TED BUNDY, A IRRESISTÍVEL FACE DO MAL – CRÍTICA:

Ted Bundy – O VELHO CASO DE HOLLYWOOD ROMANTIZAR PSICOPATAS

O longa foi baseado em fatos ocorridos na década de 70. Contando como Theodore Robert Bundy, um homem charmoso e amável, era também um assassino em série. Que matou, pelo menos, 30 mulheres em sete estados estadunidenses durante a décadas de 1970. O filme mostra os detalhes do relacionamento entre Ted Bundy (Zac Efron) e Elizabeth Kloepfer (Lily Collins). Durante o período de sua atuação como um serial killer.

Ted Bundy

Ted Bundy é dirigido por Joe Berlinger. Em comparação à série, também dirigida por ele, tem um conteúdo bastante romantizado. Que é devido a buscarem relatar histórias de forma veraz, mesmo que haja licença poética. As principais diferenças entre documentário e dramaturgia está na relação que o cineasta assume todo o conteúdo retido no filme. Implicam com a veracidade transformando em uma glamourização a história do serial killer.

Um dos pontos positivos de todo Ted Bundy, como filme dar-se a parte do cenário, locações, figurino, no qual foi feito com maestria! Inclusive as cenas de julgamento foram estás recriadas tal qual como os fatos. Com isso, temos as incríveis performances de Zac Efron e John Malkovich (como o juiz Edward Cowart). Algumas alterações foram feitas em relação a cronologia dos fatos e aos lugares em que eles aconteceram.

Ted Bundy

Entretanto o longa ainda aborda um tema muito importante que é a “glamorização do absurdo”. Isto é, devido os crimes cometidos por Ted Bundy. Que além de serem televisionados contavam com uma legião de seguidoras. Contudo, a audácia de abordar o tema citado acima, torna-se perigosa já que em toda a duração do longa não fica implícito se de fato ele era culpado ou não.

É claro que ainda existem pessoas fascinadas em estudar mentes e descobrir quais distúrbios psicológicos que Ted, portava. Mas este debate ao menos foi incluso no filme. Por outro lado à opção no qual a direção buscou foi mostrar um homem feliz, bom pai, bom marido, ótimo cidadão do bem e dos bons costumes.

Ted Bundy

No momento atual de impugnação, em que mulheres de todo o mundo vem lutando por reparação históricas, junto a críticas sob o sistema judiciário, essa ausência de representatividade das vitimas e do senso crítico ressoa bastante grave. Não será espantoso descobrir expectadores incomodados com o filme.

Afinal, nenhum feminicida merece uma exposição honrada com seus atos romantizados. Ted Bundy foi um misógino, que cometeu crimes como: estupro, sequestro, feminicídio e assassinato. Hollywood não precisa de filmes que venham promover visibilidade à misóginos, o filme claramente entrega uma personalidade ‘humanizada’ de um homem que não teve nenhuma base de humanidade.

SEAMS ( 1993 ) – CRÍTICA :

Seams é um curta metragem de 28 minutos dirigido por Karim Aïnouz no início de sua carreira em 1993. O curta mostra relatos das suas tias-avôs Ilca, Pinoca, Juju, Deidei e Banban no Ceará. E a relação delas com amor, casamento, gênero, trabalho e família.

Seams é uma produção documental autobiográfica. Produzido entre Fortaleza e Nova Yorque enquanto o diretor fazia pós-graduação em cinema na New York University. Ele se propõe a discutir o machismo no Brasil através da experiência da avó, que pouco aparece, e das tias-avós do diretor. 

seams 1993 critica

Mulheres que conseguiram negociar um lugar de resistência em um momento histórico duro de um país conservador e machista. Em muitos momentos é relatado por elas as ideias projetadas sobre a figura da mulher no Ceará dos anos 60. Onde uma mulher  trabalhar era considerado uma blasfêmia.

Durante as entrevista de suas tias, Karim expõe muitos aspectos pessoais delas, assim como, questões sócio-culturais da região onde nasceu. O diretor traz de forma didática em Seams aspectos em que a sexualidade contorna um debate sem fôlego. Sobre a criação em um ambiente machista, em dados momentos do curta ele traduz para o inglês (que é o idioma da narrativa) termos que são culturalmente usados no Brasil para definir de forma pejorativa direcionamentos sexuais como puta, sapatão, bicha, viado e macho.

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Macho é o termo mais ressonante em Seams. Quando até mesmo o país é descrito como “… um país muito agressivo, muito machista, muito masculino, muito duro.” Karim de forma tímida nos conta sua própria história. Sobre ser criado em um ambiente patriarcal mesmo sem a figura de um patriarca presente.

Em resumo, Seams combina uma variedade de recursos visuais e narrativos. Misturando imagens de arquivo, cartas, ensaio e entrevistas em VHS. Ele timidamente conta a história de pessoas ordinárias. Gente como a gente. De uma perspectiva suplementar narra a relação dessas pessoas com problemáticas da sociedade.

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Problemáticas que permeiam a juventude das tias-avós de Karim e ainda nos assombram, é um diário tímido de um cineasta encontrando seu lugar. Que nos reafirma o que todo mundo descobre em algum momento da vida que: life is so complicated.