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Crítica: Bela e a Fera (2017)

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Lançamento: Março de 2017 
Direção: Bill Condon
Música composta por: Alan Menken
Elenco: Emma Watson, Dan Stevens, Luke Evans, Josh Gad…  

Crítica:

Quando foi anunciado, lá na primeira metade de 2015, que a Disney estava pronta para realizar a adaptação live-action de Bela e Fera, as expectativas foram no teto e se recusaram a descer. Depois de Cinderella e Branca de Neve, B&F é o clássico dos clássicos e é claro, que esperávamos nada mais que excelência, já que crescemos assistindo a essa animação que marcou nossas infâncias. 

Mas, mesmo depois de Mogli, muito foi criticado, especulado, esperado, incluindo as escolhas para o elenco como Emma Watson para Bela, como seria a transformação dos personagens, a trilha sonora, tudo isso o público só exigiu e comandou. E qual foi o resultado?  Bom, posso dizer que, a Disney ouviu e considerou cada aspecto dessa ideia e transformou nesta belíssima adaptação! Mas seguiremos por partes, está bem? Começando pelo trio principal. 

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Emma Watson seguiu em frente, cresceu, se transformou e encarnou Bela de uma maneira completamente diferente! A Bela da animação existe aqui, mas com um toque fresco de veracidade que não exista antes na animação. Ela é esperta, ela pensa rápido, ela luta. Ela não é uma “princesa” contra o Gaston. Claro, continua irrealmente romântica e fictícia, mas funciona de uma forma muito mais acessível para o público, graças ao toque da atriz. Muitos talvez possam reclamar de sua atuação e duvidarem da sua voz, mas se fecharmos os olhos, quando ela canta, iremos sentir os tons próprios da atriz e isso está bem marcado. Uma escolha ousada que se transformou na certeza. 

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Por Dan Stevens eu assumo que possuía minhas dúvidas, desde o CGI até a interpretação. Não, não me levem a mal, acompanho a carreira dele muito antes de Downton Abbey, mas eu não sabia se ele seria a escolha certa para interpretar nossa Fera, o Príncipe Adam. Contando, com essa nova característica, esse mesmo frescor de Emma, acompanhados pelas situações da evolução da história, Dan seguiu um ritmo jovial, sexy ( extremamente, devo dizer), engraçado e romântico que apenas imaginamos na animação. E aqui construímos esses personagens. Eles levam tempo, eles se conhecem, eles se apaixonam, trocam ideias, experimentam a convivência. O CGI tá perfeito? Não, mas funciona, é prático e entrega a mensagem certa. Tá aceitável. É 2010, mas tá aceitável. 

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Luke Evans se transformou, deixou de ser o irritante de Hobbit ao Drácula fajuto para crescer e se tornar Gaston, o nosso vilão, e o roteiro… Que roteiro! Existiu diversos momentos em que eu já sabia exatamente do que os personagens iriam dizer e era impossível não repetir. Ressaltando que, eu tenho uma implicância com Josh Gad, desde que ele dublou o Olaf – que é extremamente irritante -, mas como Lefou, inteligente, engraçado, timing, line up… Um personagem não tão importante na animação, mas que acompanha essa nova ideia com sabor e sagacidade, essa é a palavra. O cara foi sensacional. 

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Muitas das reclamações foram justamente essas, a história cresce ao redor dos personagens e da temática. Ela acompanha a montagem, mas ela dialoga com a imaginação, já que a motivação principal é criar um ambiente familiar no filme e isso é constante! É como assistir “de novo”, algo completamente novo, mas com todas as referências que poderíamos imaginar! Alan Menken fez um trabalho EXCEPCIONAL – e me deixem colocar isso em caixa alta com ponto de exclamação! – Está palpável seu trabalho com o elenco, com a repaginada na trilha sonora antiga, na construção de novas músicas – a música da Fera? Excelente! -, como a trilha funciona com a construção e evolução desses personagens… E é uma coisa bem certa, a trilha é, sem dúvida, 75% desse filme. Sem tirar nem por. 

Direção de arte, fotografia, concept… Tudo isso, desde Cinderella, Malévola… Cresceu, de uma forma positiva aqui, porque não temos o exagero. A Disney realmente estudou e prestou atenção nas ideias e críticas de seu público. Como eu disse, está aceitável, mas funciona e muito bem! É simples, é clean, os detalhes é que são importantes. Acredito que a cena mais exagerada foi na hora da canção “Seja Nossa Convidada” – com referências bem claras com a animação – mas a cena pedia isso e foi… – acabou meus elogios… – 

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Para os pontos negativos eu levo para o elenco coadjuvante, exceto Emma Thompson, porque é impossível ela fazer algo de errado na vida e Kevin Kline, mas Ewan McGregor ficava melhor como candelario, depois que ele se transformou em humano ele simplesmente não cabia no personagem. A Guarda-Roupa foi incrível, o Piano fazendo correspondência ao “Natal Encantado da Bela e a Fera”… Tudo isso ficou muito bem pensado e aplicado.

Os momentos inteligentes vão desde as as menções da adaptação do remake de 2014, com as estátuas das gazelas, as rosas, o labirinto, a floresta se transformar ao redor, a junção com o musical da Broadway… Até a criação dos pequenos detalhes, como o rosto de Lumière quando começa a cantar ou até a sutil ideia do castelo se destruindo a cada pétala que caia, o livro que podemos viajar, quem seria a mãe da Bela… Bem pensado, com muito cuidado e foi pensado para gente. 

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Claro, muitos não irão gostar, muitos irão reclamar porque não foi TÃÃÃÃOOO fiel a animação assim, mas só pelo fato da Disney ter considerado tudo isso envolvendo o universo da Bela e a Fera, eu dou, livremente, cinco estrelas. Vale cada centavo do ingresso, cada brinde, cada trailer, cada propaganda. Não apenas pela história, mas para o que ganhamos de presente com essa adaptação, que foi um sonho realizado depois de quase vinte anos em espera. 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Pseudo escritora, artista plástica nas horas vagas. Criadora e colunista principal do site Cinema ATM.

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