CINEMA

CRÍTICA: A GAROTA DINAMARQUESA – A arte que comanda as telas!

Um artista precisa de três coisas para criar uma obra de arte. Uma tela em branco, um pouco de tinta e esperança.  A esperança é o ingrediente especial. É com ela que estamos dispostos a enfrentar todas as tempestades e encarar a vida do jeito que ela realmente é, dando certo ou não.  O roteiro de Lucinda Coxon é a tela em branco de Eddie Redmayne, a tinta é a direção de Tom Hooper e a esperança não se torna o ingrediente final, mas sim a obra de arte que nos é deixada como herança com A Garota Dinamarquesa.  

Presenciamos o nascimento de Lili com tanto amor e perseverança. Tudo se move dentro dessa pintura, uma palheta infinita em cores onde surge então, das mãos de um pintor perdido dentro de sim mesmo, ela. Lili. Suas cores, seu gestos, suas impressões, queimam dentro de nosso ser e começamos a fazer parte dessa poesia nascida, e não criada. 

 
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Alicia Vikander está para Gerda assim como Eddie está para Lili. Sua Gerda é forte, persistente, ela somos nós, que ao nos depararmos com Lili começamos a entender a verdadeira forma da natureza humana e apenas por isso, somos dispostos a amar sem reserva. Um amor tão puro e verdadeiro que nos faz ir muito além do que pensamos ser capaz. 
Einar se torna invisível ao olhos de Lili, mas não menos importante. Lili sempre esteve ali, desde as primeiras cenas ao reconhecer a falha do batom, ao passar pelas roupas tocando-as, ao assistir Ulla experimentando seu tulê… Todas essas formas mostravam que Lili sempre esteve vivendo dentro de Einar e ele conseguiu com toda a coragem abdicar seu lugar para que Lili pudesse viver. Einar, realizou o maior sacrifício que qualquer um deles poderia estar disposto a fazer. 
 
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É difícil perceber até onde a transformação começou pela sutileza de Eddie, suas mãos são como a flauta que seduz a cobra à sair de seu cesto, é hipnotizante sua delicadeza. Ao término do filme temos aquela pulsante vontade de te-la conhecido, nem que fosse apenas por cinco minutos para podermos habitar em sua órbita. Sentimos falta dela, mesmo no nosso imaginário.  
A busca em descobrir quem Lili realmente era se tornou a tarefa primordial para Einer e Gerda, entender o que Lili precisava para poder sair para a luz, já que ela sempre esteve entre eles. Eddie Redmayne, não nos traz tragédia, drama, mas nos traz a esperança, a esperança de acreditar naquilo que vive dentro de nós. A esperança de permanecermos fiéis a nós mesmos e entender que não é errado seguir nossos sonhos. Ele é um artista com uma linda tela em branco a sua frente e cria, sem a menor reserva, a mais pura obra de arte em A Garota Dinamarquesa. Ele entende a concepção da beleza, da verdadeira beleza, aquela que reside dentro de nós. 
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A fotografia do filme nos permite essa imersão dentro desses tons pálidos e sem vida, esses tons inertes, mas vem a tempestade e o vermelho nasce, o laranja, amarelo, castanho… todas essas cores criam uma explosão de tons onde cada uma completa a outra, presenteando-nos com todas esses lindos e perfeitos frames.  

    O clichê do pensamento: Aquilo que não se sabe explicar, apenas sentir. 

Eddie, mais uma vez solta essa força descomunal dentro do nosso peito, que queima e constrói essa linda forma de pensamento chamada Lili. A ilusão de que as roupas, a maquiagem, os cílios postiços, a paisagem, a atmosfera casual ou formal, os móveis, as cidades… Se existisse apenas um palco, um tablado, bem no centro do nada, bem no meio do vazio… Ainda assim, Lili estaria lá. E ai que se encontra a genialidade do talento de Eddie Redmayne.  Uma das obras de artes mais lindas que qualquer um pode colocar os olhos em cima. Uma provinciana, garota dinamarquesa. 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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