ROCKETMAN (CINEBIOGRAFIA 2019) – CRÍTICA:

ROCKETMAN: UMA CINEBIOGRAFIA FANTASTICAMENTE REAL

Para os nascidos após 1980, que não conhecem a figura de Sir. Elton John, o longa Rocketman inicia-se sob tela escura coberto de diamantes que brilham de forma incessável. Tal como o artista cuja carreira foi marcada por um tipo de glamour que poucos experimentam. Rocketman retrata de forma explicita o momento em que o artista fez um carnaval com seus maiores pesadelos.

 Rocketman crítica Elton John cinema

Inicialmente em suas primeiras cenas do longa é posto o ator Taron Egerton à frente apresentando um espalhafatoso Elton John. Entrando como uma diva em um grupo de assistência para viciados: “Oi, meu nome é Elton John. Eu sou viciado em álcool, drogas em geral. Cocaína, maconha, sou bulímico. Tenho acessos de raiva e tenho vício em sexo”. Dessa forma, sem delongas, a trama traz uma admirável síntese de toda a obra.

ROCKETMAN: CINEBIOGRAFIA EM PRODUÇÃO

 Rocketman crítica Elton John cinema

A princípio como diretor temos o britânico Dexter Fletcher. Também conhecido por terminar as filmagens de Bohemian Rhapsody. A direção não peca em nada. Muito bem dirigido e editado, produção de áudios muito bons, com efeitos visuais excelentes, como figurinos, cabelo e maquiagem perfeitos! Embora Taron Egerton cante todas as músicas, ele em nenhum momento imita a voz de Elton. De certa forma falta um certo alcance em algumas notas, mas Egerton consegue dar uma personalidade no vocal.

Além de entregar uma interpretação notável, assistimos a vivencia desse personagem assim como toda a essência que há nele. No qual sofre pela falta de carinho paterno e pelo desleixo da mãe. Traumas que perseguiram o cantor durante quase toda a vida.

 Rocketman crítica Elton John cinema

Muito se esperava em favor de Rocketman. Em que retrataria a vida de um dos maiores artistas vivos de todos os tempos, ele Sir. Elton John a qual se alto permitiu e fez uma ponte para os telespectadores entre seu íntimo. Demonstrando suas fragilidades. Com isso a cinebiografia musical de Elton John teve como maior preocupação em explorar os recantos obscuros da vida do artista.

Rocketman é um musical bibliográfico por excelência. Onde Sir. Elton John, por estar vivo, permitiu muita sinceridade e intimidade do filme sobre a vida dele. Isso contém os problemas dele, na psicologia dele, o filme é belamente despudorado. Elton John por sua vez, conhecido no meio artístico por sua forte presença, lavou muita roupa suja no decorrer do filme além de apontar todos os dedos possíveis. Elton, deixa transparente para quem quiser ver todas as motivações que fizeram com que ele obtivesse compulsão por sexo, compras, drogas, álcool e entre outros.

 Rocketman crítica Elton John cinema

A problemática a respeito da vida dele em que a trama levanta a discussão sobre o custo da fama e o preço que gera a solidão. Inclusive é nessa passagem a qual nos faz repensar sobre a importância da sociedade buscar um debate lucido sobre crise de identidade. Isto é, em Rocketman a crise foi desenvolvida através da falta de afeição. E no decorrer da trama, isso causa um certo incomodo para quem assiste.

Com isso cria-se um alter ego da parte do músico para que assim suprisse a timidez, nervosismo, autoestima baixa e claro, o abandono fraternal. Não há como reter elogios à Elton que permitiu para esse filme um universo tão amplo ao mesmo tempo visceral, já que seu intuito é mostrar.

Contudo, vale perceber que o foco aqui não é a música, mas o ser humano. Por isso, Rocketman acerta e muito ao renegar as principais canções de Elton John no papel de mera trilha sonora. Por mais tentador que pudesse parecer a solução fácil de encher o longa e transformá-lo em uma grande sequência musical, Rocketman segura a mão e transforma essas músicas em orgânicas ferramentas de roteiro. Com sua veracidade e brilho próprio Rocketman é um filme para ser visto de tempos em tempos. 

ANNA E O APOCALIPSE (2018) – CRÍTICA:

Anna e o Apocalipse – Quando High School Musical encontra Zumbilândia

Filmes de zumbis com ares cômicos não são novidade. E até mesmo os que tentam a seriedade podem ser motivo de boas gargalhadas (você mesmo parte final de Resident Evil que nunca vou superar). Mas a verdade é que esse gênero caiu no gosto popular e quanto mais gore e inusitado melhor, correto? CORRETO! Pensando nessa premissa, temos Anna e o Apocalipse. Que consegue com maestria juntar todos os elementos de uma boa comédia com zumbis. E ainda arrumar espaço para transformá-lo em um musical coming of age natalino.

Anna e o Apocalipse

Eu não sei se todos esses pontos lhe agradam, separados ou juntos, mas se você, assim como eu, ama musicais, coming of age e filmes natalinos ele foi totalmente feito para você.

Dirigido por John McPhail, a história tem como protagonista Anna (Ella Hunt). Anna não vê a hora de terminar o colegial e embarcar numa viagem de auto-conhecimento antes de pensar em faculdades. Mas seus planos são interrompidos por um ataque zumbi em meio ao feriado de Natal.

Anna e o Apocalipse

A produção de Anna e o Apocalipse não se arrasta e não tem a mínima pretensão de ser mais do que um bom entretenimento para quem gosta do gênero. Contando com bons e divertidos diálogos ele mantém o humor na medida certa. Além da trilha sonora e dos números musicais que inevitavelmente grudam na cabeça. Os personagens são carismáticos, você no fim vai torcer para todo mundo se manter vivo e sem mordidas.

Não esquecendo que em meio ao ataque zumbi temos aquele drama adolescente presente nos coming of age, e aqui é trabalhado um pouquinho de cada personagem o que também explica nossa afeição por eles.  Anna e o Apocalipse é uma mistura inusitada de gêneros. Gêneros que a princípio não combinariam em uma mesma produção, mas aqui casam perfeitamente.

Anna e o Apocalipse

NOTA: 08

CURIOSIDADES (SPOLIERS)

  • O longa é baseado no musical Zombie de Ryan McHenry.
  • A cena em que Anna caminha até a escola cantando animada, enquanto todos ao redor são perseguidos por zumbis sem a mesma se dar conta, é um dos melhores momentos do filme.
  • Que atire a primeira pedra, quem nunca pensou em ter um diálogo sobre quais celebridades virariam zumbis em um ataque zumbi.