Crítica Amor Pleno (2013)

Amor Pleno {To the Wonder ,2013}

Direção: Terrence Malick

Roteiro: Terrence Malick

Elenco : Olga Kurylenko, Rachel McAdams, Javier Barden, Ben Affleck, Tatiana Chilin

Sinopse: Marina (Olga Kurylenko) mora em Paris com a filha (Tatiana Chilin). Lá ela conhece Neil (Ben Affleck), com quem passa a viver um romance e se muda para os Estados Unidos. Com a convivência, problemas de relacionamento entre os dois aparecem e Neil reencontra Jane (Rachel McAdams), uma antiga namorada. Na mesma cidade, o Padre Quintana (Javier Bardem) está em crise com sua fé e passa a buscar provas da existência de Deus, enquanto tenta ajudar as pessoas de sua comunidade.

Crítica:

De cara já aviso que não é um filme pra quem gosta de tudo explicado. O diretor Terrence Malick é conhecido por apresentar trabalhos onde o lado sensorial se torna parte super importante da narrativa e Amor pleno não foge dessa premissa. Tanto que sem ler a sinopse chega a ser um pouco difícil compreender a história, isso é claro, se nossa intenção é ver um filme mais “levinho”.

No filme acompanhamos a trajetória de um sentimento, que primeiro acreditamos que seja amor, assim como o titulo nos sugere mas que no decorrer da história percebemos que amor é algo tão complexo e se mistura com tantas outras coisas que fica complicado de explicar. Ben Affleck interpreta Neil, um homem que vive um caso de amor com Marina enquanto viaja a Paris. Vivendo o que (ela) acredita ser amor, Marina e a filha vão para os EUA viver ao lado de Neil. A relação se mostra muito mais complicada do que ambos esperavam, o visto de Marina vence e ela é obrigada a voltar a Paris. Logo no inicio, a forma como somos apresentados ao que vai ocorrer na história, é feita com algumas frases de Marina, como se ela estivesse lendo uma carta, o tempo inteiro tive a impressão de que o que Marina sentia por Neil era muito mais forte do que ele sentia por ela, dai não sei se essa a proposta ou se Ben Affleck não soube como dar forma ao personagem (por que parece que  tudo que ele faz parece que tá fazendo ele mesmo?) . Todo mundo parece estar sentindo tudo tão intensamente e ele tipo “picolé de chuchu” . Ela esperava que ele casasse com ela, que entre outras coisas lhe daria direito ao green card e poder permanecer no pais legalmente, mas Neil, que parece ter aversão a casamentos, faz de conta que não é com ele e ela precisa ir.

Com a volta de Marina a Paris e o aparente fim de seu relacionamento, Neil reencontra uma amiga/conhecida e passa a manter uma relação intensa com ela. Em paralelo a essa história acontece a história de um padre, que também está em busca de respostas, enquanto ajuda as pessoas da comunidade, se pergunta o tempo todo sobre o que é o verdadeiro amor, sobre graça e sobre o vazio que sente.

Quando Jane também diz a Neil que gostaria de casar, ele faz o que? Sim minha gente, ele sai fora mas dessa vez resolve retomar com Marina e casar com ela (oi?). Sim, fiquei bem confusa na verdade mas ok segui em frente. Marina retorna aos EUA, sem a filha, que resolveu morar com o pai porém durante alguns meses, ela e o, agora marido, Neil, vivem de aparências pois não existe um relacionamento entre eles, a não ser a convivência. Depois de muito acontecer e parecer que nada está acontecendo, temos um final que te dá a oportunidade de pensar o que quiser, de decidir por si, que rumo se tomou.

Malick usa um jogo de cores extraordinário, que joga com o amadurecimento da história dos personagens, Neil sempre usando cores escuras, Marina que começa usando cores claríssimas e ao longo do filme vai escurecendo, como ela e sua personalidade.

Três coisas que mais me chamaram atenção no filme, além dos posicionamentos de câmera que me deixaram tonta algumas vezes, 1)  as sequencias de imagens de paisagens lindas, a cena em que o mar preenche todos os espacinhos é uma das provas de quanto Amor pleno também é uma obra visual. 2) a aparente entrega total dessas mulheres a um relacionamento, o abdicar de si e viver em função do outro, como se o outro fosse um herói, te salvando de algo que nem a gente sabe o que é. E não vou negar que não gosto nem um pouco dessa representação, de que somos desesperadas por relacionamentos (com homens), de como Neil parecia preso àquelas mulheres, como se ele tivesse uma obrigação com elas. 3) A sensação de que Marina via uma coisa em Neil, em seu relacionamento com ele, que a gente não vê. Como se a pessoa que ela descreve não é aquele ali que estamos vendo. O que me fez ficar bastante desconfortável e alertando a personagem o tempo todo.

Acabei com a sensação de que não tinha entendido, porém posso dizer que Amor Pleno é diferente do que diz seu titulo em português, não é sobre plenitude, é sobre desgaste, graça , fé, dor e questionamento. Afinal “que amor é esse que nos ama?”