AS GAROTAS DA TRAGÉDIA (2017) – CRÍTICA

“Torcer contra os mocinhos seria a nova fórmula de sucesso do cinema slasher?”

Quem aqui no fundo não é um pouco fã de um terrozinho slasher, que atire a primeira pedra. A verdade é que o gênero ainda leva muita gente aos cinemas e mesmo que a fórmula nunca mude, sempre estamos torcendo para que nossos mocinhos não façam o óbvio – “PELO AMOR DE DEUS, A ESCADA NÃO” – mesmo sabendo que eles farão.  Porém, os slashers estão, digamos que, colocando uma nova roupagem nos nossos clichês tão característicos e esse é o caso de As Garotas da Tragédia (Tragedy Girls) de Tyler MacIntyre, que veio para mostrar que é possível reinventar a antiga fórmula sem abrir mão da sua essência.

Na trama acompanhamos as amigas Sadie (Brianna Hildebrand) e McKayla (Alexandra Shipp), duas psicopatas obcecadas por assassinatos que, ao capturarem o serial killer, Lowell (Kevin Durand) que anda cometendo crimes pela cidade, veem a oportunidade de que ele as ensine tudo que sabe. Diante da negativa, as jovens resolvem buscar suas próprias vítimas enquanto galgam a fama em seu blog “Tragedy Girls”.

As Garotas da Tragédia poderia ser igual a qualquer outro filme do subgênero, mas ele não é, os únicos minutos em que pensamos que seria mais do mesmo são os 5 primeiros, a partir daí a gente muda de ideia. O roteiro é inteligente, satírico, repleto de referências aos clássicos do subgênero, desconstrói todos os clichês e conta com uma excelente construção das suas protagonistas.

Sadie e Mckayla não dão chance para que nenhum mocinho roube a nossa atenção. É impressionante o quanto nos afeiçoamos por elas logo no começo, sabemos quem elas são e as amamos mesmo assim.

Ambas são frias, calculistas, encaram a violência com naturalidade e não possuem travas para conseguirem o que querem, não importa quem precisem passar por cima. Devemos esse fato a excelente química entre Brianna Hildebrand (Deadpool 1 e 2) e Alexandra Shipp (Com amor, Simon) que com muita competência nos entregam as anti-heroínas mais fáceis de amar que eu já vi. Você vai torcer por elas, é inevitável (não diga que não avisei).

Tendo as personalidades das nossas protagonistas bem definidas, é prudente falar que o longa é violento da forma mais natural possível justamente por suas protagonistas encararem violência e morte dessa forma. Todas as mortes são carregadas de humor já que as assassinas também enxergam a essa maneira, para elas tudo é muito divertido e é por esse viés que As Garotas da Tragédia é conduzido.

As Garotas da Tragédia é competente em todos os seus aspectos, os clichês, as referências, o humor, o gore, a trilha e a fotografia, tudo é muito bem colocado. Até os personagens com menos tempo em tela são muito bem aproveitados dentro da narrativa, como é o caso do Xerife que nunca aceita o fato de que existe um serial killer na cidade, vivido pelo ator Timothy V. Murphy (A Lenda do Tesouro Perdido: Livro dos Segredos), e as participações de Craig Robinson (A Ressaca) e Josh Hutcherson (Jogos Vorazes) que nos entregam duas das cenas mais impagáveis do longa.

As Garotas da Tragédia é um acerto dentro do subgênero, se você é fã do segmento não pode deixar de conferir.

CURIOSIDADES

  • O roteiro faz referência a filmes do gênero e menciona filmes como Premonição (Final Destination, 2000) e Mártires (Martyrs, 2008). 
  • Os sobrenomes das protagonistas Sadie Cunningahm e McKayla Hooper fazem referência aos diretores Sean S. Cunningahm (Sexta Feira 13) e Tobe Hooper (O Massacre da Serra Elétrica)

Nota: 8


Sobre o Autor

Paula C. Carvalho
Graduanda em História pela UFRRJ e aspirante a crítica de cinema. Viciada em cinema, maratonas de series e viagens literárias.