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CRÍTICA: 50 SÃO OS NOVOS 30 – Uma comédia “feel good” francesa!

Eu não sei muito bem porque, mas filmes sobre reconstruções pessoais me atrai de uma forma incrível. Ainda mais se for francês. Eles tem uma forma utopicamente romântica de levar as questões mais complicadas da vida para a tela, que no final do filme você pode levar um tapa na cara, mas não importa, porque você vai sair sorrindo. Uma resenha\crítica sobre filmes assim é algo muito pessoal para mim. Então vamos com 50 São Os Novos 30
Não conhecia a fundo o trabalho de Valérie Lemercier, nem ao menos sabia que ela ocupava a cadeira de diretora, fora o longa Adieu Berthe de 2012 e sua pequena participação no remake de Sabrina de 1995, eu não conhecia nada de sua carreira.  Então entrei no cinema as cegas e sai de 50 São Os Novos 30 leve, com um sorriso no rosto e cantarolando L’amour c’est comme une cigarette ( Canção cover de Shenna Easton, interpretada pela artista Sylvie Vartan).  ( Madame também me causou a mesma sensação)
Marie-Francine é uma geneticista com uma vida até incrivelmente comum, marido, casa, duas filhas, tudo normal e entediante. Até que um certo dia, do nada, seu marido anuncia estar apaixonado por uma fisioterapeuta de 32 anos e que irá deixa-la, ela é demitida do emprego e tudo vira de cabeça pra baixo e ela se vê indo morar com os pais aos 50 anos de idade. Ela tem uma irmã gêmea com uma personalidade completamente diferente da dela, seu pai tem sérios problemas de confiança masculina e sua mãe é sexualmente frustrada, que compensa a falta de sexo com um vicio em compras online. 
Marie-Francine não sabe quem ela é sem um relacionamento. Ela não se conhece sem seu emprego ou suas funções como mãe ou esposa, mas a ironia é justamente que ela ficou tanto tempo centrada nessas funções que ela não conhece as filhas ou até mesmo conseguiu enxergar a crise de meia-idade do marido. E ela precisou ir para o fundo do poço emocional para poder se conectar com ela mesma e aprender sobre o que ela queria da vida aos 50 anos de idade. A forma de Valérie trazer vida para Marie-Francine é algo novo e libertador. Não gostei de Marie-Francine no começo, ela é completamente fora da própria realidade e soberba sobre a própria situação, mas conforme presenciamos a desconstrução de sua personalidade, encontrei pontos que fizeram com que eu encontrasse pontos a me identificar com essa mulher louca. 
Quando ela monta a própria loja de cigarros eletrônicos, uma ideia de seus pais, ela conhece Miguel, um chef de cozinha falido, morando com o filho e os pais em um cortiço, sem perspectiva nenhuma de vida. Mas Miguel se interessa de imediato por Marie-Francine e aos poucos vai conquistando a atenção de Marie-Francine e o relacionamento deles, apesar de conturbado pelas circunstâncias em que vivem, flui de uma maneira bem natural. Eu não sei se é porque ele é francês, ou se cada vez que a câmera focava nele eu pensava no ator Patrick Bruel, mas Patrick Timsit tem um charme bem forte. Ele é divertido, com uma sutileza romântica ironicamente presente e sua falta de confiança em sua própria situação só acrescenta a nossa vontade de ver ele e Marie-Francine juntos. A química entre os dois é inegável. 
O restante do elenco coadjuvante é maravilhoso. 50 São Os Novos 30 é bem simples, não há nada de extremamente complicado ou inovador em sua montagem e o elenco coadjuvante ajuda nessa mesma construção. O trabalho de câmera de 50 São Os Novos 30 se torna uma característica, sem querer. Com ângulos sempre na altura de nossos olhos, sem nunca apresentar frames muito altos ou em ângulos impossíveis, justamente para nos levar a um senso de familiaridade, nós conhecemos essa história, então ela o trabalho dela é parecer inevitavelmente familiar. A paleta, com cores opacas e suaves no começo, para evoluir em cores fortes e presentes na segunda metade para o final acrescenta ainda mais para a o crescimento de Marie-Francine. 
50 São Os Novos 30 não é um filme genial, não é algo extremamente revolucionário, mas te faz se sentir bem consigo mesmo. Aos nossos vinte e poucos anos estamos entrando em crise por termos que sairmos da casa de nossos pais, procurar emprego, nos formas, casar, ter filhos, estabilidade financeira e emocional, o mundo gritando e… Não. Pare. Não se sinta na obrigação de seguir o tempo do mundo. Siga seu próprio caminho, não parece, mas você tem tempo, sempre teve. Seja com trinta anos ou cinquenta, nunca é tarde pra se auto descobrir na vida. 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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