CAPITÃ MARVEL – CRÍTICA – (com spoilers)

CAPITÃ MARVEL – A NOVA ERA DO UNIVERSO CINEMATOGRÁFICO DA MARVEL! SIM! 

Em todo filme de apresentação de algum super-herói ou super-heroína, acontece sempre o mesmo problema. Alguns reclamam do roteiro, outros aclamam e tem aqueles que condenam o filme completamente. Devo com garantia assegurar que Capitã Marvel segue a receita, mas com um ingrediente muito especial: Carol Danvers. 
Capitã Marvel resenha crítica
Capitã Marvel é um filme de apresentação, assim como Thor 1, Homem de Ferro, Capitão America… Que em seus primeiros filmes não foram nada bem-vindos em relação a roteiro, concepção ou montagem. E a história de Carol Danvers dá a linha de continuidade para o mesmo modelo de apresentação MCU
As referências aos clássicos oitentistas e dos anos 90 estão no ponto certo; Temos Top Gun, até mesmo Star Wars e Easy Rider. Cada elemento do filme está posicionado da forma mais no ponto possível. Recebemos os anos 90 de volta com toda a sua glória. 
Capitã Marvel resenha crítica
Aos efeitos especias e as cenas diretos do espaço, a direção de arte e montagem não deixa a desejar. Os poderes de Carol, as armas, as armaduras, detalhe por detalhe, tudo pensado com muito carinho para nos ambientar nessa galáxia paralela dos Kree, com total confiança. Fica muito claro a dedicação da produção deste filme, justamente por esses acertos. 
Em relação ao elenco coadjuvante e aos antagonistas, como Jude Law e Annette Bening (figuração da Inteligência Suprema), eu poderia dizer que esperava um pouco mais. Essa brincadeira da Marvel, de sempre tentar ser engraçada no roteiro em momentos de alta tensão, me irrita, e muito. Mas isso é um problema da Marvel no geral para mim. Quer ser engraçado? Seja! Mas se é pra falar sério, vamos falar sério. 
Capitã Marvel resenha crítica
Ben Mendelsohn me surpreendeu. Ele como o general Skrull acerta muito bem suas deixas para ser engraçado e proporciona os momentos mais emocionantes do filme (uma lagrimazinha no canto do olho quando ele reencontra com a família dele). Uma excelente reviravolta dele ser o vilão e depois o mocinho líder e ter uma boa jogada de comédia, ação e climax para seu personagem. 
Samuel L. Jackson é Samuel L. Jackson. Seu Fury sempre fugiu da linha principal da Hq. Mas tá tudo bem. Ele é bom no que faz. Gosto dele como Fury, a relação dele com Carol é MUITO mais fraternal do que dele com o Tony Stark e eu gostei disso. 
Capitã Marvel resenha crítica
O MCU encontra seu ponto de partida. Após Capitão América, é com Capitã Marvel que realmente começamos o Vingadores ( a piadinha de Avanger, curti!) e presenciamos um começo bom para a S.H.I.E.L.D. 
Brie Larson, chegou o momento. Saindo da sessão eu ouvi muitos críticos homens, saindo da sessão reclamando do roteiro, reclamando que ela era muito sem expressão, que ela era arrogante, que ela não era simpática, que ela não era engraçada… 
Capitã Marvel resenha crítica
Também Tony Stark e ai? Por que venhamos e convenhamos, em Homem de Ferro 1 o número de piadas machistas é ENORME, ele é carismático, mas vocês acompanharam a carreira do Robert Downey Jr? Ele nunca foi um ator muito “oscar não…” E como Tony Stark, ao menos no primeiro filme, que também não tem um roteiro original, mas segue a HQ, ele é bem ok. Qual a diferença? 
Carol é a Mulher Maravilha da Marvel. Ela é a personificação da Mulher que vai destruir Thanos, salvar a galaxia e conquistar o mundo. E isso incomoda né?! Pois é! Brie Larson, celebremos! O seu treinamento foi intenso, as cenas de lutas e ação em geral estão seriamente, muito bem coreografadas. 
Capitã Marvel resenha crítica

Ela nos dá a Carol dos quadrinhos. Arrogante, engraçada, meio desequilibrada, pronta para a ação e sem aceitar desaforo de ninguém! Marvel, amém! 

