A COR QUE CAIU DO ESPAÇO (2019): CRÍTICA

VITÓRIA RAPALLO

H.P. Lovecraft é famoso pelos contos em que publicou, muitos em revistas pulp onde gradativamente foi montando sua mitologia de monstros inomináveis. O icônico escritor chegou ao universo cinematográfico, nas mãos do cultuado diretor Richard Stanley, responsável pelo excelente Hardware, de 1990. Este, recebeu outras versões, como Die Farbe de 2010.

O Destruidor do Futuro

É valido lembrar que: adaptar Lovecraft é um comprometimento e responsabilidade grande. Devido à riqueza de detalhes em suas obras, consideradas de difícil concepção visual e textual. Alguns diretores como Stuart Gordon, partiram do princípio de utilizar ideias centrais de determinadas obras, em seu universo. E criar uma narrativa mediante a um contexto especifico.

Criou-se uma grande expectativa, quando foi anunciado para o público a produção do longa. Está comoção foi gerada após ser confirmado Nicolas Cage como protagonista – e como previsto as últimas encenações de Cage, o filme não decepciona. O roteiro foi bem inteligente em adaptar a obra para os tempos atuais. Há liberdade criativa de Stanley na criação dos personagens e na inserção de elementos místicos.

A Cor que Caiu do Espaço

No conto, um meteoro cai em uma fazenda, com uma coloração que não pode ser descrita por quem o vê. A cor, afeta tudo ao redor, causando impacto na fauna e flora, e afetando também a sanidade da família residente. É certo afirmar que: A Cor que Caiu do Espaço (Color Out of Space, 2019) é deslumbrante, assustador e psicodélico.

Entretanto há outros fatores que envolvem a produção. Isto é, fazem com que se desperte um interesse do admirador do cinema de horror e ficção, visto que o filme é dirigido por Richard Stanley. O famoso diretor por detrás das câmeras do clássico cult sci-fi O Destruidor do Futuro (1990), logo após hiato de 27 anos que decorreu após o fiasco de seu último filme, Stanley retorna à cadeira de diretor com este psicodélico longa.

A Cor que Caiu do Espaço

A fotografia cria um visual e atmosfera pesada e opressiva, que não deixa a essência de um filme incrivelmente belo. O grande impacto de uma natureza enlouquecedora composta por monstros, ainda que indiscutivelmente grotescos, são fascinantes de se observar. À medida em que o filme tem sua primeira ameaça exposta, o design de produção transforma a tranquila paisagem da Nova Inglaterra em um cenário alienígena. Que incrivelmente se torna mais familiar à medida em que se afasta cada vez mais da humanidade.

A Cor que Caiu do Espaço

Com isso, o longa é incluso na lista de performances desequilibradas, que Cage propõe-se a interpretar e o resultado é: uma atuação real e crua, assim como fez no recente Mandy. É tão significante ser hipnotizado por uma obra cinematográfica, que subtramas criadas pra oferecer um significado a mais para o roteiro, que atrapalham na interpretação até mesmo não fazem ao menos sentido, são capazes de desfazer o apreço e relevância desta obra.

Por fim, A Cor que Caiu do Espaço nos ajudar a fazer um exercício como seres de pensamento crítico. Tentemos imaginar uma cor nova, sem quaisquer bases ou outra cor existente. Impossível! Certo que muito do longa baseia-se em Lovecraft,  devido a coisas que a mente humana não consegue conceber.

A Cor que Caiu do Espaço

A Cor que Caiu do Espaço é uma obra que trabalha terror/ficção cientifica e exerce a função de impulsionar-nos além dos limites da imaginação.

O FAROL (2019) – CRÍTICA:

O FAROL: O iluminar em preto e branco da arte cinematográfica

Há inúmeros debates inclusos no âmbito acadêmico cinematográfico em que denota a profunda preocupação da imersão do público em toda atmosfera que assim mostram-se para ele. Isto é, fundamentar a imersão em seu conteúdo junto ao aspecto fílmico de sua obra. Em O Farol (2019), o diretor Robert Eggers (do requintado e discorrido por muitos A Bruxa) elabora isso.

