CRÍTICA: A LENDA DE TARZAN (2016)

Logo após termos a certeza de que o longa metragem de Mogli, chegaria as telas, foi anunciado de que A Lenda de Tarzan estaria em retorno. Ao contrário do que muitos pensaram que seria, o filme não conta a história de como tudo começou, mas sim no depois de “felizes para sempre”. E a coisa toda parece realmente bastante interessante! 
 
Desde a adaptação de 84, com Christopher Lambert no papel do Homem dos Macacos – marcado como uma das mais fieis para a literatura original – um live action de Tarzan ficou marcado para segunda plano, mesmo que em 2014, ainda foi lançado uma nova animação em 3D baseada em uma visão mais moderna do conto inglês. Pois muito bem, esse filme, não só conseguiu nos conquistar com trailers que permaneciam com o quê de mistério e ação, como também nos levou da nostalgia para a curiosidade desde a querida animação de 1999. O filme, ao contrário do que se possa pensar, não foca na história original – uma certa moda acercou os estúdios sobre não focar na lenda original, mas sim contar a história de uma forma única e ainda ganhar o titulo de “original”. 
 
Mas, diferente das novas visões dessas histórias clássicas do terror e da ação, como Drácula Untold (2014), A Lenda de Tarzan não envergonha o peso de seu título e ouso dizer que é até bem melhor do que eu esperava, mas, boa parte devido ao elenco, ainda assim, bem melhor do que eu poderia imaginar – já que entrei nos cinemas esperando que fosse um completo desastre. 
 
 
 
 
Eu realmente fiquei bastante satisfeita com esse filme. Claro que ele tem suas falhas no que se diz a uma adaptação de grande porte – ao menos era de se esperar um grande porte – mas, se transforma em uma história nova e excitante que, enquanto eles fazem o melhor para nos dar uma visão do clássico original, encontramos essa nova ideia, que, acreditem, poderia ter sido incrivelmente pior. 
 
Quem acompanhou toda a trajetória de Alexander Skarsgard em True Blood, sabe o quanto o talento do ator pode estar no perigo de se tornar algo a ser esquecido ou caricato – mesmo a série tendo seus bons e inesquecíveis momentos -. Mas aqui, ele realmente, depois de tanto tempo, teve sua nova a incrível chance dentro do cinema. Sua forma como Tarzan – fora a física – apresenta uma nova consistência de Tarzan que se encaixou muito bem com a nova era remasterizada dos clássicos do cinema e da literatura. Desenvoltura, drama, amor, ele tem todo o pacote necessário para entregar um excelente Senhor da Floresta e ele faz isso com naturalidade. Caiu-lhe muito bem toda a ideia. 
 
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Por Margot Robbie, assumo que eu poderia esperar um pouco mais? Não pelo contexto de que em Esquadrão Suicida, ela estará interpretando uma personagem que está na linha tênue de muitos conceitos sociais. Mas em uma adaptação da literatura, que envolve, não só esses mesmos conceitos, mas está sendo passado em um era moderna de liberdade feminina, Jane me pareceu simples. Sim, “é a mulher de Tarzan”, então podemos esperar cenas bem feitas, onde a atriz não falha em sua interpretação, mas é falha a ideia de sua personagem, que mesmo não querendo e mesmo tentando fugir, acaba sendo por final, apenas outro suporte feminino para o mocinho especial. 
 
 
 
 
O que um Oscar não faz em uma carreira de um ator? Parece que Christophe Waltz agora se tornou o pau para toda obra de qualquer obra onde precisamos de um vilão ou algum mestre caricato com potencial para se tornar cult. Em Tarzan, estamos mais para o caricato e seguro do que para o cult inesquecível. A simples, segura e confiável missão de capturar Jane, matar e destruir toda a reputação e vida de Tarzan. Seu vilão se tornou algo completamente esquecível. O papel de Samuel L. Jackson, é uma adição bastante revigorante. O ator que também vai estar nos cinemas em Kong: Skull Island (2017), está seguindo de forma excelente com seus papeis e guia com bastante experiência todos os segmentos de Alexander. 
 
 
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Enquanto Mogli: The Jungle Book, apresentou efeitos especiais com seus animais que elevaram a transformação humana dentro de tela, Tarzan tem o que pecar nesse quesito – não que eu seja particularmente exigente com CGI – mas, acredito que o filme não teve a verba suficiente para arcar com o tamanho da estrutura de efeitos especiais do que parece ser tudo parte de um planejamento muito maior. Os efeitos especiais falharam. 
 
Essas pequenas reclamações não levam o filme completamente para o lado negativo. A conexão de Tarzan com Bongo (interpretado por Djimon Hounsou), é um dos pontos mais altos e emocionantes de todo o filme, nos mostrando uma emoção realmente bastante encorajadora e nostálgica, como todos os flashbacks que somos apresentados, se Tarzan está ou não pronto para voltar para Selva, depois de resolver todos os seus problemas do passado. 
 
 
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A ideia de construir a trama principal do filme por esses mesmos flashbacks, ficou muito bem colocado. Como de pouco em pouco essa ideia foi sendo construída, com questões essenciais para o personagem – e se tornando, sem duvida, uma das minhas partes favoritas até o final. Independente desse mesmo final ter sido construído de uma forma simples em comparação para onde toda a trama do filme estava seguindo. Mas, foi um filme realmente muito bom de se assistir no cinema. 
 
A Lenda de Tarzan é um filme muito melhor do que eu esperava. O esforço de toda a equipe, desde o elenco, com o roteiro de Adam Cozad e nas mãos de David Yates, realmente valeu toda a ideia e conseguimos perceber o cuidado que Yates teve ao retratar essa história, com as pequenas referências ao material original. Mesmo que seja, de fato, uma história que já foi contada muitas vezes e por conta o vilão não parece lá muito original, você não irá sair do cinema desapontado, muito pelo contrário. Vale cada preço do ingresso e a final, é um bom filme!