CRÍTICA: A FREIRA (2018) – Nem sempre uma boa ideia dá certo!

A Freira peca por insistir em querer assustar, mas se perde no próprio tom.

James Wan se tornou o queridinho da Warner depois do sucesso de Invocação do Mal (2013). O filme rendeu uma sequência direta, Invocação do Mal 2 (2016) e agora três derivados com Anabelle 1, 2 (os quatro filmes já somaram mais de 1 bilhão de dólares nas bilheterias mundiais) e este A Freira. Que tem o propósito de contar a origem do demônio Valak. O universo compartilhado do terror é inspirado  em episódios “reais” do casal demonologista Ed e Lorraine Warren. O casal conta com uma infinidade de livros, todos sucesso de vendas. Aqui, James Wan assina como produtor e roteirista. Quem senta na cadeira do diretor é Corin Hardy que dirigiu e escreveu  A Maldição da Floresta (2015).

Receita para o terror.

Tudo no filme respira terror. Ele se passa nos anos 50 e começa com o suposto suicídio de uma freira em uma abadia no meio das montanhas da Romênia. O local só possui luz das velas e parece inabitado. Então o investigador/padre Burke (Demián Bichir), é mandado pelo vaticano para o local junto da noviça Irmâ Irene (Taissa Farmiga), para se certificar se o local ainda é sagrado. A atriz Taissa é irmã da protagonista de Invocação do Mal, Vera Farmiga. O filme é visto em grande parte pela perspectiva dela. Quando ela não está em cena, tudo parece desandar. Interessante a escolha da protagonista ser uma noviça.

O que gera o duplo sentido no título. Afinal, a Freira é sobre a irmã Irene ou sobre o demônio Valak? A investigação deles começa com Frenchie (Jonas Bloquet) que encontrou o corpo da freira morta. O rapaz serve como um tipo de alívio cômico (no máximo você vai dar um sorrisinho de canto de boca) em um filme que não sabe bem se quer te fazer rir ou quer fazer você ficar com medo. Então ele parte para os sustos.

Construção do medo.

Em um filme de terror, é importante a construção da atmosfera do medo. O que infelizmente, não acontece aqui. A todo momento o filme quer te assustar (o que seria menos pior se grande parte desses sustos você já não tivesse tomado assistindo materiais promocionais, como trailers e vídeos sobre o filme). A Freira que deu medo em Invocação 2, se torna um tipo de monstro físico. O que aumenta a ameaça em relação aos personagens do filme, mas de certa forma banaliza o medo e não te faz pensar nela durante a noite e sentir aquele medinho. O terror psicológico passa longe. Sem contar que o filme ainda conta com muitos clichês do gênero. Como pessoas indo atrás de vultos e se separando para investigar um barulho, por exemplo.

A Freira vem claramente como um caça níquel dentro desse universo e não duvido que vá encher os bolsos da Warner, mas é também a prova que alguns demônios deveriam ser deixados quietos no inferno. 


Sobre o Autor

Guilherme Loureiro
Apaixonado por filmes desde que se entende por gente, carioca, aventureiro por natureza, vai o máximo que consegue ao cinema mas não perde a chance de ficar em casa pra assistir aquele filminho. Projetista e Designer de Interiores nas horas vagas (...err).