Desde o momento em que a amplitude da tela nos mostra a razão de figura em 1.19:1. O “quase-quadrado” encontrado em inúmeros filmes dos anos 1920 e 30, com grande destaque para as obras da época do “Expressionismo Alemão”, de onde o diretor empresta concepções visuais. E também a forma bastante estilizada de conceber a fotografia, assinada por Jarin Blaschke.

Este tipo de lente no qual foi escolhida é a grande revelação do filme. Que tem sua tonalidade em preto e branco, está em preferência de fazer com que o telespectador de fato tenha uma impressão de uma determinada época. Com está retratação minuciosa com a composição de seus quadros. Visto que faz-se homenagens a uma grande parcela de diretores clássicos, com uma predileção para Fritz Lang.

O Farol

Como apresentado no parágrafo anterior à respeito da “imersão”, esse substantivo feminino que denota o efeito de “submersão”, conduz não apenas a narrativa. Mas toda a atmosfera que O Farol exige que o telespectador tenha. Devido à isso, o publico presente inserido naquele âmbito, sente em seus primeiros minutos a presença de um fator enigmático.

Com essa premissa referente a questão técnica, já encorpados nesse fatores, temos o ponto de vista de um grande mal sobre a ilha onde localiza-se o farol pelo qual Thomas Wake (Willem Dafoe) é responsável. Embora esteja em parceria à um zelador temporário, o jovem formoso e silente Ephraim Winslow (Robert Pattinson). Ademais com a ambientação em torno do local referido, trata o segundo elemento preparatório para os instintos prístinos desses indivíduos aflorem-se, a claustrofobia.

O Farol

É correto afirmar que: RobertMax Eggers se quer pouparam esforços para tornar o famigerado filme desafiador, hostil, medonho, barulhento. Buscando o máximo de atenção para a trajetória desses dois homens bruscamente isolados em um espaço fúnebre, que aos poucos os enlouquecem e, certa forma, deturpa a visão daqueles que buscam analisar o contexto.

A trajetória da narrativa do longa busca desconceituar o estágio de masculinidade, trabalhando a decadência moral, física e mental dos personagens retratados. Tendo em vista a assombrosa trilha sonora de Mark Korven como um fantasma destinado a tornar tudo sensorial… O longa concentra-se em trabalhar metaforicamente conceitos históricos datados em épocas que “crenças” sobre a existência de seres mitológicos eram reais.

O Farol

A construção dos dialetos fazendo referência à obras literárias (H.P. Lovecraft). Que opunha as entidades colossais e forças incontroláveis do céu, da terra e das águas junto à insignificância do homem, que ao menor contato com essas forças, recolhe-se a loucura. Desta forma, o longa concede a concepção do imaginário de marinheiros, que devido aos isolamentos retidos em suas navegações as opiniões daqueles homens eram pautadas nas lendas do incomensurável, oceano.

Consideravelmente O Farol, tenha potencial de assim torna-se um clássico instantâneo. Não apenas pelas discussões na crítica do cinema, de certa forma há uma probabilidade de debates no âmbito acadêmico. O que pode gerar ótimos trabalhos. Seja na manipulação do preto e branco, na proporção de tela que é diferente, bem como por conta do roteiro com suas inúmeras metáforas, inclusas.

O Farol

Com isso, o longa extremante provocador que indaga as nuances da solidão e a verdadeira não-conformidade com a particularidade e vigor de cada indivíduo em sociedade. Por fim, quando Robert Eggers é questionado em uma entrevista sobre a sua motivação em construir filmes de terror ele implica assinalando a seguinte questão:

“Gosto de estimular o imaginário, manipular a visão do espectador sobre o que está acontecendo, se aquilo é sobrenatural ou meramente psicológico”.