MAKOTO SHINKAI – A INIGUALÁVEL ARTE – ARTIGO:

Especial Makoto Shinkai

As vésperas da retirada de quatro dos cinco filmes disponíveis dirigidos por Makoto Shinkai da plataforma de streaming Netflix, não é tarde demais para indicar – ou melhor, pedir – que você reserve um pouco do seu tempo para assistir os títulos que precederam o tão aclamado Your Name.

Se você ainda não tá familiarizado com o nome Makoto Shinkai, é bom que fique ligado. Depois do sucesso estrondoso de Your Name, que faturou mais de 357 milhões mundialmente e firmou-se no primeiro lugar da lista de longas de animação japonesa com maior bilheteria, ultrapassando A Viagem de Chihiro, do Studio Ghibli, o diretor foi considerado pela crítica como o próximo Hayao Miyazaki

E dá pra entender o porquê: o nível de maestria e a meticulosidade com os detalhes faz com que assistir seus filmes seja uma experiência fantástica até para quem não é tão fã assim de animação. Mas se você for, fica o aviso: você vai terminar querendo mais!

E pra ajudar a te guiar nessa, aqui está um guia cronológico com as obras do diretor pra você curtir essa última semana em que elas vão estar disponíveis na Netflix.

1 – Voices of a Distant Star / Hoshi no Koe (2002)

Voices of a Distant Star foi escrito, produzido e dirigido pelo diretor de modo independente. Shinkai usou apenas programas comuns de computador como o Photoshop, o After Effects e o LightWave.

Inspirado em Drácula de Bram Stoker e Laputa: Castle in the Sky, o OVA de 2002 conta a história de Mikako e Noburo, dois amigos separados por uma guerra intergaláctica.

Enquanto Noburo permanece na Terra, Mikako é recrutada pela Agencia Espacial para ser piloto de um robô de luta. Os dois continuam a se comunicar por mensagens através de seus celulares.A Adaptação em mangá saiu em 2005.

2 – The Place Promised in Our Early Days / Kumo no Muko, Yakusoku no Basho (2004).

É o primeiro longa da carreira do diretor e também a sua primeira produção não independente. Produzido pelo CoMix Wave, The Place Promised in Our Early Days conta a história de dois amigos de infância que seguem caminhos distintos depois do desaparecimento de um amigo em comum.

Em uma realidade alternativa aonde a União Soviética domina parte do Japão e a tensão internacional cresce a cada dia, o caminho dos dois se entrelaça novamente ao perceberem que seu amigo desaparecido pode ter um importante papel para salvar o mundo.

Assim como o título anterior, The Place Promised in Our early Days também ganhou uma adaptação em mangá, publicada em 2006.

3 – 5 Centimeters per Second / Byōsoku Go Senchimētoru (2007).

O segundo longa do diretor diverge um pouco do que usualmente se via em seu trabalho. É uma história mais centrada no aspecto mundano das relações humanas, então não espere coisas como uma guerra alien, lutas de robô no espaço ou um Japão dominado pela União Soviética.

5 centimeters per second se passa num espaço de tempo de aproximadamente 18 anos, começando no início dos anos 90 e tendo seu final em 2008.

O filme de 68 minutos é dividido em 3 segmentos e segue a história de Takaki Tono e sua amizade com Akari Shinohara, sua colega de classe na primeira parte da história. A história foi adaptada para mangá em 2010.

4 – O Jardim das Palavras / Kotonoha no Niwa (2013).

Nas palavras de Makoto Shinkai, Jardim das Palavras é um conto sobre a solidão melancólica. Centrado em Takao Akizuki, um jovem aspirante à designer de sapatos de 15 anos. A trama mostra o desenrolar de um relacionamento entre o jovem e uma misteriosa mulher.

Os dois se encontram quase que diariamente refugiando-se da chuva em um jardim japonês. Ambos fugindo de seus compromissos matinais. Takao faltando aula e a mulher misteriosa faltando ao emprego. Assim como o trabalho anterior do diretor, essa história também não conta com elementos de ficção científica.

Combinando animação tradicional, rotoscopia e CGI, Shinkai nos presenteia com um filme primoroso. Cada cenário de O Jardim das Palavras é como uma pintura que funciona extremamente bem sozinha. Isso, em junção com o alto nível técnico de animação é mais do que o suficiente para causar um impacto no expectador.

É sério! Se você não terminar esse filme no mínimo impactado com o modo como os animadores conseguiram emular a chuva, eu não sei mais o que impactaria vocês. The Garden of Words foi adaptado para mangá no mesmo ano do lançamento do filme.

5 – Your Name / Kimi no na wa (2016).

Chegamos ao queridinho da crítica. Your Name é atualmente o último trabalho do diretor e também seu filme mais longo, tendo 107 minutos. A história segue dois jovens, Mitsuha e Taki, que passam a dividir uma estranha conexão espiritual.