Nenhum personagem da história é deixado de lado, a relação de Carol com Maria, a filha da Maria, Mônica, (você pensa que eu não vi essa introdução a Mulher de Ferro ai, não Marvel? Eu vi!), os Skrull, os Kree, as relações com Guardiões da Galáxia com Ronan (Lee Pace)… Tudo isso fica excepcionalmente bem fechado, mas aberto para uma sequência muito mais elaborada. 
Capitã Marvel resenha crítica
Capitã Marvel vai incomodar, sim! E é pra isso que eu pago ingresso, para assistir uma super heroína não aceitando por menos. E muito menos aceitando ser chamada de “young lady“, então, pode vir Viúva Negra, filme solo, estamos prontas! 
Capitã Marvel resenha crítica

CENAS PÓS CRÉDITOS: 

Vai ter Carol Danvers salvando Tony Stark no espaço, SIM! 


Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

2 comentários sobre “CAPITÃ MARVEL – CRÍTICA – (com spoilers)

  1. Alessandro Loiola disse:
    Avatar

    O FILME DA CAPITÃ: A DIFERENÇA ENTRE WONDER E MARVEL
    – por Alessandro Loiola
    https://web.facebook.com/alessandro.loiola.9

    Estive dia desses no cinema para assistir Capitã Marvel. Fiquei tão impressionado com o discurso do filme que não resisti e vim escrever uma resenha.

    É o seguinte:

    Em 2017, o lançamento de Mulher Maravilha foi exaltado como um hino do neofeminismo. Estrelado pela estonteante Gal Gadot, a história de uma heroína no mais pleno arquétipo Atena + Ártemis exibia, entre outras coisas, uma sociedade de amazonas misândricas como o clímax do ativismo do exército das SJW Progressistas Pós-Modernas.

    Em si, o enredo de Mulher Maravilha não é ruim; a diversão é até decente, mas a mensagem subliminar é questionável. Ainda assim, Wonder Woman custou 149 milhões de dólares e rendeu 821 milhões, o que lhe garantiu o troféu de 9º maior bilheteria de 2017.

    Dois anos depois de Mulher Maravilha, o lançamento de Capitã Marvel ofereceu um novo palanque para os argumentos neofeministas. Inclusive, a atriz principal, Brie Larson, foi acusada de fazer discursos “lacradores” e havia até mesmo a expectativa de que isso gerasse um boicote ao filme. O que não ocorreu:

    Capitã Marvel custou 152 milhões de dólares e após 4 dias de exibição havia acumulado a bagatela de 456 milhões de dólares em bilheteria. No Brasil, Capitã já se tornou a terceira maior arrecadação da Marvel Studios, ficando atrás apenas de Capitão América: Guerra Civil e Vingadores: Guerra Infinita. O provável é que seu lucro ultrapasse Mulher Maravilha, mas isso não é o mais importante. O mais importante é a mensagem explícita que carrega.

    Em inglês, a palavra “wonder” pode ser traduzida como “maravilha”, mas uma tradução mais correta seria “deslumbramento”, no sentido de que “wonder” sugere um êxtase prazeroso da imaginação ou um estado de admiração por encantamento.

    Em contrapartida, apesar de “marvel” também poder ser traduzido como “maravilha”, a palavra tem um sentido mais refinado de espanto ante o extraordinário, um estado de surpresa diante do fenomenal e do grandioso – e esta é exatamente a diferença entre Mulher Maravilha e Capitã Marvel.

    Mulher Maravilha é vistosa, Capitã Marvel é magnífica.

