TOY STORY 4 ( Disney 2019 ) – CRÍTICA :

TOY STORY 4 – A REALIZAÇÃO DE UMA SEQUÊNCIA BEM VINDA 

Anos se passaram e a Walt Disney Company e a Pixar Animation Studios continuam a superar as expectativas. Após quase nove anos desde de o último filme da franquia, Toy Story 4 chega aos cinemas com a direção Josh Cooley, mantendo John Lasseter na criação de idéias de roteiro e Lee Unkrich participando da produção. O novo filme tem todos os elementos necessários para a alegria de seus fãs.

Toy Story 4

Embora o terceiro filme tenha saciado a necessidade de conclusão, a proposta de um quarto filme deixou uma certa insegurança no público que acompanham aos filmes. Porém Toy Story 4 pode ser considerado uma ampliação de seu próprio universo podendo enxergar novos horizontes. Sem abrir mão da essência dos filmes anteriores.

Woody, Buzz Lightyear e todos os outros brinquedos continuam pertencendo a pequena Bonnier. Que durante sua primeira dia no jardim de infância cria seu próprio brinquedo introduzindo assim o novo personagem. Garfinho, um objeto descartável que ganha vida após ser transformado em brinquedo na aula de artes de Bonnier. O Garfinho por outro lado, não entende o conceito de ser um brinquedo. E é relutante em aceitar sua nova utilidade. Pois acredita fielmente que foi criado para ser descartável tendo como destino final o lixo e não o carinho e atenção de uma criança.

Toy Story 4

Assim começa nossa aventura em Toy Story 4. Onde Woody assume a difícil missão de fazer com que o Garfinho perceba sua nova realidade como brinquedo. E de sua importância na vida da pequena Bonnier. Além de fazer com que Garfinho veja que não é apenas mais um objeto descartável. O filme conta também com outros novos personagem a Policial Giggle McDimples, Duke Caboom e Gabby Gabby.

Mas os destaques do filme são o Coelho e o Pato. Que apresentam um comportamento bastante adulto para brinquedos que são destinado à crianças. Mas os dois personagens garantem um humor diferente do que havia sido mostrado nos filmes anteriores.

Toy Story 4

Não só de novo brinquedos é feito Toy Story 4. O filme conta com o retorno de Betty e seus carneirinhos. Que estão livres no mundo sem uma criança para dedicar seu amor e vida. Woody fica espantado não só pelo novo comportamento independente e empoderada de Betty, mas principalmente por fazer com que ele repense seu próprio conceito de que brinquedos só existem para pertencer a uma criança.

É fácil perceber que a trama se desenvolve em torno da aceitação. E da possibilidade da reutilização de coisas que podem ser consideradas descartáveis para alguns. Porém pode ter uma relevância muito importante para o outro. A aceitação de novas possibilidades, de algo que pode ir além do que estava previsto para ser.

Toy Story 4

Outra trama cresce de forma similar ao tema central do filme. Ampliando a visão dos brinquedos para um mundo onde eles não venham a depender de uma criança. Propondo algo desconhecido, arriscando novas alternativas e saindo da zona de conforto.

Dos últimos filmes da franquia por mais que essa pequena mudança desperte um sentimento aterrorizante, essa nova ideia proposta em Toy Story 4 pode dispor de um leque de opções. E aventuras imensuráveis.

A computação gráfica utilizada para a produção é algo que atinge a perfeição. Sendo bem detalhista. Desde as gotas de água de uma chuva até as luzes e magia que devem ser retratadas ao exibir um cenário de parque de diversões. O roteiro consegue não só acompanhar o ritmo das cenas, como completar os sentimentos que devem ser transmitidos.

Já a trilha sonora é um espetáculo à parte além da tradicional música “Amigo estou aqui” o compositor Randy Newman contemplou Toy Story 4 com uma nova canção original marcante. Assim como a versão brasileira não deixa a desejar causando no público a sensação de acolhimento ao universo Toy Story.

DUMBO – LIVE ACTION – (2019) – CRÍTICA:

DUMBO – O RETORNO A BOA ERA DE TIM BURTON

A animação original de Dumbo foi lançada em 1941, na Era de Ouro da Disney – através de maestria em técnica, a Disney evoluiu para o que conhecemos em Bambi, Cinderela e por seguinte, Bela Adormecida. Aqui, neste novo live action, dirigido por Tim Burton, essa beleza não fica para trás, mas infelizmente apresenta um arco de história clichê e sem emoção.   

