BECKS (2017) – Drama musical – CRÍTICA

“Becks. Outra vez o velho mais do mesmo”

Becks é um drama musical norte americano dirigido por Daniel PowellElizabeth Rohrbaugh sobre corações partidos, recomeços, relações familiares e problemas da vida de jovem adulto.

Acompanhamos Becks (Lena Hall), que volta para a casa da mãe depois do término do seu último relacionamento. Becks é uma cantora lésbica na casa dos 30 que ainda não galgou o sucesso, acaba de ser trocada pela sua namorada com quem morava e sem muita ideia do que fazer precisa ficar na casa da mãe.

Becks

A história se desenvolve pelas relações pessoais de Becks ao voltar para bairro onde foi criada, é assim que vemos antigas e novas feridas sendo expostas. É pelo contato da protagonista com os demais personagens que vamos a conhecendo melhor, o amigo de infância, o irmão, o novo interesse amoroso e a mãe religiosa.

Duas dessas relações recebem maior foco: a relação entre Becks e a mãe Ann (Christine Lahti) e o começo do relacionamento com Elyse (Mena Suvari). Uma é um acerto e a outra um erro previsível e muito comum em produções voltadas para o público LGBTQIA+.

Becks

Vamos começar pelo acerto, a relação de Becks com Ann é algo que chama atenção logo nos primeiros momentos. Ann é uma mulher religiosa, que possui uma vida rotineira e feliz com seu grupo de outras mulheres do bairro, porém nunca superou a morte do marido.

A volta da filha para casa reacende questões adormecidas como a condição sexual da filha, a morte do marido e o apego dela pelo passado. Isso faz com que as duas batam de frente diversas vezes e expõe o quanto Becks lida com sua sexualidade de forma incisiva e bem resolvida (vemos isso em diversos momentos do longa). As cenas com as duas são as melhores do longa.

Becks

Agora vamos ao erro (mais uma vez eu preciso falar sobre um filme voltado à comunidade LGBTQIA+ que não acerta na abordagem, isso cansa, mas falar é necessário). A relação entre Becks e Elyse, uma mulher casada que vive em um casamento morno e acaba se apaixonando por Becks. Poderia ser um romance interessante se não caísse na mesmice do FINAL TRISTE DE (quase) TODA PRODUÇÃO LGBTQIA+. Mesmo que a narrativa tente trabalhar o final triste fazendo com que ele não fique tão triste, demonstrando uma maturidade adquirida pela protagonista, ainda assim cai no mesmo padrão.

Eu não sei vocês, mas eu quero um draminha saudável (amém, Desobediência) sem sexualização da mulher (foi para você mesmo azul), uma farofinha LGBTQIA+ para chamar de minha, um “Para Todas as Garotas que já Amei”. Estamos bem cansados dos mesmos finais tristes, mesmo que teoricamente eles possuam coerência dentro da trama.

Becks

No fim, Becks, mesmo possuindo uma história rasa, acertaria muito mais se trabalhasse seu casal central de forma justa (da mesma forma que trabalha a sexualidade de sua protagonista) ou se simplesmente não apostasse no romance e focasse em ser um bom drama sobre maturidade, recomeços e relações familiares.

CURIOSIDADES

Nossa musa LGBTQIA+ dona do melhor álbum de 2018 Hayley Kiyoko (Scooby-doo e A Maldição do Monstro do Lago) faz uma ponta como ex namorada da protagonista.

Nota 6.0


Sobre o Autor

Paula C. Carvalho
Graduanda em História pela UFRRJ e aspirante a crítica de cinema. Viciada em cinema, maratonas de series e viagens literárias.