A NOITE QUE DEVOROU O MUNDO – CRÍTICA

A NOITE QUE DEVOROU O MUNDO – O cenário francês em um terror apocalíptico.

O Festival Varilux de Cinema Francês esteve no Brasil deste o dia 7 até o dia 20 de junho foram 60 cidades com salas de cinemas, com filmes entre drama, comedia, ação, terror e tudo o que há e bom no cinema francês. E o que me chamou atenção, entre tantos filmes, o que chamou minha atenção foi A Noite Que Devorou O Mundo ( La nuit a dévoré le monde) um filme de drama/terror francês, desde o filme La Horde (2009) que eu não assistia algo assim, mas o cinema francês tem a qualidade de sempre trazer algo novo para qualquer gênero. 

Após um noite de bebedeira, Sam (Anders Danielsen Lie) acorda completamente sozinho no apartamento da ex namorada. Ainda confuso ele descobre um terrível acontecimento: a cidade de Paris está tomada por zumbis famintos. Rapidamente ele começa a proteger o prédio em que vive e elabora estratégias para conseguir manter-se vivo em meio a catástrofe. No entanto, ele ainda não tem certeza se é o único sobrevivente neste cenário hostil.

A Noite Que Devorou O Mundo é baseado no romance homônimo de Martin Page e marca a estreia do diretor Dominique Rocher, é um filme que me surpreendeu, ele vai na contra mão dos demais gêneros de zumbi sendo um drama apocalíptico. O personagem de Anders Danielsen Lie ( Personal Shopper – 2017) é anti-social, por causa disso ele se tranca no quarto da sua ex-namorada para procura um caixa cheia de fitas de música, mas ele acaba pegando no sono isso acaba fazendo com que sobreviva a noite que rolou a epidemia. Assistimos ele tentando sobreviver a cada dia, ele vê outras pessoas tentando sair dos prédios vizinhos, sem sucesso e acaba preferindo ficar trancado no apartamento.

O diretor conseguiu criar um ar claustrofóbico e não utilizou da técnica de jump scare, o que é um ponto a favor, já que ele usa muito a perspectiva da câmera na mão e utiliza bem as áreas do cenário, o que acrescenta um toque especial a fotografia bem montada do filme, sem muitos cortes, de eloquência direta, também ganhamos na trilha sonora que pontua muito bem os momentos de tensão. 

O erro é o roteiro, que fica meio louco depois do primeiro ato, os primeiros 30 minutos de filme, você entende, tudo se encaixa, mas depois parece que eles ficaram na duvida se faziam um filme que seria rentável pra ser vendido pra grande massa ou seria um filme mais para reflexão. Isso acaba fazendo com que o ritmo fique um pouco monótomo, que talvez não irá agradar aos fãs de filmes de zumbi. Os zumbis são bem feitos, a maquiagem esta muito boa, não são zumbis com olhos esbugalhados e nem tripas do lado de fora, mas eles tem o seu valor e dão medo.

Mas chega pela questão reflexiva do roteiro, o expectador não sabe se terá alguma ação ou algo externo, que no final acaba sendo várias cenas de Sam fazendo absolutamente nada. Não sentimos empatia pelo personagem, até presenciamos um plot twist, mas no ritmo do filme, nem importa quando esse mesmo plot twist acontece. Nós últimos vinte minutos recebemos um nível de ação muito em esperado, mas que infelizmente não complementa a trama. Realmente é um filme bem diferente, onde aprendemos em como sobreviver a um apocalipse Zumbi, mas que teria a história melhor contada talvez como curta-metragem. 

A Noite Que Devorou O Mundo prova que sim, você pode viver sozinho e sobreviver ao meio do caos. Um ótimo filme, diferente do que estamos acostumados. Com seus altos e baixos, mas convence por ser diferente e trabalhar muito bem com o manual de sobrevivência. 


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