CINEMA

CRÍTICA: ACRIMÔNIA(2017) – A idealização da vingança!

Taraji P. Henson é a chave principal deste filme, não por ser simplesmente a protagonista, até porque o Acrimônia apresenta outros personagens na dose certa, mas a atriz é o destaque. Considerando as cenas no divã como o higlight do filmes, onde entendemos as motivações da personagem e ao mesmo tempo, nos questionamos se tudo aquilo que ela descreve realmente aconteceu ou é apenas a raiva dela ao descrever o seu lado traído da história sobre sua relação com o marido.

Taraji atua em tamanha excelência, que é impossível não se identificar com sua personagem Melinda, você assume suas dores, a mulher traída que deu tudo de si, dinheiro, corpo, mente e alma, além do seu tempo para esse relacionamento e nos leva a ideia de que uma mulher apaixonada realmente pode cair numa furada. Toda a sua raiva e desgosto (acrimônia) que ela demonstra realmente nos faz torcer para que ela tenha um final feliz e até mesmo quem sabe, uma ótima vingança recheada servida fria.

Mas parece que o diretor se perde na reviravolta, a personagem em desgraça pelas próprias mãos, que o seu marido tão errado era apenas um homem muito sonhador e determinado somente por uma única coisa. E sim, o marido interpretado pelo ator Lyriq Bent é um egoísta que só pena nele mesmo e não enxerga todo o esforço que a sua esposa Melinda devota a relação dos dois. Mas ele também não se esforça para mostrar ao contrário e mesmo assim, Melinda sempre cai em suas desculpas e conversas baratas. 

Isso é, até o primeiro ato. A narrativa em primeira pessoa funciona muito bem, mas chega uma hora que a historia é contada por si só, apresentando ao espectador uma visão geral do fatos, fazendo entender que tudo foi um exagero e tudo aconteceu na cabeça de Melinda, isso faz perder o foco principal da história e na personagem principal, que começa como uma mulher explorada pelo marido para terminar como a louca ciumenta, o filme perdeu todo o sentido.

A todo momento a narrativa faz duvidar da sanidade de Melinda, pois desde jovem se mostra como uma pessoa explosiva, ficamos com o pé atrás em suas atitudes, mas ao temos a noção que se trata de um filme de vingança, então talvez fosse o jeito que o diretor pensou em contar que em alguma hora ela iria se vingar com toda a sua fúria, mas essa mesma vingança fica fracamente trabalhada do final do segundo ato para o terceiro. Quando somos apresentados a visão de Robert, a ideia dela se vingar dele se torna insana e sem nenhum motivo coerente, então o jogo vira e você acaba ficando do lado de Robert.  

Uma coisa é certa, existem filmes que são feitos para intrigar e fazer você pensar no que seria o certo ou errado, em qual lado escolher. Não é um filme que se auto explica, mas sim um filme de visão, de lados. Mas o caminho que o filme escolhe, tanto para sua personagem Melinda, é de um absurdo que quebra tudo o que foi construído no primeiro ato. Qual seria a ideia de Tyler Perry sobre o Acrimônia? Talvez só mesmo ele se pronunciando, quem sabe era para mostrar um relacionamento toxico para os dois e que o ranço faz a gente cometer loucuras. Só sei que quando tudo acabou tive mais duvidas do que respostas, se isso era a ideia de Perry podemos dizer que em Acrimônia ele conseguiu passar muito mais do que apenas algo sobre vingança.

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