DICA DE FILME: SHAME (2011) – O êxtase visual do cinema de McQueen!

Confesso que estou meio decepcionada. Shame estava na minha lista de “quero ver” a milênios e eu fui empurrando porque achei que ia ser um filme tão pesado que eu só ia poder ver quando estivesse muito na bad, sabe? Mas Shame não empolga e não faz critica alguma, é quase como se não tivesse propósito. Você fica ali uma hora e pouco esperando saber mais da história daqueles personagens, criar algum laço identificador mas nada acontece.

Brandon é aquele cara bacana, que chegou as 30 com emprego estável, casa própria e grana. É bem afeiçoado e esconde um baita segredo, que a gente entende como compulsão sexual – mas particularmente tenho outra visão disso, explico já já – . Aparentemente vive num tédio sem fim, entre uma punheta no chuveiro, no escritório e noites pagando por sexo. Mas as coisas mudam quando a irmã Sissy entra em cena, e a entrada dela no filme é feita para ser notada, ela causa um rompimento não só na narrativa mas também na estética, quase como se eles fossem opostos, ele todo clean e ela toda carregada e colorida. Duas pessoas que tiveram suas vidas desorganizadas por algo que não saberemos, já que não a ligação com passado dos personagens, ficamos apenas com suposições.

 

 

 

 

 

 

O foco do filme é essa relação de Brandon com ele mesmo,  com sua irmã, com a qual parece ter algum problema mal resolvido. A longas sequências nos fazem esperar desdobramentos inusitados que nunca acontecem, as cenas de sexo trabalham a relação do personagem com o ato, são sempre carregadas de frieza e violência, mas como se isso fosse muito fino e elegante, o que me deixou desconfortável várias vezes.

Sobre a história de compulsão sexual :  Várias vezes durante o filme fiquei com a sensação de que por mais que ele se sentisse mal por aquilo que sentia, ele parecia se controlar, o que me fez questionar que talvez Brandon, tenha sim um problema, mas que não seja uma “doença”, que na verdade ele é fruto de uma sociedade que nos sexualiza, nos vende como objetos o tempo todo e que hipervaloriza (e de maneira muito contraditória, também demoniza) o sexo. Vocês viram o tanto de pornografia que ele tinha em casa? E no trabalho? E que isso é consumido por milhares de pessoas todos os dias e que muitas delas acha super normal?

Nunca saberemos o que de fato aconteceu com Brandon e Sissy, nem antes nem depois, já que o final vazio e em aberto nos faz pensar mil coisas, será que a intenção de McQueen era nos deixar tão entediados quanto Brandon? Shame, ao tentar explorar de quais as necessidades humanas e qual a natureza delas, acaba se perdendo ao não nos fazer criar vínculos com esses personagens. Triste e frustrante.