CRÍTICA: A BRUXA (2015) – O terror que brinca com a temática pagã!

A expectativa de um filme que dizia para você não ver no cinema, “o terror mais esperado do ano”. Não há de se negar que A Bruxa é um filme bem perturbador com uma trilha sonora incrível e com um elenco impecável. Mas não vá esperando assistir a um filme com susto por que quase não existe, nem vem esperando ver o (capiroto), mas tem cenas incríveis e bem relacionadas a isso.

O patriarca de uma família puritana decide abandonar a segurança de uma vila da Nova Inglaterra, quando ele sente que a aldeia se desvia muito de seu ponto de vista religioso. Levando sua família, ele sai para começar uma nova vida em um terreno remoto, bem em frente a uma densa floresta. A família é logo cercado por elementos obscuros que ameaçam separá-los.

A Bruxa é o primeiro longa-metragem do diretor / escritor Robert Eggers e as estrelas Ralph Ineson como William, Anya Taylor-Joy como Thomasin, Kate Dickie como Katherine, Harvey Scrimshaw como Caleb, Ellie Grainger como Mercy, e Lucas Dawson como Jonas. Eggers utiliza a dinâmica do relacionamento desta família isolada para apresentar a hipocrisia e paranoia que existe dentro da religião e no relacionamento familiar.

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Aqui, a filha, Thomasin, é entregue um bode expiatório para os diversos infortúnios que se abatem sobre a família, enquanto William está em conflito entre suas convicções religiosas e o seu dever como um pai. É uma história intensa que leva a um excelente drama familiar. E é este drama familiar que dá o elemento de horror que A Bruxa necessita. O que é interessante aqui é que ele não é um filme aterrorizante, mas sim um filme perturbador, usando truques diferentes para jogar em cima suas expectativas. O que mais se destacou foi a utilização do som e da pontuação de cena. 

A edição de som é uma das melhores já preparadas para um filme do gênero. É algo que leva o elemento perturbador ao máximo, a alta respiração dos animais, os sons da floresta… Tudo isso levado de uma forma pesada e ao mesmo inovadora, segue naturalmente. 

As cenas tranquilas e perturbadoras se contrastam dentro uma da outra, mantêm-se o equilíbrio de lhe deixar completamente alerta durante todo o filme, não há segmentos aqui onde se pode encostar e relaxar, mas, mais uma vez, levando em conta que todo esse “medo” ao “desconhecido” se deve a todos os fatores em geral adicionados a uma bela edição. Não é um filme que vai deixa você sem dormir, mas irá fazer você ter muitas vezes, durante o dia, as imagens se repetindo em sua cabeça.

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O elenco foi um grande suporte desses muitos elementos conjuntos que formaram a beleza do filme. Especialmente as crianças, que não foram apenas o suporte infantil da base daquela problemática e obsessiva família, mas também se entregaram em cada nuance de seus personagens dentro de um Novo Mundo a beira do século 17. Desde Thomasin, que despertou o interesse pelo elo feminino, beirando entre o infantil e o adulto, deixando o imaginário de sua ingenuidade, Caleb, o irmão profanado pela bruxa (ou bruxas) dentro daquela cabana, carregou todo o peso do mistério do filme em suas costas e carregou com maestria para um criança tão nova dentro do cinema, sua cena de “possessão” foi sutil, encantadora e excelente. 

E já os gêmeos, com as cantigas do Black Phillip – que irão ficar na sua cabeça, em momento ou dois você pode se pegar cantarolando -, no final de filme se tornaram a ponte para o macabro e todo o mal. Eles eram as correntes da linha tênue entre o bem o mal, hora com sua áurea doce e hora com sua áurea sádica. Até nos momentos em que eles nos arrancam risadas nervosas, que quebram o gelo e nos seduzem para as suas personalidades, simples artimanhas, é claro, para não crermos nas suas verdadeiras intenções com Black Phillip.

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A história, além de se segurar em relatos estudados o longo dos anos, também trabalha com inúmeras possibilidades da fantasia dentro da ficção. Os elementos visuais como o cálice, a cena em que a família está reunida na mesa para a refeição que remete bem mesmo para “A última ceia“, a caracterização do pai… Nada disso são simples coincidências. A orquestração de cada concept de cena foi trabalhado no intento de mostrar a intensa diferença entre ambas as religiões e no relacionamento dessa família fabricada e tradicional do século 17.

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A Bruxa poderia ser um total e pleno fracasso, a cena final dividi sérias opiniões sobre ambas as religiões debatidas durante o filme. Isso é um dos principais apelos, é claro. O sucesso do filme se garante nos pontos mencionados acima, uma edição maravilhosa, locação, trilha sonora e elenco, fora que a cena de Black Phillipe foi  realizada de forma maravilhosa, dando o imaginário pedido, sem exageros.

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Um excelente trailer e um esforço tremendo em marketing podem atingir o psicológico do público em relação a um filme. Dos 50% de chance que o filme tinha de dar certo, ele conseguiu subir para 70%  de sucesso, se, é claro, trabalharmos com todo o conjunto.

Com colaboração de Rosane Ribeiro (colunista)

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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