TOLKIEN (2019 – cinebiografia) – CRÍTICA :

Tolkien – A jornada do autor, antes do anel

J. R. R. Tolkien é provavelmente o autor de fantasia mais conceituado do mundo. Suas histórias embalaram a vida de gerações, muito antes dos filmes de O Senhor dos Anéis serem lançados em 2001, 28 anos após a morte do autor. As edições são feitas ainda nos dias de hoje e é difícil alguém que não tenha pelo menos escutado o seu nome ou o nome de seus livros.

Tolkien 2019 critica

Seu trabalho inspirou escritores e mesmo em obras como Harry Potter podemos perceber elementos de sua criação. A figura é amplamente conhecida, mas pouco sabíamos sobre o Tolkien homem, e essa é a intenção da cinebiografia escrita por David Gleeson e Stephen Beresford.

O filme acompanha a vida de Tolkien até o início de sua vida adulta. Intercalando a narrativa entre infância, adolescência e cenas da guerra no qual foi combatente. É apresentada na tela um Tolkien humanizado, mas sem perder os elementos do fantástico que sempre estiveram presentes em sua vida. A perda da mãe, a vida como órfão e os amigos de adolescência que foram para a vida.

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O primeiro romance, com aquela que acabaria se tornando sua esposa, a ida à guerra em seus anos de faculdade… Podemos ver um panorama grande da vida do escritor, e com isso entendemos suas inspirações para aquela que seria a grande obra de sua vida.

A cinematografia é impecável. Todos os detalhes de como trazer os elementos fantásticos durante o filme foram pensados e se encaixam de forma perfeita com a narrativa. O jogo de luz, a criação de sombras, o uso da fumaça para recriar a figura de Sauron ou de dragões. Vemos  Tolkien como alguém com o imaginário sempre muito vivo e a flor da pele. Outro ponto que me impressionou foi o cuidado nos detalhes do figurino. Toda a arte da época foi retratada de maneira muito fiel.

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Com Nicholas Hoult (A Favorita) e Lily Collins (O Mínimo Para Viver) como atores principais, o filme entrega o que promete. Os dois têm a química necessária em cena. Nicholas Hoult me impressionou. Depois do desastre que foi Equals (2015), eu não via mais como ele poderia entregar um papel e ser convincente. E finalmente ele conseguiu. Me deixou positivamente surpresa.

O filme lançado esse mês ainda não foi aprovado pela família do autor. Seu filho Christopher Tolkien declarou em uma entrevista ao Le Monde em 2012, que: 

a comercialização reduziu o aspecto estético e filosófico da criação à nada”.

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Apesar disso, o filme em nada quer agradar o grande público. Pelo contrário, assistindo não pude deixar de pensar que o diretor Dome Karukoski (The Grump) foi inspirado por filmes como Em Busca da Terra do Nunca e A Princesinha.

Talvez o nicho de pessoas que são realmente fãs da obra tenham uma maior conexão com o filme. E com toda a sua conexão com a obra de Tolkien. Como foi o meu caso. Perceber as referências de onde o autor se inspirou trás todo um ar mágico e poderoso. Que me fez sair do cinema e procurar logo um de seus livros para ler.

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Tolkien é um filme sobre amor, coragem e irmandade. E para todos aqueles que usam da fantasia para criar um novo mundo.