CRÍTICA: BASEADO EM FATOS REAIS (2017) – Polanski brinca com os expectadores!

Alguns dos mais famosos (e melhores) trabalhos de Polanski, como Chinatown e O Pianista, podem não ter sua famosa obsessão, extremamente psicológica, mas seu último filme, depois de dois dramas ambientados em teatro, é com Baseado Em Fatos Reais que o diretor marca o retorno ao seu terreno mais familiar. 

As críticas negativas que o filme recebeu, ao meu ver, é o resultado de uma maneira incorreta de esperar uma narrativa cheia de reviravoltas na história. Não. Polanski não está interessado nesse jeito usual, mesmo que ele não esteja fazendo nada de revolucionário aqui também. De fato, a queda do filme é realmente a abordagem “aberta” de Polanski, como se ele estivesse apenas brincando com linguagem e forma cinematográfica para provar um aspecto técnico e enérgico de uma narrativa, apesar de dar sua própria visão dos temas do filme.

Em um roteiro tão enredado nas personas auto-consumíveis das personagens intercambiáveis ​​(Polanski também recebe ajuda no roteiro de outro explorador abertamente obsessivo e fetichista, o roteirista Olivier Assayas) Polanski tece uma rede lenta de inserções expressionistas, explorações tentadoras de suas duas personagens. O olhar das atrizes principais e um colapso como realidade e sonho/fantasia tornam-se inextricavelmente inerentes. Como uma meditação velada sobre identidade, processo criativo e o ritual de auto-consumo de arte e vida, fantasia e realidade, Polanski conduz o filme com um aperto constante de tensão (principalmente após o segundo ato), cheio de referências Hitchcockianas e metadiegéticas, psicológicas e se você piscar os olhos, às vezes de maneira abertamente irônica.
Acima de tudo, temos a sensação de que Polanski realmente se divertiu fazendo isso, e ele nos diverte muito com seu conhecimento magistral e o manejo da linguagem cinematográfica e da narrativa do filme para uma resposta dramática e emocional. Talvez não tenha uma verdadeira ‘identidade’ sobre o que é o verdadeiro ponto aqui, mais do que apenas fazer um filme realmente limpo.

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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