Crítica: Mon Roi (Meu Rei – 2015)

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Lançamento: Outubro de 2015 
Direção: Maïwenn
Elenco: Vincent Cassel, Emmanuelle Bercot, Louis Garrel, Isild Le Besco… 
Sinopse: Depois de um grave ferimento no joelho, Tony (Emmanuelle Bercot) se muda para o sudoeste francês para realizar um longo tratamento capaz de ajudá-la a caminhar normalmente. Mas esta não é a sua maior dor: ela ainda amarga um longo relacionamento infeliz com Georgio (Vincent Cassel), homem manipulador e possessivo com quem tem um filho.
Crítica: 
“Giorgio e Tony se apaixonam perdidamente”. Essa frase entra e sai, com uma facilidade absurda dentro da obra pseudamente autoral, trágica, do escritor/diretor Maïwenn. Vincent Cassel e Emmanuelle Bercot, abandonam quaisquer maneirismos que suas carreiras os tenham carregado até agora, fisicamente e mentalmente, para esse intenso, inflexível relacionamento. O filme passa entre o passado e o futuro, não deixando que você, como telespectador, pare para discernir suas emoções, entrando nesse vórtice emocional dentro de um relacionamento idealisticamente falho. Mon Roi, trabalha nossa tendência de engrandecer e acreditar, que a verdadeira natureza humana de nossos amores, pode mudar. Para o nosso próprio beneficio.  
Esse casal se apaixona, de forma abusiva, criando esse relacionamento nada saudável. Isso pode soar um filme desafiador, mas uma das coisas que eu mais apreciei nesse trabalho de Maïwenn, foi como ele conseguiu transformar isso em uma chama de motivação, para que esse próprio casal, tão assim disfuncional, se tornassem a base um do outro, e como pode ser excitante nossa vida, na presença do nosso amor idealizado. Até tudo se perder, de novo e de novo. Não é apenas um filme onde tudo começa maravilhosamente bem, seguindo pela bodas douradas de um relacionamento, e depois, sem previsão alguma, afundamos nesse mar de discórdia. Na verdade, é como uma montanha russa, direta, sem paradas para respirar. Como Giorgio colocou, um eletrocardiograma. 
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Emmanuelle Bercot e Vicent Cassel incendeiam com esse romance melodramático. O filme segue essa volta sentimental deste casal, onde os dois são testados até o limite das próprias responsabilidades, e amor. Mon Roi é mais gracioso e ligado a perspectiva feminina, permitindo que o personagem feminino se perca na própria complexidade de suas emoções. Isso dá a Bercot uma oportunidade de ouro para mostrar sua versatilidade e seu verdadeiro parâmetro como atriz, em um filme que está disposto a sugar todo o seu potencial. Cassel acertou tanto, quanto em cheio, performando o canalha, contrabalanceando, sem perder o equilíbrio, com a neurose da personagem de Bercot. É como se Cassel estivesse ali pelo simples prazer de estar, se fundindo com essa empacante personalidade de Giorgio. 
Entretanto, os pontos negativos de Mon Roi, levam o filme a não ser bem visto fora das linhas de Cannes. Maïwenn ainda parece inseguro do tom de direção. São duas horas de um exaustivo e pesado drama, que não sustenta em tempo de tela a história que está sendo contada. As vezes é excitante, mas na maioria das vezes, cansativo. Fora que a linha de corte para as cenas do passado entre o presente, não são nada sutis, e as vezes, desnecessário para o próprio arco da personagem de Bercot. 
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Acima de tudo, Mon Roi é uma história convencional, mas ainda está dentro do primor do cinema Francês. Mas, são realmente as atuações que fazem com que cada parte desse filme valha a pena.