    A super guerreira Diana Prince foi interpretada pela modelo internacional Gal Gadot. Gadot, com 1,78m de altura, Miss Israel em 2004, tem uma beleza incontestável e um corpo super malhado – atributos que foram bem aproveitados pela produção e pela indumentária de sua personagem.

    Em contrapartida, Carol Danvers, a piloto da aeronáutica que se torna um dos seres mais poderosos do universo, foi interpretada pela jovem Brie Larson. Com apenas 1,70m e 58 kg, Larson tem uma beleza mediana e passaria quase despercebida caso comparecesse a uma festa ao lado de Gadot. Mas a Capitã de Brie Larson é um gigante perto da Wonder Woman de Gadot.

    NÃO LEIA DAQUI EM DIANTE CASO NÃO QUEIRA RECEBER SPOILERS

    Durante o longa Capitã Marvel, podemos perceber o quanto Carol Danvers era poderosa antes de ser “poderosa”: ela era o tipo de pessoa que você pode derrubar QUANTAS VEZES QUISER.

    Entenda: para derrubar uma pessoa QUANTAS VEZES VOCÊ QUISER, essa pessoa deve levantar-se TODAS as vezes que cair. E Carol Danvers cai na praia, cai jogando baseball, cai andando de bicicleta, cai correndo de kart, cai treinando na academia militar, cai durante o teste de uma aeronave, cai na explosão de um reator… e levanta-se, sozinha, sempre.

    Nos trechos em flashback, as jovens atrizes London Fuller (que interpreta Carol aos seis anos de idade) e Mckenna Grace (Carol aos 13 anos) dão um show quando se erguem encarando a câmera com um olhar de “Venha, mundo! Mostre o que mais você pode tentar fazer comigo! – e eu vou mostrar de volta o que eu vou fazer com você”. O efeito do close up em cada um daqueles olhares é inspirador.

    Em outro trecho, Maria Rambeau, piloto habilidosa e melhor amiga de Carol Danvers / Capitã Marvel, se vê ante um dilema: ficar em segurança na terra cuidando de sua filha ou guiar um avião recém-adaptado para ir até o espaço e enfrentar uma força alienígena inimiga tecnologicamente mais avançada.

    Quase enveredando por uma típica crise melodramática, Maria ouve sua pequena lhe dizer que momentos como esse existem para que você reflita exatamente qual mensagem deseja passar para seus filhos. E isso basta para que Rambeau entenda o que deve fazer.

    Pessoas “comuns” atropeladas por contextos capazes de trazer à tona a verdadeira matéria que nos constitui: é disso que os bons filmes de heróis deveriam tratar. E as mulheres-heroínas em Capitã Marvel não deixa a desejar: elas são emocionais, vulneráveis e ternas, mas ao mesmo consistentes de um modo flexível, intensas de um modo empático e determinadas de uma maneira fascinante.

    “Eu não sou o quê você acha que eu sou”, diz Danvers para Fury, logo no início do filme, antes de tentar abater um skrull com uma rajada de fótons. Na sequência, enquanto estão em perseguição ao skrull, Fury conversa com Coulson no carro:

    – Você viu a arma dela? – pergunta Fury.

    – Não. – responde Coulson.

    Capitã Marvel não tem braceletes, ou laços mágicos, ou aviões invisíveis. Ela não dispara com armas: ela tem suas mãos, suas convicções e uma missão. E isso é tudo que precisa.

    Numa cena-chave, Danvers encontra-se no ambiente virtual da Inteligência Suprema, o governante soberano do planeta Hala. Ao tentar revoltar-se contra a subserviência imposta pela Inteligência, é golpeada por raios de força. Imobilizada, recebe um aviso: “o que lhe foi dado também pode ser retirado”.

