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Crítica: Audrie & Daisy (2016)

Direção: Bonni Cohen e John Shenk

Produção: Bonni Cohen, Sara Dosa e Richard Berge

[TW: Abuso, Suicídio]

Sinopse: Em duas cidades de locais diferentes dos Estados Unidos, duas adolescentes são vítimas de estupro em uma festa em que são dopadas por garotos que consideravam seus amigos. Após a violência, elas são assediadas virtualmente, e a depressão e a vergonha as encaminham para o suicídio, e tragicamente, uma delas morre. Audrie & Daisy explora a perspectiva dos adolescentes e suas famílias, incluindo os meninos envolvidos e as garotas dispostas a falar publicamente pela primeira vez.

 

Crítica: 

Audrie & Daisy é um documentário sobre casos de diversas jovens de diferentes cidades americanas que passam pelo mesmo pesadelo : a violência sexual praticada por pessoas que elas conheciam e consideravam amigos.

Ia escrever a crítica logo após terminar de assistir mas simplesmente não consegui, quando se termina a sensação de impotência é tão grande que eu não consegui fazer muita coisa útil depois. É sério.

O doc começa nos apresentando Audrie e a vida dela, jovem, na escola ainda, terminando o ensino médio, a realidade de várias garotas. Dois jovens são apresentados com suas identidades preservadas em forma de animação, o que achei que super bom tom, que dá uma impressão de uma tentativa bem sucedida de não deixar o documentário virar apenas um desses programas de crimes.  Bem aos poucos somos apresentadas ao crime que aconteceu com Audrie e a maneira triste que ela encontrou de resolver a profunda vergonha que sentia, por algo que ela não tinha culpa. Quando a gente dá de cara com esse desfecho percebe que os próximos minutos não serão fáceis. De forma alguma. Audrie deu uma festa, bebeu demais e teve o corpo inteiro riscado com marcadores, teve esses marcadores colocados em seu corpo, foi abusada sexualmente e teve fotos tiradas e expostas a escola inteira. Audrie não resistiu a pressão de ser abusada e exposta por seus amigos. Audrie se suicidou aos 14 anos.

Misturando os depoimentos da família, da amiga de Audrie e de seus agressores, vamos sendo conduzidos a história de Daisy, que vive em uma cidade completamente diferente e distante de Audrie mas que tem história semelhante. Daisy é a unica filha mulher numa família com 4 filhos, precisou lidar cedo com a perda do pai, era líder de torcida. Foi abusada por “amigos” de um dos seus irmãos, enquanto estava desacordada por ter bebido demais, junto da amiga Paige, foi abandonada na frente de casa numa noite de temperatura negativa. Foi encontrada no outro dia pela mãe, que imediatamente a levou para o hospital. Lá foi constato o abuso.

Depois de todas essas informações chocantes, somos apresentados a um novo personagem : o xerife da cidade de Daisy, responsável pela investigação. Não preciso nem dizer para vocês que essa parte consegue ser tão assustadora quanto as de violência. O xerife vangloria-se o tempo todo da duração das investigações : 4 horas e faz declarações machistas como “a culpa é sempre dos garotos, e não deveria, garotas erram o tempo todo” –  sendo que ele tem duas filhas, mérito do documentário fazer com que façamos essa ligação.

Embora essa enxurrada de tragédia que somos expostas todos os dias, o fim do documentário mostra uma advogada que resolveu unir o grupo de garotas que aparecem no documentário para que elas sejam como porta vozes de como os casos de violência ocorrem cada vez mais cedo, praticados por garotos que tem a certeza que sairão impunes.

Nota para a fala de um dos agressores de Audrie que, quando questionado sobre o que aprendeu no processo, responde “Garotas são muito fofoqueiras” É DE MORREEEER

Audrie & Daisy é um documentário super importante no momento em que vivemos para nos ajudar a sermos ouvidas, é um excelente meio de mostrar como a cultura do estrupo é justificada e vendida como algo natural quando não deveria ser! Vejam, mostrem para suas irmãs, mães, amigas, vizinhas, mostrem que elas não estão sozinhas, que juntas podemos reagir!

 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Pseudo escritora, artista plástica nas horas vagas. Criadora e colunista principal do site Cinema ATM.

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