CRÍTICA: A MORTE DE STALIN – Uma das melhores sátiras politicas dos últimos tempos!

    “Eu conheço o roteiro. Sorria, os cumprimente e tente não chamá-los de idiotas.”

Se você seguiu a carreira de Iannucci, pelo menos de “The Thick of It” até “Veep” e o quase, mas não muito, filme crossoverIn the Loop“, você sabe que ele tem um gosto especial por lançar a comédia na política, e isso muitas vezes significa não ter medo de sujar as mãos em um humor realmente sombrio.
A Morte de Stalin é a apoteose desse humor negro. Se passando logo antes e nos eventos durante a morte de Stalin, o filme segue a luta interna que dará origem aos seus sucessores. É como um jogo de xadrez onde ninguém sabe exatamente quais são as regras, justamente porque elas mudam constantemente. Todos os jogadores são monstros em algum grau e todos são incompetentes em algum grau e isso pode nos levar a momentos realmente engraçados, que também são assustadores, perspicazes e talvez um pouco prescientes. O que acontece quando um governo é composto por pessoas excessivamente ambiciosas, gananciosas e cruéis?

Quão fácil é fazer uma comédia sobre um déspota genocida?

Muito difícil, imagino. Mas Armando Iannucci fez com que pareça tão fácil, que eu me perguntei sobre qual ditador assassino ele poderia enfrentar em uma sátira política cômica em um filme seguinte. A Morte de Stalin é realmente muito engraçado, estou muito certa disso. Mas é muito semelhante ao In the Loop. O diretor não se aventurou em um terreno desconhecido, ele jogou em um território seguro, mesmo que esta seja obviamente uma maneira muito estranha de cobrir os eventos imediatamente antes e depois da morte de Stalin.
A maneira como ele apresenta essa ideia, no entanto, faz com que seja até mesmo uma ideia paralela a In the Loop. Qualquer um que assistiu e gostou desse filme vai encontrar um bom senso de familiaridade aqui. É um filme tão cheio de pequenos grandes momentos com sacadas inteligentes desse humor ácido que, na primeira meia hora de exibição eu estava convencida que talvez seja necessário reassistir para pegar todas as piadas que existem em seu subtexto, especialmente em sua primeira parte. Há um roteiro muito bem preparado aqui, e cenas bastante específicas a se apontar, principalmente na cena onde os soldados recebem ordens específicas de como matar e se livrar das pessoas em uma das listas de Stalin. Genial. 
Acima de tudo temos um elenco brilhante, todos em ótima forma. Isso prova ser o caso, mas é Jason Isaacs quem tem a oportunidade de dominar a segunda metade do filme como Georgy Zhukov, de Yorkshire, fazendo par com o Khrushchev de Steve Buscemi. Uma performance gloriosa de um dos atores mais subestimados nas últimas duas décadas. De um modo geral, A Morte de Stalin entrega uma apresentação bem ao estilo de Monty Python sobre o que seria a sagacidade cômica de uma ditadura. 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.