estas regiões não seguem um critério de divisão geográfica estabelecido, apenas tomei a liberdade de fazer essa divisão a fim de abrir continentes que são internamente multiculturais. 

1.Incêndios (EUA/CANADÁ)

Imagem relacionada    (Incendies, 2010) (Divulgação)

Muito antes de Os Suspeitos (2013) ou de A Chegada (2016), o diretor canadense Denis Villeneuve já demonstrava que era um talento genuíno, e foi com Incêndios (2010) que esse talento foi comprovado. Esse filme, adaptado de uma peça de teatro libanesa, é estraçalhador e muito surpreendente. Aqui, dois gêmeos recebem o testamento da mãe, depois que esta faleceu muito repentinamente. O testamento ordena que o gêmeos entreguem uma carta para o pai e outra para o irmão. Os fatores surpresas estão nos fatos de que eles achavam que o pai já estava morto e eles desconheciam a existência desse irmão. Eles são, então, obrigados a investigar o passado da mãe (do qual eles não conheciam), que era de origem libanesa, ou seja, o ponto de partida se dá no Líbano. O que vem a acontecer é que eles vão desvendando todo o passado da mãe (um passado muito duro) e montando uma espécie de quebra-cabeças. O que se descobre no final é arrasador.

Foi indicado ao Oscar de 2011 como Melhor Filme Estrangeiro representando o Canadá.

2. Amores Brutos (AMÉRICA LATINA)

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(Amores Perros, 2000) (Divulgação)

Como um acidente de carro pode relacionar pessoas que antes nunca sabiam da existência umas das outras? Alejandro González Iñarritu, de Birdman (2014) e O Regresso (2015), soube muito bem como relacionar  essas pessoas no filme mexicano Amores Brutos (2000), em que ele entrelaça as histórias de um cara que sonha em fugir com a cunhada, de uma modelo e seu amante, e a de um morador de rua muito sanguinário.

Esse filme foi indicado ao Oscar de 2001 como Melhor Filme Estrangeiro representando o México.

3. A Fita Branca (EUROPA OCIDENTAL)

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(Das Weiße Band, 2009) (Divulgação)

Já começo falando que eu tenho uma grande queda por esse filme. Dirigido pelo Michael Haneke (um grande cineasta), esse filme alemão de 2009, todo rodado em preto e branco, se passa em um vilarejo ao norte da Alemanha às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Aqui, estranhos acontecimentos são narrados pelo professor e morador desse vilarejo e o que predomina é um tom de mistério: primeiro, uma criança é torturada, depois outra criança é torturada, ateiam fogo a uma igreja, mas nunca nos é revelada a identidade dos responsáveis por esses atos criminosos. As crianças são muito vitimizadas ao longo da trama e parece que elas próprias tem algo a ver com esses acontecimentos; é difícil de precisar exatamente qual é a relação das crianças dessa vila com os atos que se sucedem.

O que o Michael Haneke quer indicar com esse filme é a culpa alemã; ele faz desse filme uma dissertação sobre quais cidadãos os alemães formaram na primeira década do século XX e que tomaram a frente nazista décadas mais tarde.

Esse filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes 2009 e foi indicado ao Oscar de 2010 como Melhor Filme Estrangeiro representando a Alemanha.

 

4. 4 meses, 3 semanas e 2 dias (EUROPA ORIENTAL)

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(4 luni, 3 săptămâni şi 2 zile, 2007) (Divulgação)

Esse é um filme romeno de 2007, dirigido por Cristian Mungiu, que se passa em 1987 (ou seja, estamos falando de uma Romênia sob a ditadura comunista) e trata de duas jovens universitárias durante o período de um dia inteiro e parte de uma noite orquestrando algo.

Esse filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes 2007.

 

Leviatã (RÚSSIA E EX-REPÚBLICAS SOVIÉTICAS)

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(Leviafan, 2014) (Divulgação)

Andrey Zvyagintsev, diretor russo, mostra nesse filme de 2014 uma Rússia que parece estar sempre à mercê de seu passado soviético, nunca se recuperou e está sem previsão de recuperação. A desintegração da URSS manteve problemas e atenuou novos. Aqui, um morador de uma área próxima ao mar e um prefeito se digladiam por um pedaço de terra. Ao mesmo tempo em que isso acontece, vemos um retrato da burocracia, do desleixo e do autoritarismo que ainda figura entre os representantes do governo e nos membros das instituições religiosas.

Esse filme foi indicado ao Oscar de 2015 como Melhor Filme Estrangeiro representando a Rússia.

 

5. Gosto de Cereja (ORIENTE MÉDIO)

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(Ta’m e guilass, 1997) (Divulgação)

Dirigido pelo grande mestre Abbas Kiarostami, esse filme iraniano de 1997 trata de um homem a procura de uma pessoa que o ajude em seu suicídio. As motivações para esse suicídio são desconhecidas, mas o sentimento transpassado é real. Esse é um filme muito lento, muito composto, reflexivo e recomendadíssimo para aqueles que querem fugir de filmes iranianos que retratam das guerras com o ocidente e suas consequências, ou colocam como protagonista o fundamentalismo religioso.

Esse filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes 1997.

6. Timbuktu (ÁFRICA)

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(Timbuktu, 2014) (Divulgação)

Filme da Muritânia de 2014 dirigido por Abderrahmane Shami Sissako. Esse filme é essencial por conter uma visão muito particular de Timbukto, uma cidade mali, com denúncias às milícias fundamentalistas.

Esse filme foi indicado ao Oscar de 2015 como Melhor Filme Estrangeiro representando a Mauritânia.

 

7. Mal dos Trópicos (SUDESTE ASIÁTICO)

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(Sud Pralad, 2004) (Divulgação)

Apichatpong Weerasethakul (esse nome que mais parece um palavrão) é de um diretor tailandês, figura bem carimbada em Cannes, cujo cinema é…extravagante e bem peculiar (esquisito). Mal dos Trópicos é um filme duplo: a primeira metade trata de um romance homossexual, enquanto a segunda parte para algo místico envolvendo xamãs.

Esse é um filme que vale a pena ser conferido por apresentar uma linguagem cinematográfica única. Não é para todos os paladares (admito), é para aqueles dispostos a dar uma chance a novas coisas.

8. Pais e Filhos (EXTREMO ORIENTE)

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(Soshite Chichi ni Naru, 2013) (Divulgação)

Esse filme japonês vai ser uma das coisas mais lindas que um dia alguém vai conferir. Dirigido por Hirokazu Kore-eda, Pais e Filhos tem uma história que envolve muito da arte de conquistar crianças e de saber lidar com as diferentes culturas familiares.

9. 2:37: É Só Uma Questão de Tempo (OCEANIA)

2:37 - É Só Uma Questão de Tempo : Foto Murali K. Thalluri

(2:37, 2006) (Divulgação)

É um filme australiano de adolescente, com dramas adolescentes, mas nenhum pouco clichê. O que o diretor (Murali K. Thalluri) faz aqui é brincar com tempo (assim como sugere o título do filme). Ele cria um filme onde os fatos se ligam ao estilo Elefante (2003) de Gus Van Sant. É um filme pesado, as coisas aqui evoluem em uma escalada de tragédia, mas que merece ser descoberto.

Adicione alguns em sua lista. O mundo é feito de cinema!

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Sobre o Autor

Patrick
Patrick Ponte Estudante de história e cinéfilo árduo nas horas vagas e não vagas, porque a história contada nos filmes é mais interessante que a história da humanidade.

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