É certo dizer que com Dumbo, Tim Burton recuperou seu passo, antes perdido na primeira e segunda parcela de Alice, incluindo sua recente adição com O Lar das Crianças Peculiares. O diretor brinca em transformar os pequenos detalhes da animação em elementos transicionais no filme que completam a narrativa de uma forma sutil e delicada. Estudando a história original do personagem, escrita por Helen Aberson e o ilustrador Harold Pearl.   

Dumbo crítica live action disney

Ainda sem perder sua natureza encantadoramente sombria. Existe algo de sobrenatural em todos os ares de Dumbo, seja em suas referências a Méliès, sua assinatura clara com a Lua cheia baixa e os tons de passagens frios em roxos e azuis. A trilha sonora de Danny Elfman está no ponto. É bem reconhecível seus acertos de Edward Mãos de Tesoura, Noiva Cadáver e Alice No Pais das Maravilhas. Mesmo que a trilha de Elfman seja excepcional, essa copiosidade fica cansativa em certo ponto. 

A natureza do elenco, é sempre louvável e acolhedor o fato de que a Disney cria dimensões para a história destes personagens. É de suma importância entendermos que mesmo que queiramos que o live action seja “igual ao desenho”, ainda precisamos preencher duas hrs em tela. Para isso, é necessário estudar as ambientações da história que queremos representar.   

Dumbo crítica live action disney

Colin Farrell como o pai ausente está, Colin Farrell. Sabemos da extensão do talento deste ator. Eu mesma sendo uma grande admiradora de seu trabalho. Mas aqui parece que não foi pedido muito dele. Mesmo tendo um numero de cenas grandes, com grandes momentos, o tempo todo, nada mais. O herói de gerra que volta para uma família sofrida pela perda da mãe, precisa reencontrar o lugar dele dentro do circo. E ainda se permitir conhecer seus filhos. Já vimos isso milhões de outras vezes. 

A dupla Nico Parker e Finley Hobbins, estão muito bem apresentados. Seus personagens servem de incentivo para que Dumbo voe, tal como Red no livro infantil. A construção do roteiro teve tanto trabalho em criar dimensão para a dupla de crianças que esqueceu de todo o restante do elenco. E ainda assim, a personagem de Nico, Milly tem muito mais espaço em tela. Já que em algum momento do filme, esquecemos completamente do personagem de Finley, Joe.   

Dumbo crítica live action disney

Eva Green é a nova Helena Bohan Carter de Tim Burton. Mas Eva carrega um encantado sinistro diferente da ex musa do diretor. Helena é hipnoticamente sombria, ela é intensa e pesada. Eva consegue ter mais dimensão a essa posição. Já que seu papel em Penny Dreadful lhe deu essa mesma extensão. Aqui, como Collete a Rainha dos Céus do circo eminente de Vandevere, sua personagem some em meio a tantas reviravoltas dentro da história. O que é uma pena. 

Michael Keaton e Danny DeVito roubam todas as cenas. Mestres em ludibriar o público com um humo ácido, é notável em como a experiência deles juntos, anos depois, em Batman, nas mãos do próprio Tim Burton, conta. Em cenas exclusivas ou juntos, os atores carregam com sincronismo seus personagens. A ironia de Keaton aqui ser o vilão a ver tudo queimar é ainda mais agraciante para o público.   

Dumbo crítica live action disney

Dreamland, os espetáculos, a construção em CGI, todas as pontuações da história e trilha sonora transformam Dumbo em um belo espetáculo. Grandes momentos dentro do picadeiro que valeria o 3D e carrega excepcionalmente o “uau” do público. Mas é bem certo afirmar que Dumbo termina com inúmeras pontas soltas. Forçando uma emoção mal construída, que se não se encaixa em excessivos “pontos finais”. 

Dumbo era o que Tim Burton precisava para voltar ao eixo em sua metalinguagem e assinatura teatral cinematográfica. Mas está longe de ser o melhor live action da Disney. Vale o preço do ingresso? Por nostalgia, talvez. Como peça memorável? Não.