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CRÍTICA: 120 BATIMENTOS POR MINUTO (2017)

Em meados da década de 80, uma doença nunca antes vista começou a dizimar centenas de jovens e não jovens, especialmente aqueles que integravam a comunidade LGBT. Muito se estudou e, desse estudo as siglas HIV e AIDS passaram a ocupar a grande pauta de notícias. Muito foi divulgado e drogas que tratavam das pessoas infectadas – das quais a AZT era uma das mais famosas – foram desenvolvidas, porém nunca houve de fato debates que conscientizassem a população sobre a prevenção e tratamento da AIDS e muito menos ações estatais foram planejadas para conceder direitos àqueles já doentes. 120 Batimentos por Minuto coloca essa temática como centro de seu enredo, tratando do grupo ACT UP (AIDS Coalition to Unleash Power), formado com o intuito de lutar por esses direitos e de conscientizar a população acerca de temas relacionados à sexualidade, HIV e AIDS.

120 Batimentos por Minuto é um filme francês de 2017 dirigido por Robin Campillo (pra quem não conhece, é um dos roteiristas de “Entre os Muros da Escola” de 2008, que foi agraciado com a Palma de Ouro em Cannes) e que trata dos trabalhos do ACT UP de Paris em meados dos anos 90. Esse filme é um relato muito pessoal do diretor: ele próprio fez parte do ACT UP e quis documentar a importância desse grupo através do filme. Ele constrói tudo de forma a nos colocar dentro das discussões do grupo; a impressão que fica é a de que tudo apresentado é uma forma de incluir o espectador dentro desse grupo. 

 

 

Ao mesmo tempo em que o ACT UP se reúne para discutir como, onde e por que desenvolver suas ações, estas são mostradas através de cenas rodadas sob um ritmo frenético dos acontecimentos (mais soando como visceral), coisa que só o cinema europeu é capaz de mostrar e, talvez, o cinema americano mais edificante ousaria retratar. 

Esse não é um filme feito precisamente para você ir ao cinema e se divertir, é, antes de tudo, um relato que tem por objetivos principais mostrar quanta dor (física e emocional) o HIV e posteriormente a AIDS trouxeram, mostrar o quão grande foi – e ainda é – a desassistência aos doentes, a desinformação, a ganância corporativa por trás das grandes empresas farmacêuticas e emocionar (sim, esse filme tem momentos muito tocantes ao estilo de The Normal Heart (2014) – quem já assistiu a este filme, vai saber do que se trata). É um filme necessário.

 

 

120 Batimentos por Minuto estreou na edição de 2017 do Festival de Cannes, onde saiu consagrado pelo Grande Prêmio do Júri (uma espécie de segundo lugar) e foi o candidato francês (esnobado pela Academia) selecionado ao Oscar de 2018 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Crítica pelo nosso colaborador: Patrick

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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