C-Drama

CRÍTICA: Age Of Youth (2016) – 1º Temporada – Divertido, sexy, inteligente e atual!

Emissora: JTBC
Episódios: 12

CRÍTICA:

Os doramas estão mudando. Já estou notando desde muito tempo que as personagens femininas dentro de uma novela coreana estão crescendo para muito mais do que a mocinha que espera pelo mundo do mocinho chegar até ela. Claro que ainda existem certas tradições a serem cumpridas e certos dogmas de controle e educação a serem mesurados dentro da cultura coreana, mas para um tipo de entretenimento, fora o cinema, que busca a união de um público para todas as idades, isso é um grande avanço!
 
O dorama conta a história de Yoon Eun‑Jae, uma menina tímida do interior que entra para a Universidade e sai de casa para morar em uma republica só de mulheres. Ela precisa enfrentar as diferentes personalidades dentro de sua nova casa e também as dificuldades da sua nova rotina nesse novo mundo. Agora, o dorama poderia prolongar todos os doze episódios na vida de Eun-Jae e suas descobertas amorosas, mas escolhe fazer uma reviravolta maravilhosa com o mundo dessas cinco mulheres.
 
Tudo começa quando Song Ji‑Won (Park Eun‑bin), em uma noite de bebedeira, diz ter a habilidade de ver fantasmas e que dentro do apartamento delas habitava um espirito a procura de um assassino. Desde ai, descobrimos que todas elas possuem problemas que precisam enfrentar, esse fantasma se torna a metáfora de suas lutas diárias. O desenvolvimento de personagens desse dorama é incrível e fazia bastante tempo que eu não passava pela experiência de me identificar com personagens femininas coreanas. Age Of Youth é maravilhoso e extraordinário por esse fato.
 
Começamos pela própria Eun Jae. Sua infância, apesar de na primeira impressão, parecer tranquila e “fácil”, se mostra um dos seus maiores desafios. O seu “fantasma” se concentram na morte de seu pai, na imaturidade de sua mãe e na busca de alguém que a compreenda como mais do que uma menina tímida. No começo, Eu Jae é como toda mocinha principal de qualquer outro dorama, mas ela vai aos poucos se despindo de seus preconceitos, ganhando coragem e voz para falar o que ela realmente quer e lutar por aquilo que ela acredita.
 
Uma das surpresas foi a história de Jung Ye‑Eun (Seungyeon). Ela é a menina popular e amada que vive um relacionamento despreocupado e não tem consciência de seus atos trazem consequências. Claro que há o fator “há muito mais dentro dela do que a menina popular fútil”, mas experimentamos suas inseguranças, ainda mais por conta de seu relacionamento com Ji Il-Joo. Ela aguenta as traições, as mentiras e até os abusos psicológicos por acreditar que ninguém nunca irá amá-la ou a querer por sua verdadeira personalidade. Mas durante todo o dorama, ela luta por sua autoestima e mesmo sofrendo por esse amor ( seu fantasma, tanto romântico, quanto próprio), ela emerge sorrindo e com força para continuar.
 
Calma que as surpresas não pararam por ai, quando eu digo que esse dorama é melhor do que vocês esperam, acreditem, porque vocês ainda irão conhecer a Kang Yi‑Na – uma jovem que se prostitui para conseguir se sustentar – Como uma namorada de luxo, Yi-Na esconde o segredo de como sua vida foi salva depois de um acidente de carro. Ela carrega essa culpa, além de sua profissão, escondendo de suas amigas/colegas de casa, até a verdade vir a tona e ela precisar repensar em suas escolhas. Agora, isso é importante: Dentro da Ásia, profissões que envolvam o sexo recebem dois lados da verdade; o lado tabu, onde mulheres que prestam esse serviço são mal vistas pela sociedade e o lado exótico, onde funciona a perversidade masculina (Japão é um dos piores países sobre isso). Esses dois lados são mostrados com bastante sutiliza dentro da vida da personagem Yi-Na ( interpretada pela excelente e maravilhosa Ryu Hwayoung), pela forma como suas amigas descobrem a verdade e como a vida lida com mulheres assim. Mais uma vez, o desenvolvimento de personagens desse dorama é sensacional e como Yi-Na ESCOLHE mudar de vida, começando uma carreira do zero e crescendo, ela passa a experimentar os problemas da “vida real”, de forma natural e humana, conseguindo enfrentar seu “fantasma”, a vida.
 
A vidente Song Ji‑Won (Park Eun‑bin) é uma das personagens simples desse quinteto. Seu fantasma não é a falta de sua vida amorosa, mas encontrar uma razão para ser ela mesma e não o que os outros esperam. Isso leva ela a mentiras e situações que vão além de seu controle ( a festa dos homens? Uma das sequências mais engraçadas que já assisti em dorama!). Ela é o peso cômico, natural e descontraído de suas amigas, mas precisa lidar com a solidão romântica e com o dilema de sempre ser ela mesma perante os outros de seu interesse. Quando ela percebe que ela não precisa mudar por ninguém e que um dia talvez encontrará alguém que irá amá-la por quem ela realmente é, isso muda sua vida.
 
A amiga e personagem final é Yoon Jin‑Myung. Eu deixei ela para o final, justo por ela ser a perfeita antagonista de Yi-Na. As duas lidam com a vida de maneiras bem diferentes e ambas no final atingem o mesmo objetivo, viver por elas mesmas. O fantasma de Jin-Myung tem várias facetas, sua vida familiar, sua vida escolar, sua vida amorosa e seus objetivos de trabalho. Ela é pobre, não é considerada tão especialmente bonita, até mesmo por suas amigas e sempre está correndo atrasada para algum outro trabalho. Ela carrega essa tristeza constante dentro dela que é impossível não sentir ou não se identificar. Ela estuda vinte quatro horas por dia, trabalha vinte quatro horas por dia, mal tem tempo para lavar ou pentear o próprio cabelo e sempre está sem dinheiro e se afundando em dívidas. Ela é o exemplo de uma mulher batalhadora, que se recebesse uma chance, brilharia de forma incrível! ( A cena onde Ye‑Eun acha os bilhetes no lixo e que Yi-Na percebe a diferença entre elas pelo elemento do sapato, incrementa o senso real da vida dessas personagens). Quando ela finalmente resolve lutar por si mesma, acredito que ela teve o final perfeito, foi viver, experimentar, sonhar, amar e viajar, testar o mundo antes que suas pernas ficassem fracas demais de tanto trabalhar. Ela foi fazer algo que nunca havia se permitido antes: sonhar.
 
Esse dorama não poderia ter vindo em melhor hora para mim, no auge dos meus vinte e alguns anos. É divertido, sexy, engraçadíssimo, inteligente, atual e refrescante. Interpretações maravilhosas, com mensagens sobre amizade verdadeira, coragem, força de vontade, o que é a liberdade e como lidar com os problemas normais de nossos vinte e poucos anos; aprender a ser adulto nesse mundão de cada dia.
 
Estou realmente ansiosa para a segunda temporada, poder descobrir o desfecho dessas incríveis jovens mulheres e espero que essa venha ainda mais carregada de lições. Ah e não se esqueça: você é mais forte do que seu próprio fantasma.
 
 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Pseudo escritora, artista plástica nas horas vagas. Criadora e colunista principal do site Cinema ATM.

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