CRÍTICA

CRÍTICA: ANIQUILAÇÃO (2018) – Boa apresentação, mas cheio de pontas soltas!

Aniquilação é inspirada na obra literária de Jeff Vandermeer, que também leva o mesmo nome. O filme é sobre autodestruição das formas mais variadas, física, mental e espiritualmente. É levantada uma questão de relacionamento interpessoal e como elementos externos podem modificar a identidade de um indivíduo, mas essa questão ao mesmo tempo não é desenvolvida como o esperado.

A Área X está isolada do restante do mundo há um bom tempo, mas mesmo assim recebe expedições para investigação do local. Todas as expedições, até então, não tinham sobreviventes, até que um de seus voluntários retorna. Esse retorno, apesar de importante, não traz respostas sobre a área, na verdade só mais perguntas. O ‘soldado a retornar é esposo de uma bióloga, que para ter as respostas de como tudo aconteceu, se habilita a investigar essa área.

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Uma trama classificada como ficção científica, teria margem para entregar mais da, de fato, ficção científica. O autor da obra original, a classifica como “New wierd”, um termo que se encaixa melhor com a proposta e com o visual do filme.  Alex Garland é um nome de peso quando se trata de ficção científica, tendo na bagagem filmes como Extermínio (2002) e Dredd (2012), Garland fez sua estreia como diretor com Ex Machina (2014), um grandioso sci-fi, que levou o Oscar em efeitos visuais e indicado como Melhor Roteiro Original.

O casting do filme também teve um destaque a mais. O conforto dos atores encarando seus respectivos personagens, deixa tudo mais imersivo. Casting esse que conta com: Natalie Portman, Gina Rodriguez, Jennifer Jason Leigh, Oscar Isaac e Tessa Thompson. 

Variando entre calmaria, tensão e ação, o filme tem um esquema narrativo bem linear e comedido. Aniquilação de fato não é um filme para a massa, tanto que sua estreia foi cancelada nas telonas e a Netflix se encarregou desse processo de distribuição. O filme tem muitas questões abordadas, mas não se aprofunda nem trás respostas a quase nenhuma. Existem filmes que realmente deixam pontas soltas, mas que têm bases sólidas pra isso. No caso aqui, será necessário de um segundo filme para nós, espectadores, entendermos o primeiro.

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Por ter sido pensado para o cinema, o longa conta com muitas cenas idealizadas totalmente para essa distribuição. Infelizmente o publico não pôde tirar total proveito do grande trabalho da produção do filme. O orçamento apesar de baixo (comparado com outros filmes do mesmo gênero), conseguiu entregar um longa de altíssima qualidade, tanto visual, quanto tecnicamente. A direção de fotografia merece destaque por conta da sua criatividade para a
composição das cenas, efeitos visuais muito bem desenvolvidos e projeção de cenas bem originais.

Aniquilação pode sim ser considerado um grande filme, mas somente a partir de uma continuação (que traga respostas) é que vamos conseguir entender melhor o universo e a questão levantada na obra.

Sobre o Autor

Eduardo de Paulla
Fotógrafo, produtor audiovisual e colunista no site Cinema ATM.

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