    Esta frase marca uma epifania, quando Danvers compreende que sua “stamina” não foi “dada”: ela sempre esteve ali, porém acorrentado pelos mecanismos de controle daquilo que ela conhecia como Inteligência Suprema. E o que aconteceria se ela, uma simples terráquea voluntariosa e altruísta, decidisse renunciar ao servilismo? O que aconteceria se ela decidisse parar de lutar “com uma mão amarrada às costas” e desse vazão à sua avassaladora energia feminina?

    Finalmente liberta do domínio da “Inteligência Suprema”, Danvers manifesta toda sua potência, destrói a ameaça alienígena no espaço – que foge com o rabo no meio das pernas – e retorna à Terra para um último compromisso: próximo aos destroços de uma nave, a Capitã encontra seu antigo instrutor, Yon-Rogg (interpretado por Jude Law).

    Rogg era a ferramenta que a Inteligência Suprema havia colocado ao lado e acima de Marvel para garantir sua submissão à autoridade. As frases pseudo-motivacionais de Rogg – “tudo que quero é que você seja a melhor versão de si mesma” – nunca foram potencializadoras, mas limitadoras das capacidades de Carol.

    Se a Inteligência Suprema é todo o conjunto de Moralidades virtuais masculinas e femininas que agrilhoam as aptidões femininas, o traidor Rogg é a própria personificação do mito da “sociedade patriarcal machista opressora”. Ciente de sua desvantagem na situação, ele desafia Marvel para um embate mano a mano, sem que ela use plenamente seus poderes.

    – Estou tão orgulhoso de você! – diz Rogg, colocando sua arma no coldre. – Você percorreu um longo caminho desde que a encontrei naquele dia, à beira do lago. Mas será que você consegue controlar suas emoções tempo o suficiente para me enfrentar? Ou irá permitir que elas roubem o melhor que você tem? Eu lhe disse: você estaria pronta apenas quando controlasse suas emoções e me vencesse sendo você mesma. E esta é sua chance! Este é o momento, Vers!

    E então Rogg ergue os punhos, desafiando-a:

    – Desligue seu show de luzes e prove, prove para mim, que você é capaz de me vencer sem… – e antes que possa terminar sua frase, Rogg recebe uma cacetada fotônica disparada por Danvers, sendo arremessado com violência contra uma pedra a centenas de metros de distância. Danvers aproxima-se dele. Rogg está caído e ferido. Ele a olha com temor. Ela o olha com desapego enfático.

    – Eu não tenho que lhe provar coisa alguma. – responde Carol, enquanto cata Rogg pela mão e o arrasta pelo deserto.

    Assistir Capitã Marvel é uma aula do legítimo poder feminino que as feministas atuais, ainda deslumbradas com a ilha de Themyscira, com os sovacos peludos e os absorventes mastigáveis, deveriam assistir várias vezes.

    O feminismo não é, não deveria ser e nunca se tratou de uma luta contra os homens. Para as mulheres, o feminismo deveria significar uma busca pela feminilidade em seus genes, pelo poder singular que reside nos seus dois cromossomos X.

    O Aretê Feminino não consiste em provar o seu valor para ou contra os outros, mas simplesmente descobrir sua Identidade Pessoal e cumprir seu propósito com força, coragem, honra, sentimento, justiça e sabedoria; sem amarras; por si, para si e para o bem dos outros à sua volta.

    Em um trecho revelador, o líder skrull Talos pergunta a Danvers: “Você gostaria de saber quem você realmente é?”.

    Esta é a pergunta que ecoa pelo filme e mais além. E esta, sim, é uma questão Maravilhosa para as autênticas mulheres do século XXI – e um espetáculo para todos os homens que as admiram.

    Capitã Marvel é um filmaço.

    • Dandara Aryadne disse:
      Dandara Aryadne

      Alessandro UAU! – Só isso que tenho pra te dizer da sua crítica! Eu concordo com todos os pontos e acredito que realmente a Capitã Marvel veio para mudar o jogo! Mal posso esperar pra Ultimato! MUITO OBRIGADA MESMO por seu comentário!

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