CINEMA

CRÍTICA: AS BOAS MANEIRAS – Fantasia nacional conquista em drama e suspense!

Esse ano o cinema brasileiro anda inovando mais do que já estamos acostumado a ver na telona. Com temas bem fora do comum, tirando aquela mesmice que já estamos cansados de ver sempre no cinema brasileiro, dramático, violento e cômico. Marco Dutra e Juliana Rojas que já tinham feito dubla no longa Trabalhar Cansa (2011), que mesmo com um roteiro falha ainda é um longa bem estruturado comum um ritmo elevado em criar uma atmosfera aterrorizante, acertam novamente com o terror\psicológico de fantasia “Boas Maneiras“. 

Tudo começa contando com Ana – interpretada pela talentosíssima Marjorie Estiano – uma mulher de classe alta, engravida fora das maneiras que a família permitiria é afastada para evitar a vergonha. Com o bebe a caminho ela decide contratar um empregada que fique praticamente 24 horas com ela, ai entra nossa outra personagem Clara vivida por Isabél Zuaa, a trama começa a ficar estranha pelo o seu envolvimento com Ana, que tem distúrbios noturnos causados pela gravidez.

As Boas Maneiras é apresentado em duas partes, a primeira contando aos poucos o envolvimento de Ana com a Clara, mostrando a diferença de desigualdade social e racial entre as duas ate a parte que ela se envolvem realmente. A preocupação da gravidez indesejável, Ana mostra os medo de um Elite que dependente da classe mais baixa, dando abertura para que Clara, mesmo que tímida no começo, evolua em seus desejos secretos e objetivos. Os diretores souberam usar as artimanhas de colocar gravuras animadas para criar um tom escuro, deixando tudo com um ar mais sombrio, ate mesmo o CGI não incomodou, não é algo as sete maravilhas, mas consegue entregar um bom trabalho. A primeira parte do filme termina muito bem, ate acho que poderia ter terminado ali, gostei muito mais da primeira parte do que a segunda, pois a diferença é bem grande.

Os diretores usaram um trecho musical para fazer um virada do primeira parte para segunda, no começo achei estranho, mas se formos tratar como um filme de fantasia ate que faz um belo sentindo. O primeiro ato falava do começo de um relacionamento e de desigualdade e o segundo já fala da maternidade. O que me deixou incomodada foi a apresentação final da personagem Clara. A segunda parte e bem mais fraca comparada com a primeira, temos um final sem desfecho completo, mas ainda assim, conseguimos entender a dinâmica entre mãe e filho. 

A fotografia do filme trabalha com transições de cores ara entregar ao expectador o desenvolvimentos dos personagens. Com tons azuis e alaranjados, aplicados ao uso de efeitos especiais, assistimos a tudo como se fosse uma história recém saída de um livro animado. O contraste é usado bastante, seja nas cores ou no enredo e nas personagens. Ana é uma personagem mais extrovertida, animada e se que se emociona em cena, Estiano conseguiu entregar uma ótima atuação no papel de Ana, já Zuaa fica em uma atuação meia boca, prefiro acreditar que Clara seja a personagem oposto de Ana, Clara é mais fechada e calada e muito neutra com seus sentimentos, fria na maior parte, isso talvez não seja culpa da atriz, mas  mais da direção que quis trabalhar. 

Se o filme terá o lobisomem? Acho injusto falar que esse é um filme sobre lobisomem, por mais que o personagem exista no filme, não é o foco e sim o relacionamento e depois o assunto da maternidade. As Boas Maneiras tem seus altos e baixos, o roteiro é bem original, é um drama contemporâneo, misturando com sobrenatural. É um filme que surpreende muito e sua mensagem é bem vista ao olhos do publico. Afinal, os monstros que tememos, são gerados e criados por nós.

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