CRÍTICA: A PEQUENA LOJA DE SUICÍDIOS (2012) – A beleza da animação francesa!

“A lei adverte. Se suicidar em vias públicas pode gerar multa.”

A Pequena Loja de Suicídios se encaixa na categoria musical quanto na categoria animação. Le Magasin des Suicides (nome original) é a adaptação do livro de mesmo nome, escrito por Jean Teulé, grande sucesso literário de 2006. O longa mostra uma sociedade triste e depressiva, as pessoas não tem mais passatempos, alegrias de viver, o único desejo comum é o suicídio que também se torna a forma de comércio mais lucrativa. São cordas, venenos e outros instrumentos para ajudar cada cidadão a encurtar sua vida. O único problema é quando a proprietária da loja de artigos para suicídio da luz a um filho alegre e repleto de vida.

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A proposta de A Pequena Loja de Suicídios soa estranha e incomum. Porém, a ideia do filme por si só é muito original, o diretor Patrice Leconte decidiu fazer apenas algumas modificações para tornar o filme “praticamente irônico com tanto otimismo.” Tem sacadas ótimas com algumas pitadas de humor negro, e para completar, é um musical.

A arte do filme é bem característica de uma visão europeia, mas ainda assim quem é fã de Tim Burton vai identificar certos tons mórbidas em comum que dão ao filme um ar muito mais convidativo a sua história. É um trabalho extremamente detalhado em sua singularidade, a arte foi muito bem trabalhada, os mínimos detalhes delicados completam toda a atmosfera do filme e a palheta de cores é sempre contrastante com a história que mesmo querendo apresentar uma atmosfera depressiva, ainda assim tem cenas exclusivamente coloridas, principalmente no ambiente de dentro da loja.

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As singularidades do filme também estão sem seus personagens, com mérito exclusivo do criador da obra, o escritor Jean Teulé, todos os personagens tem nomes em homenagens a figuras públicas que se suicidaram. O patriarca da família, Mishima Tuvache, em homenagem a Yukio Mishima, escritor, ator, roteirista e diretor japonês que ficou conhecido por realizar o seppuku – ritual de suicídio japonês – há inclusive uma cena onde Mishima explica com paixão sobre o ritual para um determinado cliente, sua forma de morte favorita, uma brincadeira é claro relacionada ao nome.

O filho mais velho é Vincent, em homenagem ao pintor suicida Vincent Van Gogh e a filha Marilyn Tuvache é em homenagem a atriz e cantora Marilyn Monroe, o filho mais novo Alain, é em homenagem ao matemático britânico Alan Turing.

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É bem o retrato corrosivo e decadente de uma Europa pós moderna e depressiva, porém com um principio de salvação a partir da alegria de uma criança que conhece o simples sentido da vida. Viver.

O filme foi lançado em 2012 e gerou reações variadas, muitas das reclamações foram por conta das extensivas cenas musicais – realmente a cena onde a filha se apaixona, a música parece infinita – É um filme francês, as vezes demora para encantar, mas quando o faz cria-se um amor e carinho pela obra que não dá pra superar.

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Muita das críticas positivas foram em relação a arte do filme e isso deu para a animação francesa uma nova oportunidade de chamar atenção para a sua singularidade que é tipica apenas do cinema francês, essa visão artística e realista do mundo com uma ironia romântica.