CRÍTICA: FLAVORS OF YOUTH (2018) – Uma linda animação que perde na narrativa.

Flavors of Youth estreou mundialmente na plataforma de streaming Netflix em agosto e eu admito que estava com grandes expectativas para assisti-lo. O novo longa do estúdio Comix (Your Name) já mostrava sua qualidade técnica impecável no trailer e não decepciona em momento algum quanto a isso.

Entretanto, diferente do que o trailer dá a entender, Flavors of Youth não fala de uma história única, mas sim de um conjunto de três histórias aparentemente não correlacionadas. Desta vez, não há amores distantes, troca de corpos ou meteoros raríssimos que conectem uma narrativa à outra.

Talvez seja esse o ponto no qual Flavors of Youth peca: a quebra de ritmo que inevitavelmente acontece ao se passar de uma história à outra. O longa animado tem uma delicadeza muito própria: um ar melancólico de quem contempla e tenta compreender o sentido da vida. No longa em questão, a narrativa segue pequenos segmentos da história de três protagonistas diferentes, em três partes diferentes da China e que representam respectivamente passado, presente e futuro.

O roteiro tenta conectar as histórias fundamentando-se nessas sutilezas e embora consiga dar conta do recado, isso fica apenas “ok”. O ponto alto do filme fica logo no começo, mas uma sequencia de qualidade técnica maravilhosa sobre o preparo de um certo prato da culinária chinesa, mas após isso o filme é lentamente invadido de um marasmo enfeitado por uma animação bem feita. No fim de tudo, a sensação é de ter assistido três episódios de um anime qualquer sobre “slice of life”.

Em resumo: dá pra ver. Uma vez.