O FAROL (2019) – CRÍTICA:

O FAROL: O iluminar em preto e branco da arte cinematográfica

Há inúmeros debates inclusos no âmbito acadêmico cinematográfico em que denota a profunda preocupação da imersão do público em toda atmosfera que assim mostram-se para ele. Isto é, fundamentar a imersão em seu conteúdo junto ao aspecto fílmico de sua obra. Em O Farol (2019), o diretor Robert Eggers (do requintado e discorrido por muitos A Bruxa) elabora isso.

Desde o momento em que a amplitude da tela nos mostra a razão de figura em 1.19:1. O “quase-quadrado” encontrado em inúmeros filmes dos anos 1920 e 30, com grande destaque para as obras da época do “Expressionismo Alemão”, de onde o diretor empresta concepções visuais. E também a forma bastante estilizada de conceber a fotografia, assinada por Jarin Blaschke.

Este tipo de lente no qual foi escolhida é a grande revelação do filme. Que tem sua tonalidade em preto e branco, está em preferência de fazer com que o telespectador de fato tenha uma impressão de uma determinada época. Com está retratação minuciosa com a composição de seus quadros. Visto que faz-se homenagens a uma grande parcela de diretores clássicos, com uma predileção para Fritz Lang.

O Farol

Como apresentado no parágrafo anterior à respeito da “imersão”, esse substantivo feminino que denota o efeito de “submersão”, conduz não apenas a narrativa. Mas toda a atmosfera que O Farol exige que o telespectador tenha. Devido à isso, o publico presente inserido naquele âmbito, sente em seus primeiros minutos a presença de um fator enigmático.

Com essa premissa referente a questão técnica, já encorpados nesse fatores, temos o ponto de vista de um grande mal sobre a ilha onde localiza-se o farol pelo qual Thomas Wake (Willem Dafoe) é responsável. Embora esteja em parceria à um zelador temporário, o jovem formoso e silente Ephraim Winslow (Robert Pattinson). Ademais com a ambientação em torno do local referido, trata o segundo elemento preparatório para os instintos prístinos desses indivíduos aflorem-se, a claustrofobia.

O Farol

É correto afirmar que: RobertMax Eggers se quer pouparam esforços para tornar o famigerado filme desafiador, hostil, medonho, barulhento. Buscando o máximo de atenção para a trajetória desses dois homens bruscamente isolados em um espaço fúnebre, que aos poucos os enlouquecem e, certa forma, deturpa a visão daqueles que buscam analisar o contexto.

A trajetória da narrativa do longa busca desconceituar o estágio de masculinidade, trabalhando a decadência moral, física e mental dos personagens retratados. Tendo em vista a assombrosa trilha sonora de Mark Korven como um fantasma destinado a tornar tudo sensorial… O longa concentra-se em trabalhar metaforicamente conceitos históricos datados em épocas que “crenças” sobre a existência de seres mitológicos eram reais.

O Farol

A construção dos dialetos fazendo referência à obras literárias (H.P. Lovecraft). Que opunha as entidades colossais e forças incontroláveis do céu, da terra e das águas junto à insignificância do homem, que ao menor contato com essas forças, recolhe-se a loucura. Desta forma, o longa concede a concepção do imaginário de marinheiros, que devido aos isolamentos retidos em suas navegações as opiniões daqueles homens eram pautadas nas lendas do incomensurável, oceano.

Consideravelmente O Farol, tenha potencial de assim torna-se um clássico instantâneo. Não apenas pelas discussões na crítica do cinema, de certa forma há uma probabilidade de debates no âmbito acadêmico. O que pode gerar ótimos trabalhos. Seja na manipulação do preto e branco, na proporção de tela que é diferente, bem como por conta do roteiro com suas inúmeras metáforas, inclusas.

O Farol

Com isso, o longa extremante provocador que indaga as nuances da solidão e a verdadeira não-conformidade com a particularidade e vigor de cada indivíduo em sociedade. Por fim, quando Robert Eggers é questionado em uma entrevista sobre a sua motivação em construir filmes de terror ele implica assinalando a seguinte questão:

“Gosto de estimular o imaginário, manipular a visão do espectador sobre o que está acontecendo, se aquilo é sobrenatural ou meramente psicológico”.

