A ARTE DE AMAR (2011) – CRÍTICA:

A ARTE DE AMAR – O despretensioso romantismo francês!

Um filme adicionado aleatoriamente na lista do Netflix, duas estrelas, sem pretensão, sem dia certo pra assistir e calhou da vontade bater em uma sexta feira nublada. Um filme francês, surpresa. A sinopse de A Arte de Amar não é assim tão chamativa, não existe um personagem principal ou uma história principal, apesar de que posso dizer que o personagem principal é a trilha sonora. Ah sim, a trilha sonora. 
Logo no começo nos vem uma pergunta, uma pergunta que pode assustar ou nos fazer sorrir, depende muito da resposta interior que queremos nos dar ou nos fazer acreditar. Você já se apaixonou? Daquele tipo de amor que quando se encontra, você consegue ouvir a mais doce melodia?
É um filme francês, então desculpa filosofar aqui uma hora dessa da noite.
A Arte de Amar

 O filme conta algumas histórias no total, todas acontecendo ao mesmo tempo, ao nosso redor nesse infinito constante de coincidências e sons, cada história conseguiria funcionar muito bem cada uma por si, mas não teria o mesmo encanto e a mesma simetria com o tema referido no filme, se que é que podemos chamar o tema desse nome. A primeira história é sobre um homem, bem de vida, não lhe falta companhia, mas lhe falta a música, então lhe falta encontrar o amor.

Aquela fonte de inspiração, e por um acaso do destino, próximo de sua morte causada por uma doença grave, ele ouve o som que procurou a vida toda meio a uma clareira de um bosque qualquer ele consegue finalmente encontrar o que sempre procurou. Isso mostra o quão profunda pode ser uma simples mensagem em tom de narrativa que faz com que todo o resto do filme seja apenas um encontro de acasos em volta desse personagem.

A segunda história que faz parte da última que se entrelaça com a terceira, bom… Uma mulher, obviamente já teve o coração partido, a procura de algo ou alguém que possa dar fim a sua solidão, em momento algum isso é dito sobre a personagem, mas não precisa, sua forma e existência deixa isso bem claro, recebe então a proposta de uma amiga que poderia ajuda-lá a se curar dessa solidão, ela pensa bem e deixa a proposta pra lá? Melhor não.
A Arte de Amar

Um casal, necessidade, insegurança, idade… Ela quer aventura, fugir do lugar onde ela mesma se mantem presa, mas como fazer isso sem destruir aquilo tudo que ela construiu com ele? Já ele se vê jogado nas palavras dela, então como fazer ela feliz sem destruir o que ele construiu com ela? Liberdade emocional é o melhor afrodisíaco para um casal.

Outro casal, jovem, sem inibições, amantes, enamorados, o tipo mais perigoso que existe. Mais insegurança e incerteza. Ela o ama, mas está resoluta de que a vida pode lhe oferecer mais, ele a ama e segue o pensamento para poder fazê-la feliz, silenciosamente concordam em um acordo que poderia ser benéfico para ambas as partes. Será? Não expressar aquilo que você realmente sente é algo bom? Expressar é? O que é verdadeiro não precisa de mais nada, certo?
A Arte de Amar

 Um homem sozinho, uma mulher linda e mais pra cá do que pra lá em um relacionamento. O acaso e o clichê juntos conseguem formar as melhores histórias de amor, mas a paciência pode ser algo que se perde ao longo do caminho e ao mesmo tempo é a chave para manter o pensamento direcionado para exatamente aquilo que se deseja, por mais escorregadio que possa ser.

E por fim, a mulher, aquela lá que não aceitou aquela proposta , reencontra uma outra amiga, outra proposta, calma, respira, dessa vez ela aceita e entra em um jogo de sentimentos que não estava pronta, se vê presa em um triângulo amoroso só de dois, pronto, constrangimento, silêncio. Mas a música não acaba e tudo fica bem no final, afinal de contas, de um jeito ou de outro um filme romântico francês sempre tem um final feliz, negro ou não, ironia da vida.
A Arte de Amar

Todas as histórias tem temas diferentes, não é? Parece ser essa a opinião geral de algumas críticas que li pela web, mas acredito que não. A história central é o poder do amor em frente a insegurança da traição, ou a necessidade? O filme fala sobre tudo o que sentimos e pensamos durante todos os nossos relacionamentos da nossa vida. A falta de desejo, a procura de um sentido, a urgência em viver a vida. Uma busca inalcançável por um sentimento que pode ser incertamente regido por algumas notas musicais. E tudo acaba na incerteza de duas palavras que podem ou não se concretizar “E se“.

A Arte de Amar

Toda a fotografia e filmagem de A Arte de Amar é em cortes. Não em cortes de cenas sem sentido ou extrapolação. Mas a posição de cada personagem, em cada cena do ponto alto da história está em cortes na imagem. Como se um sentimento estivesse sobrepondo o outro e também mostrando de uma certa forma o corte que a casualidade e coincidência – podem ser a mesma coisa – faz com que a forma da vida faça tudo funcionar a sua maneira.

Em uma crítica especifica li que o filme faz lembrar dos primeiros trabalhos de Woody Allen, sabe os filmes realmente bons? Então… Quando li parei pra pensar e, em certo ponto concordo. Parecia que a qualquer momento todos os personagens iriam se encontrar em uma reunião de amigos e o acaso iria funcionar perfeitamente bem. Mágicas de Woody e essa influência nouvelle.

A Arte de Amar é doce, sutil. Quase não se percebe a transformação e quando se vai perceber você já está com aquele sorriso no rosto, como se tivesse conquistado alguma coisa. Percebido algo que nunca percebeu antes, ouvido uma melodia que não conhecia em tons pastéis e neutros. Com uma narrativa inteligente, diálogos irônicos e marcantes, pessoais até demais, trazendo você pra sua realidade imaginada. Uma excelente pedida para uma sexta a noite, sem reservas, ao acaso de uma lista qualquer. 


Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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