BROOKLYN ( 2015 ) – CRÍTICA :

BROOKLYN: A SINTONIA HARMONIOSA DE UM SONHO

Poderia dizer que Brooklyn e se trata de um drama em que uma garota precisa decidir entre ficar em casa ou o amor de sua vida.  Mas não direi isso. Não. Esse filme se trata de uma aventura, onde o caminho as vezes pode parecer duro e você sente que ela não vai conseguir e vai acabar se entregando a rotina do conhecido. Mas então, o sol aparece e uma força surge do fundo do estomago e você consegue presenciar o nascimento da coragem. Essa mesma coragem que pode lhe trazer seus sonhos.  

Eilis é uma doce garota e o trabalho da atriz garante que nos encontremos em Eillis muitas vezes. Pode não parecer, mas seus grandes olhos azuis são fortes e determinados a encontrar a felicidade, fazer seu próprio lar. 

Saoirse Ronan, cresceu e se tornou em mulher com grande talento, sua delicadeza surpreende muitas vezes pela personalidade de Eillis, uma menina calada, escondendo toda essa incrível força interior, aos poucos cresce e se torna uma mulher independente, pronta para enfrentar esse grande novo mundo. 

Brooklyn

 
A fotografia de Yves Bélanger é refrescante, mesmo nos momentos de tensão, que o filme nos dá aquela certa apreensão sobre a vida de Eillis, o tom de toda a filmagem permite calma e isso não é só um conjunto da fotografia, mas também todo o trabalho dos diretores de casting, produtores e elenco, que transforma Brooklyn, uma cidade a mais que moderna em uma gigante e incrível maquina do tempo com suas vitrines e ruas, desde as roupas até a pequena escova de dente. 

Com essa incrível palheta clara em tons de amarelo, verde e ocasionalmente algum floral, mostrando a verdadeira personalidade de Eillis e isso transforma o filme. Suas nuances em marrom ou cores pouco mais escuras contrastam com o tom da cidade e sua natureza bruta, com a história desses personagens que querem apenas encontrar um lugar para chamar de lar. 

 
Brooklyn

E como toda a mudança acontece, Eillis também se apaixona. Por Emory Cohen, que interpreta Tony Fiorello, descendente de italianos, gentil, trabalhador e incrivelmente apaixonada por essa irlandesa tímida. A construção do romantismo ao redor de Tony e Eillis não tem pressa. O segurar de uma mão, um abraço, até mesmo o “eu te amo” é colocado de forma ingênua. E o ator lidera muito bem essa direção para Tony, sua delicadeza selvagem totalmente devotada a Eillis. 

 
O núcleo da Irlanda não está para mostrar o quanto a vida de Eillis era boa ou ruim, até porque em algum momento, Jim Farrell, interpretado por Domhnall Gleeson parece mesmo um excelente partido para a nova Eillis, aquela pronta para enfrentar mundo, mas ficar seria o mesmo que regredir para aquela vida, em que suas decisões e opiniões ficavam escondidos atrás da boa educação. Até mesmo as garotas da pensão de Mama Kehoe por suas frivolidades, servem para representar todo o novo mundo de Eillis.
Brooklyn
 
Brooklyn nos dá aquela incrível sensação de conquista. Aquele mesmo sentimento que pulsa dentro da gente quando depois de uma pesada tempestade. O sol surge, colocando faixes de luz no verde das folhas, o céu ainda nem está completamente claro. Mas dentro de nós podemos simplesmente sair pelo mundo, capazes de conquistar todos os nossos sonhos.

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *