THE L WORD GENERATION Q – SÉRIES ATM

O LEGADO DE THE L WORD

Se você é da comunidade LGBTQ, com toda certeza já se pegou reclamando ou desejando uma representatividade no audiovisual que de fato representasse de forma justa as nossas vivências.

The L Word

Hoje em dia, mesmo que ainda tenhamos um longo caminho para percorrer, podemos encontrar muitas produções com personagens LGBTQ, tanto séries, quanto filmes e livros. Porém, nem sempre foi assim, se compararmos as produções das décadas passadas com as dos últimos anos poderemos ver que a diferença, tanto de quantidade quanto de qualidade é gritante.

The L Word

The L Word chegou exatamente nessa época em que a produção era escassa. No começo dos anos 2000, mais precisamente em 2004, o canal Showtime nos apresentava a série que marcaria toda uma geração de lésbicas e bissexuais.

Criada por Ilene Chaiken, The L Word acompanhava a vida de um grupo de amigas lésbicas e bissexuais em Los Angeles. Mostrando seus dramas familiares, vida profissional e seus relacionamentos. Não preciso dizer que a série estourou justamente por não haver nada parecido, as mulheres da parcela L e B da comunidade LGBTQ nunca tinham tido esse tipo de representação antes. A série durou seis temporadas tendo encerrado em 2009.

The L Word

Era de se esperar que depois do sucesso da série fosse se abrir um caminho para mais produções do gênero. Bom, não foi bem assim. The L word continua com seu status de revolucionária até os dias atuais e pelo que parece não pretende deixá-lo. A prova disso veio em 2019, dez anos após o fim da série original, a Showtime nos presenteia com The L Word Generation Q, o revival que toda lésbica e bissexual nascida em meados de 1990 queria e as mais jovens precisavam.

Mas nem tudo é aclamação quando falamos de The L Word, muito se é criticado e com todo embasamento. A série peca em vários momentos durante seus seis anos de exibição, tendo muitas vezes deixado a desejar na construção de certos personagens e plots.

The L Word

Um dos plots que mais receberam críticas era o do personagem Max/Moira (vivido pela atriz cisgênero Daniela Sea), um homem trans que acompanhamos a transição desde o início. A questão de uma atriz cisgênero no lugar de um ator trans é algo bem complicado e além disso o roteiro não soube contar de forma justa essa história, justamente por isso todas as críticas são mais que pertinentes.

Embora concorde com as críticas, penso que um exercício de situar a obra na época em que ela foi feita se faz necessário. Nada naquela época era tão esclarecido como hoje, principalmente as vivências da parcela trans da comunidade. E mesmo com todos os problemas, a série estava lá falando algo que não era falado, mostrando que essas pessoas existiam. Cometendo erros sim, mas a importância da série não diminui por isso, se levarmos em consideração a época em que foi produzida.

Mas estamos em 2020 não é mesmo? Isso quer dizer que o revival não pode e não deve cometer os mesmos erros da sua original. E é exatamente o que The L Word Generation Q está fazendo, ou pelo menos, tentando.

O revival conta com três personagens da série original. Alice (Leisha Hailey), Bette (Jennifer Beals) e Shane (Katherine Moennig). Justamente as personagens com mais apelo entre o público. E novos personagens pra dividir o protagonismo, Dani (Arienne Mandi), Sophie (Rosanny Zayas), Micah (Leo Sheng) e Finley (Jacqueline Toboni).

Vamos começar pela representação trans, nesse quesito os produtores não bobearam e contrataram para o papel de Micah, um homem trans, o ator trans Leo Sheng. Nessa primeira temporada a série tenta, ainda que de forma tímida, relatar as vivências da parcela trans depois da transição e acertaram em colocar um homem trans para interpretar o papel. Além de Sheng, temos outros atores trans que completam o elenco, como o ator Brian Michael Smith e as atrizes Jamie Clayton e Sophie Giannamore.

Para além de reparar erros da original, Generation Q segue a mesma fórmula e continua apostando nos dramas familiares e amorosos de suas personagens. Debate também questões importantes dentro da comunidade LGBTQ e trabalha os plots de forma mais fiel e coerente com a realidade.

The L Word

Trazendo temas como religião, preconceito, poliamor, matrimônio, maternidade e a descoberta da sexualidade e do primeiro amor. É esperta em unir parte do elenco antigo com os novos nomes, trazendo assim, todas as idades da audiência. O roteiro aposta e acerta na química dos personagens e nos laços entre eles. Esse é o grande trunfo do revival.

