cinema brasileiro

Crítica: Aquarius (2016)

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Lançamento: Setembro de 2016
Direção: Kleber Mendonça Filho
Roteiro: Kleber Mendonça Filho
ElencoSônia Braga, Maeve Jinkings, Humberto Carrão, Irandhir Santos, Julia Bernat… 

 

Crítica: 

 

Esse drama psicológico aprofunda a discussão sobre o velho acido que segue separando silenciosamente as castas sociais no país. Ladeada por um elenco de muitos rostos desconhecidos, Sonia Braga vibra feito um pulso solar. O diretor Kleber Mendonça Filho exerce pleno domínio da narrativa, sutilmente revelando detalhes inesperados. Sua edição delicada cria poesia em momentos simples e recortes oníricos, assinatura estética que o acompanha desde seus primeiros curtas.
Intenso, sensual e relevante nesses dias assombrados por tremores partidários.

Difícil começar a falar sobre Aquarius, não porque o filme é difícil e sim porque é difícil mensurar o que é visto na tela. Aquarius se tornou um gigante. 

Logo na primeira cena do filme nos é revelado as relações de história, memória e humanidade. Seja no carro, cantando Queen com os amigos, lembrando as aventuras sexuais executadas em cima de um móvel, seja no apartamento do prédio que dá nome ao filme. Aquarius é de uma rara humanidade, em que a personagem Clara vive o centro desafiador de suas memórias de vida naquele apartamento, mas não se isola de um mundo sempre novo e, obviamente, desafiador.

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Aquarius é um cinema de impecável qualidade. É raro ver, no cinema mundial, uma obra tão bem pensada e concebida. Poucas vezes tive o prazer de ver um filme que me completa na seção de todas as formas possíveis. É mais que uma experiência sensorial, é mais que uma história marcante. É a confluência de uma técnica impecável, atuações memoráveis, uma narrativa construída na perfeição e a manipulação de sentimentos, intrínseca a cada plano em uma verdadeira jornada emocional.

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Quando digo que este é um filme gigante é justamente isso: ele está aí para lhe tirar emoções fortes. Um filme que liberta, seja sua personagem, seja sua plateia. Assistir Aquarius é uma catarse pura. Ver a maestria da direção de Kleber Mendonça Filho, que não deixa segura, sem deixar escapar por nenhuma fresta, transformando essa peça em um filme impecável, ideal e belíssimo. E Sonia Braga, que transcende a linha entre atriz e personagem em uma confluência de personalidade incrível, é poder presenciar história sendo feita no cinema. Aquarius não é um filme como poucos. Um que, com esperanças, olha para o hoje em busca de um melhor amanhã. É universal. É brasileiro. É cinema nacional. 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Pseudo escritora, artista plástica nas horas vagas. Criadora e colunista principal do site Cinema ATM.

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