ENOLA HOLMES : CRÍTICA

Enola Holmes e o encanto original netflix!

Enola Holmes é uma aventureira mais do que encantadora. Neste filme, finalmente temos uma visão do charme, simpatia e a presença inteligente de Millie Bobby Brown. Transformando este filme em uma construção atual, bem produzida e uma presença impossível de ignorar. 

Em Enola Holmes não há nada tão extraordinariamente especial. E é aqui que encontramos o seu charme. Filmes assim, geralmente, são os meus favoritos. Um conceito simples em que tudo se encaixa. Trilha sonora, figurino, cenário. Uma harmonia que faz crescer a linguagem moderna de cada personagem.

Conseguimos trabalhar temas como: feminismo e igualdade. O que forma um paralelo interessante entre a história original de Sherlock e Watson, que foca apenas em personagens masculinos, como Elementary, por exemplo, onde John é na verdade Joan Watson, interpretada por Lucy Liu

Aqui, Henry Cavill assume o papel de um Sherlock diferente do que estamos acostumados. Sherlock é assombrado por diversos demônios, não só pelos crimes, mas por sua natureza que o consome. Na aventura original Netflix, para Enola ele é apenas o incrível irmão mais velho, ainda visto pelos olhos de uma garota que não conhece a exata maldade do mundo. E o ator acerta bem o tom! É divertido assistir seus maneirismos joviais como o detetive que tanto amamos. 

Sam Caflin está completamente irreconhecível como Mycroft, sinistro e arrogante e não decepciona de forma alguma. A única coisa que atrapalha, por conta de histórias nesse formato, é que o final se torna fácil de prever. Entretanto ficamos intrigados pelas pistas que Enola encontra em seu caminho. A diversão é tanta, que o final previsível não incomoda de forma alguma! 

A quebra da 4ª parede é uma apresentação excelente, mesmo que algumas das partes não se encaixem. Perguntas ficam sem respostas, como o porquê do mistério da mãe, talvez algo mais elaborado como um motivo de tudo. Mas seguimos tão focados, nos divertindo, que esses pequenos “erros”, não importam. 

Há em Enola essa atitude carinhosa que realmente envia a mensagem certa. O filme em geral é cheio de bondade e esperança, levando para frente a história inesquecível dos irmãos Holmes. Uma adaptação nada cansativa, disso temos certeza. Um acerto da Netflix e um presente para essa quarentena! 

O FAROL (2019) – CRÍTICA:

O FAROL: O iluminar em preto e branco da arte cinematográfica

Há inúmeros debates inclusos no âmbito acadêmico cinematográfico em que denota a profunda preocupação da imersão do público em toda atmosfera que assim mostram-se para ele. Isto é, fundamentar a imersão em seu conteúdo junto ao aspecto fílmico de sua obra. Em O Farol (2019), o diretor Robert Eggers (do requintado e discorrido por muitos A Bruxa) elabora isso.

Desde o momento em que a amplitude da tela nos mostra a razão de figura em 1.19:1. O “quase-quadrado” encontrado em inúmeros filmes dos anos 1920 e 30, com grande destaque para as obras da época do “Expressionismo Alemão”, de onde o diretor empresta concepções visuais. E também a forma bastante estilizada de conceber a fotografia, assinada por Jarin Blaschke.

Este tipo de lente no qual foi escolhida é a grande revelação do filme. Que tem sua tonalidade em preto e branco, está em preferência de fazer com que o telespectador de fato tenha uma impressão de uma determinada época. Com está retratação minuciosa com a composição de seus quadros. Visto que faz-se homenagens a uma grande parcela de diretores clássicos, com uma predileção para Fritz Lang.

Como apresentado no parágrafo anterior à respeito da “imersão”, esse substantivo feminino que denota o efeito de “submersão”, conduz não apenas a narrativa. Mas toda a atmosfera que O Farol exige que o telespectador tenha. Devido à isso, o publico presente inserido naquele âmbito, sente em seus primeiros minutos a presença de um fator enigmático.

Com essa premissa referente a questão técnica, já encorpados nesse fatores, temos o ponto de vista de um grande mal sobre a ilha onde localiza-se o farol pelo qual Thomas Wake (Willem Dafoe) é responsável. Embora esteja em parceria à um zelador temporário, o jovem formoso e silente Ephraim Winslow (Robert Pattinson). Ademais com a ambientação em torno do local referido, trata o segundo elemento preparatório para os instintos prístinos desses indivíduos aflorem-se, a claustrofobia.

É correto afirmar que: RobertMax Eggers se quer pouparam esforços para tornar o famigerado filme desafiador, hostil, medonho, barulhento. Buscando o máximo de atenção para a trajetória desses dois homens bruscamente isolados em um espaço fúnebre, que aos poucos os enlouquecem e, certa forma, deturpa a visão daqueles que buscam analisar o contexto.

A trajetória da narrativa do longa busca desconceituar o estágio de masculinidade, trabalhando a decadência moral, física e mental dos personagens retratados. Tendo em vista a assombrosa trilha sonora de Mark Korven como um fantasma destinado a tornar tudo sensorial… O longa concentra-se em trabalhar metaforicamente conceitos históricos datados em épocas que “crenças” sobre a existência de seres mitológicos eram reais.

A construção dos dialetos fazendo referência à obras literárias (H.P. Lovecraft). Que opunha as entidades colossais e forças incontroláveis do céu, da terra e das águas junto à insignificância do homem, que ao menor contato com essas forças, recolhe-se a loucura. Desta forma, o longa concede a concepção do imaginário de marinheiros, que devido aos isolamentos retidos em suas navegações as opiniões daqueles homens eram pautadas nas lendas do incomensurável, oceano.

Consideravelmente O Farol, tenha potencial de assim torna-se um clássico instantâneo. Não apenas pelas discussões na crítica do cinema, de certa forma há uma probabilidade de debates no âmbito acadêmico. O que pode gerar ótimos trabalhos. Seja na manipulação do preto e branco, na proporção de tela que é diferente, bem como por conta do roteiro com suas inúmeras metáforas, inclusas.

Com isso, o longa extremante provocador que indaga as nuances da solidão e a verdadeira não-conformidade com a particularidade e vigor de cada indivíduo em sociedade. Por fim, quando Robert Eggers é questionado em uma entrevista sobre a sua motivação em construir filmes de terror ele implica assinalando a seguinte questão:

“Gosto de estimular o imaginário, manipular a visão do espectador sobre o que está acontecendo, se aquilo é sobrenatural ou meramente psicológico”.