CRÍTICA: VISAGES, VILLAGES (DOCUMENTÁRIO)

Se pegarmos esse título, “Visages, Villages”, e o traduzirmos do francês, teremos como resultado da tradução não uma expressão, mas sim um “Rostos e Vilarejos”, ou seja, sua tradução literal. Falo isso porque à primeira vista, esse título mais soava como uma expressão francesa, indicava algo de sentido muito genérico. A grande surpresa por trás dessas palavras, desse título, é que essa é exatamente a intenção desse documentário  francês, resultado da colaboração da GRANDE cineasta francesa Agnès Varda e do fotógrafo JR; aqui não se fala do específico (nem do conhecido), fala-se do diverso e do que pouco desperta interesse: a vida banal.

Agnès e JR pegam a estrada e percorrem uma França de ponta a ponta com uma van que aqui não é apenas um simples meio de transporte, tem algo ali a mais e que acrescenta em seu projeto. Uma expressão escrita nessa van desperta curiosidade: Inside Out Project.

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Agnès e JR não se lançam França a dentro por acaso, o que eles querem é registrar os protagonistas de histórias nunca contadas; eles percorrem os pequenos vilarejos onde encontram rostos de atores que nunca atuaram em filmes, mas que são atores em suas comunidades.

Trabalhadores mineiros de uma pequena cidade, um agricultor solitário, trabalhadores de uma fábrica de sal, esposas dos trabalhadores estivadores e entre outros são registrados por Varda, JR e a van do Inside Out Project. Eles documentam esses protagonistas todos através de fotografias gigantescas que eles expõem em edifícios ou construções que os colocam em evidência; quanto maior e mais visível, melhor. Assim acontece com todas as pessoas que eles encontram.
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A sutileza desse documentário (meio diário de bordo), é o de colocar os atores de suas próprias histórias em primeiro plano. Eles não são escolhidos ao acaso, por mais simples que sejam as suas vidas, elas primeiro têm de conquistar Varda e JR.

Visages, Villages é um documentário pretensioso e despretensioso ao mesmo tempo (essas dualidades caminham lado a lado), é muito composto e um prato cheio para os amantes da Nouvelle vague francesa, movimento que consagrou Agnès Varda. Está indicado ao Oscar 2018 como Melhor Documentário, uma indicação que, apesar de tardia para uma cineasta como Varda, apenas reitera o talento de uma grande cineasta.

CRÍTICA DO NOSSO COLABORADOR: PATRICK