MIDSOMMAR (2019) – CRÍTICA:

Midsommareleva a qualidade visual do terror, mas falha em consolidar sua história

Midsommar é um filme que causará grandes divergências entre opiniões tanto de telespectadores quanto a crítica pelo quesito em que será supracitado neste texto em questão.

O longa é extremamente rico. Ele dá pauta para muita discussão e torna-se um filme espetacular no ponto de vista técnico. A primeira questão a ser tratada é: Se você tem intuito de ir ao cinema para fazer uma analogia à Hereditário (2018). Provável que você se decepcione já que é uma forma errada de assisti-lo.

Midsommar

Midsommar inicia-se junto a conversão textual, partindo do princípio da tragédia familiar que ocorre a personagem, Dani (Florence Pugh). Devido a isso seu namorado Christian (Jack Reynor), decide levar a parceira para uma viagem acadêmica no interior da  Suécia. Assistir um festival Once in the left time, que ocorre a cada 90 anos… E por essa premissa em que o diretor lhe convida a entrar naquela comunidade onde ocorre o festival, e analisar a proposta no qual narrativa propõe.

Por ser um filme extremamente rico em simbologia, à angústia dos assuntos mal-resolvidos, soma-se uma ansiedade perante o desconhecido. Agravando o coletivo que não só fala outra língua como segue diferentes costumes. Devido a ser um filme complexo, e por levar 1h para entrar de fato na história, não há clímax algum. O diretor Ari Aster  aborda uma narrativa direta e lenta no qual se aproxima do cinema arthouse, do que o próprio terror. Isso é devido ao trabalho técnico junto a toda perspectiva em torno dos personagens, já que o processo criativo no qual demonstra a riqueza do filme.

Midsommar

Torna-se interessante como o diretor causa uma tensão sobre um estranho comportamento por trás dos aldeões. Que os recebem com graciosidade e logo revelam-se com hábitos mais brutais e adversidades da crença. Midsommar passa boa parte de seu tempo incitando dúvidas no mínimo interessantes (mas com toda as respostas previsíveis). O brutal suicídio de um casal de aldeões, que chegou à idade máxima de 72 anos, choca pela violência corporal gráfica das mortes. Mas cria um paradoxo ainda mais perturbador, que vem pela fala de Christian: “nós colocamos nossos idosos em asilos, e isso deve ser perturbador a eles”. Para uns, o fim de um ciclo, e para outros, loucura. (spolier)

Midsommar

Deve-se descrever grande parte do filme como verdadeiro incômodo, em que desenvolve  a proposta intimidadora ao telespectador, com suas duas horas e meia. De fato, torna-se intrigante  os costumes representados em cenas de longo silêncio, ou através das peculiares ilustradas que embelezam as casas e estábulos do vilarejo cinematográfico. O capricho do design de produção carrega as tintas em cores vivazes. Que sob uma fotografia propositalmente superexposta, cria mais outro paradoxo com o interior sombrio da personagem principal, que certas vezes se sobrepõe à beleza externa. Isso, é claro, até Midsommar assumir seus aspectos mais “tradicionais do terror gore”.

Midsommar

O  filme entrega uma virada ao convencional, sacrifica a ambiguidade que tornava a metade avanço de toda a narrativa de: Midsommar. De fato é uma experiência interessante devido à imersão. Inclusive repetindo truques sem o mesmo efeito particular que criavam à primeira vista. Personagens coadjuvantes passam a cometer atitudes estúpidas demais dentro da lógica antes estabelecida. Apenas para que sejam violentamente mortos um a um, afim de sustentar a perturbação. Resultando numa ambígua não tratada pelo psicodélico e psicológica, assim como já tratada nos contos góticos literários de Poe. Assim como Aster faz-se uma tentativa de reconhecer e adaptar para o terror contemporâneo.

Midsommar

Por fim, o cineasta tende muito trabalho a fazer na junção do aptidão estética com o drama íntimo e excêntrico. Devido a toda a simbologia, junto à conceitos pagãos  o contraponto entre os dois resulta em obras de grande impacto visual e visceral. Podendo assombrar pela intensidade da violência física e psicológica. Mas que falham em solidar maiores provocações nos telespectadores por trabalhar sua proposta através de métodos simbólicos.