De modo aleatório e imprevisível, os dois passam a trocar de corpos. Enquanto tentam desvendar o estranho fenômeno, os dois passam a se aproximar, se comunicando através de pequenos bilhetes que deixam um para o outro.  Assim como Jardim das Palavras, a direção de arte de Your Name é algo que precisa ser analisado e apreciado à parte. O mangá de Your Name foi lançado no mesmo ano de estreia do filme. 

CRÍTICA DE LIMÃO

GHOST IN THE SHELL (2017) – CRÍTICA:

GHOST IN THE SHELL – UMA APRESENTAÇÃO BEM POSTA

Para minha surpresa, eu realmente gostei de Ghost in the Shell, muito mais do que o anime original. (Eu assisti alguns episódios para me aventurar no universo criado para no filme). Desde a sequência de abertura. A direção de Sanders é palpável e ecoa o estilo frenético e errático do clássico de 1995 de Mamoru OshiiScarlett está mais ousada do quanto ela já foi e o roteiro é mesmo tão simples quanto eu esperava. No entanto, estas são queixas que eu posso facilmente ignorar. Graças a como elegante e inspirador é o design do filme.
É muito fiel ao anime visualmente. Com mais tempo de duração e a história sofre um pouco com a adaptação para uma audiência de massa que não conhece a ideia original. O que torna o filme muito mais direto e menos abstrato. O que eu apreciei. É bastante simples. A consciência de uma mulher é trazida de volta à vida em um corpo cyborg. Que acaba por fazer parte de uma força policial de alta tecnologia que tem que derrubar um terrorista cibernético. Há mais do que isso, mas não é nem de longe tão complexo quanto seu material de origem.
Houve uma onda de muitos contra-argumentos em torno da escolha de Scarlett JohanssonCom até mesmo queixas de “White-washing” (o que não é necessariamente errado). Em um ponto que eu me lembro de um artigo alegando que eles iriam usar CGI para fazer Johansson parecer “mais asiática” (assim como o desastre do “rejuvenescimento” de Orlando Bloom em “Hobbit”). Ainda bem que isso não aconteceu.
Johansson é ótima, porém, ela trabalha de forma semelhante ao seu papel em Under the Skin. Um personagem que é estranho a todos os outros, não realmente certa do que ela é e por isso ela é fria e quase sem emoção. Há algumas coisas familiares adicionadas aqui (sem spoilers), que nem sempre irão funcionar. Mas adicionaram mais profundidade a Major de Johasson.
O resto do elenco é sustentável, na maior parte do tempo. Pilou Asbaek está decente como o parceiro melhorado de Major, Batou. Takeshi Tikano é sempre ótimo para ver. Embora eu gostaria que ele tivesse mais o que fazer no filme em geral. Michael Pitt por outro lado, eu não estava inteiramente certa do que ele iria fazer ou como ele iria fazer. Eu não posso decidir se ele estava brilhante ou terrível, ele agiu como um Nicolas Cage em Kick-Ass e acabou sendobizarro de assistir.
Onde Ghost in the Shell realmente brilha é em seu visual, ação e pontuação. Este é um filme lindo que buscou claras referências de outros clássicos de ficção científica e jogos como Blade Runner, Deus Ex e até mesmo shots originais direto do anime/manga. Este realmente foi muito bem construído, bem embrulhado para o público (diferente de O Destino de Júpiter). Não houve despesas poupadas no  departamento de efeitos especiais.
Eu estava um pouco preocupada com o slow-motion excessivo durante as cenas de ação graças ao trailer, mas até que a técnica é usada com bastante moderação. Houve pessoas reclamando sobre a classificação PG-13/12A, mas realmente não faz muita diferença.  Pode faltar a violência visceral do original, porém compensa isso em estilo e com o visual.
Eu não tinha ideia que Clint Mansell era o responsável pela trilha sonora até ler os títulos de abertura. A trilha foi uma das poucas coisas que eu realmente gostei sobre o original e ele fez um trabalho fantástico com isso. Minha real reclamação com Ghost in The Shell foi a falta de senso lógico em algumas sequências e algumas cenas não se encaixaram no sentido geral. Este também é um dos filmes de ficção mais curtos, com apenas cem minutos, uma hora a mais ou algumas cenas a mais, teriam feito uma grande diferença em como a história poderia terminar.
O final parecia muito apressado e enquanto eu aprecio um bom uso de CGI para ficção e grandes construções, cenas finais com bastante explosões, o final foi bastante fraco e pareceu ter sido feito às pressas. 
Ghost in the Shell provavelmente será odiado por muitos e amado por poucos,. Entretanto eu realmente gostei desta adaptação de um anime que eu não sou muito familiar. Então foi bastante interessante de assistir. É uma trama sci-fi visualmente espetacular, simples e com uma soundtrack maravilhosa e eu não me importaria de ver mais filmes neste universo.