Se você sentia falta de The L Word esse revival é pra você. Se você não faz nem ideia do que foi The L Word, bom, esse revival também é pra você.

CURIOSIDADES

Dez entre dez lésbicas e bissexuais 90s desejavam saber o que aconteceu com Jenny Schecter (por mais que a gente odiasse a personagem). Generation Q responde essa questão.

Aqui vemos Angélica, filha de Bette e Tina, já adolescente e é a coisa mais fofa a relação dela com as mães.

Alice continua exatamente a mesma e a gente ama demais.

The L Word Generation Q terminou sua 1ª temporada esse mês e já foi renovada para a 2ª. OS REFRESCOS.

AVES DE RAPINA (2020) – CRÍTICA:

Para aqueles que acompanham nossas críticas, entendam o quanto somos preocupados em transpassar uma análise técnica, assim como uma abordagem que tem em vista sanar precisas duvidas, que através destas, inserirem-se nos textos discorridos, como bônus ao bom leitor.

Tendo em vista o sucesso de bilheteria com Capitã Marvel (2019) e Mulher-Maravilha (2017), é certo afirmar que: o público (geek) em geral não é mais o mesmo. Sequer enxergam-se mais com está nomenclatura.

Partindo deste princípio, é certo que só em 2019, Coringa, um seu filme solo, entregou a todos uma experiência totalmente diferente. E foi bem recebido por público e crítica, mostrando que, nas mãos certas, era possível aproveitar o potencial de personagens tão importantes para a cultura pop.

Aves de Rapina

Acredita-se que seja conhecimento de todos que a Arlequina vivida por Margot Robbie, diferente do Coringa de Jared Leto, cativou uma boa parte do público. Mesmo em um filme de qualidade bem duvidosa. Assim, a ideia de trazer a personagem para uma produção solo já foi um grande acerto. Mesmo que o longa tenha sido promovido à exaustão como um filme sobre o grupo Aves de Rapina.

A edição é severamente confusa entre seus primeiros 40 minutos de filme. A diretora Cathy Yan, realiza um ótimo trabalho ao entregar personagens com suas características detalhadas e cheias de camadas, que se desenvolvem ao longo do filme. Porém falta conexão entre os segmentos. Erros de continuidade ocorrem, e a trilha sonora destoa – afinal, se ouvi-la á sós parece apenas mais uma playlist criada no spotify – . Não há imersão, sequer um estimulo.

Aves de Rapina

O roteiro de Christina Hodson colocou o vilão em comum apenas para servir de imã e assim atrair as cinco personagens principais. Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell) é uma agradável e firme cantora que trabalha para Roman. Renee Montoya (Rosie Perez) é detetive (no estilo CSI). E a Caçadora (Mary Elizabeth Winstead) é misteriosa, estranha e vingativa, lembrando a ilustre Beatrix Kiddo. Por fim, uma pré-adolescente criada nas ruas chamada Cassandra Cain (Ella Jay Basco).

Já citado em nossas críticas que a “Marvelização” no mercado deu origem a filmes mais divertidos, dinâmicos, com paletas de cores em tons bem vivos e cenários mais diversificados. Ou seja, um novo “parque de diversão” já apontado por Martin Scorsese.

Aves de Rapina

Em vista do fracasso ocorrido por Esquadrão Suicida, é muito interessante a proposta da DC/Warner. Trazer um filme na qual mostraria Arlequina, na perspectiva feminina da roteirista e diretora, juntamente com elenco majoritariamente composto por mulheres.

Contudo, Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa conseguiu superar Esquadrão Suicida. Em suas nuances com uma proposta mais crível, divertida e colorida. Com muita ação e cativa até mesmo aqueles que duvidavam de seu sucesso. A Arlequina e a produção conseguiram mais do que a própria emancipação. Seu teor anarquista e inovador, mantem a DC com um aspecto desafiador. Bem como em um ritmo de bons filmes, no qual reconquista a aprovação de seu público.

Aves de Rapina

Aves de Rapina diverte ao mesmo tempo que abre novas possibilidades para as produções de super-heróis da DC. Desta forma cada filme tem uma voz e identidade própria, para que assim encontrem o seu lugar no mercado cinematográfico.