MICHAEL, ANJO E SEDUTOR: DICA ATM

A utopia de Nora Ephron em Michael 

Nós ganhamos de herança comédias românticas que transformaram nossa visão do amor no cinema. E dessa herança Nora Ephron dirigiu, roteirizou e produziu histórias que acrescentaram, ao sonho do romance, uma realidade comovente. Desde Sintonia do Amor, o roteiro de Harry & Sally e Mensagem para você, Michael, Anjo e Sedutor, entra na lista como um dos filmes fracassados da diretora, mas adiciona em sua filmografia um sentimento quase de, calmaria e reflexão. Com uma história simples e maravilhosa. 

Michael anjo sedutor

Michael é um anjo decadente (perdão pela piada), que tem a missão na terra de devolver a um homem o seu coração. E o trio formado por um jornalista cético, uma mulher iludida e um homem sem confiança, partem a caminho para conhecer esse tal, “anjo”. Michael então os coloca em uma missão pela estrada para que esse grupo possa encontrar sentido em suas vidas.

É uma conexão instantânea que criamos com esses personagens. Talvez pela meia luz do nascer ou pôr do sol que Ephron sempre adiciona em suas cenas, ou a trilha de Randy Newman. Michael, interpretado por John Travolta, inspira de um jeito confortável, sabe? Claro que o roteiro acrescenta clichês ao personagem, mas quem se importa? Anos 90, uma maravilhosa trilha sonora e uma moral doce no final, com todo o jeito garotão de John Travolta, com o sorriso de lado que tanto adoramos. 

Michael anjo sedutor

Este foi o primeiro filme que eu assisti com William Hurt, quando eu era criança e depois de tantos anos, já em quase os meus trinta, acabo que por me reconhecer em certos aspectos que criam vida de Hurt para Frank Quinlan. Acho que quanto mais velhos ficamos, mais precisamos encontrar na simplicidade angelical inspiração, não é mesmo? Talvez vencer os nossos medos e nos entregarmos ao amor impossível à primeira vista. 

“Vocês precisam aprender a rir. É o caminho para o verdadeiro amor”

Michael anjo sedutor

Não há necessidade de cenários elaborados, personagens complexos, com um roteiro trabalhado em linguagens excêntricas. As vezes basta, só aquela velha receita, como eu disse, clichê, que se torna inesquecível, pois carrega lições que vamos levar para a vida toda. Foi um prazer, depois de tantos anos, re-assistir essa sessão da tarde na Netflix. Me lembrei das coisas que eu levava a sério na minha infância.

Se eu pudesse expressar de uma forma rápida o que a direção e o roteiro de Nora Ephron me apresenta com Michael, Anjo e Sedutor, seria: Um sorriso solto em uma tarde de domingo, na rede, ouvindo minha música favorita. Musicas de amor, musicas sobre torta, anjos e amor. Impossível esquecer essa. 

A COR QUE CAIU DO ESPAÇO (2019): CRÍTICA

VITÓRIA RAPALLO

H.P. Lovecraft é famoso pelos contos em que publicou, muitos em revistas pulp onde gradativamente foi montando sua mitologia de monstros inomináveis. O icônico escritor chegou ao universo cinematográfico, nas mãos do cultuado diretor Richard Stanley, responsável pelo excelente Hardware, de 1990. Este, recebeu outras versões, como Die Farbe de 2010.

O Destruidor do Futuro

É valido lembrar que: adaptar Lovecraft é um comprometimento e responsabilidade grande. Devido à riqueza de detalhes em suas obras, consideradas de difícil concepção visual e textual. Alguns diretores como Stuart Gordon, partiram do princípio de utilizar ideias centrais de determinadas obras, em seu universo. E criar uma narrativa mediante a um contexto especifico.

Criou-se uma grande expectativa, quando foi anunciado para o público a produção do longa. Está comoção foi gerada após ser confirmado Nicolas Cage como protagonista – e como previsto as últimas encenações de Cage, o filme não decepciona. O roteiro foi bem inteligente em adaptar a obra para os tempos atuais. Há liberdade criativa de Stanley na criação dos personagens e na inserção de elementos místicos.

A Cor que Caiu do Espaço

No conto, um meteoro cai em uma fazenda, com uma coloração que não pode ser descrita por quem o vê. A cor, afeta tudo ao redor, causando impacto na fauna e flora, e afetando também a sanidade da família residente. É certo afirmar que: A Cor que Caiu do Espaço (Color Out of Space, 2019) é deslumbrante, assustador e psicodélico.

Entretanto há outros fatores que envolvem a produção. Isto é, fazem com que se desperte um interesse do admirador do cinema de horror e ficção, visto que o filme é dirigido por Richard Stanley. O famoso diretor por detrás das câmeras do clássico cult sci-fi O Destruidor do Futuro (1990), logo após hiato de 27 anos que decorreu após o fiasco de seu último filme, Stanley retorna à cadeira de diretor com este psicodélico longa.

A Cor que Caiu do Espaço

A fotografia cria um visual e atmosfera pesada e opressiva, que não deixa a essência de um filme incrivelmente belo. O grande impacto de uma natureza enlouquecedora composta por monstros, ainda que indiscutivelmente grotescos, são fascinantes de se observar. À medida em que o filme tem sua primeira ameaça exposta, o design de produção transforma a tranquila paisagem da Nova Inglaterra em um cenário alienígena. Que incrivelmente se torna mais familiar à medida em que se afasta cada vez mais da humanidade.

A Cor que Caiu do Espaço

Com isso, o longa é incluso na lista de performances desequilibradas, que Cage propõe-se a interpretar e o resultado é: uma atuação real e crua, assim como fez no recente Mandy. É tão significante ser hipnotizado por uma obra cinematográfica, que subtramas criadas pra oferecer um significado a mais para o roteiro, que atrapalham na interpretação até mesmo não fazem ao menos sentido, são capazes de desfazer o apreço e relevância desta obra.

Por fim, A Cor que Caiu do Espaço nos ajudar a fazer um exercício como seres de pensamento crítico. Tentemos imaginar uma cor nova, sem quaisquer bases ou outra cor existente. Impossível! Certo que muito do longa baseia-se em Lovecraft,  devido a coisas que a mente humana não consegue conceber.

A Cor que Caiu do Espaço

A Cor que Caiu do Espaço é uma obra que trabalha terror/ficção cientifica e exerce a função de impulsionar-nos além dos limites da imaginação.