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CRÍTICA: CAFÉ (2018) – A realização da vida em três histórias diferentes.

Aprendemos que a vida é feita de sabores igual o café, amargo, azedo e um pouco de doçura aromática. É nessa mistura de sabores que conhecemos três historias que o diretor Cristiano Bortone nos apresenta, passando por três países diferentes Bélgica, Itália e China, refletindo nas incertezas e decisões tomadas pelos nossos protagonistas, interligando essas culturas tão diferentes por algo tão simples e complicado, ao mesmo tempo, como o café.

Na Bélgica somos apresentados a historia de Hamed (Hichem Yacoubi) que tem o seu valioso bule de família roubado dentro da sua loja, que foi saquiada durante um tumulto. O ladrão Vincent (Arne De Tremerie) deixa a pista do seu paradeiro e Hamed vai atras em busca do seu precioso artefato e vingança. Na Itália conhecemos a historia de Renzo (Dario Aita) um jovem especialista em café que perde o seu emprego, em busca de um vida melhor muda de cidade com sua namorada Gaia, (Miriam Dalmazio ) mas suas escolhas acabam levando ele para um roubo de um café exótico que custa muito dinheiro. Na China, Ren Fei (Fangsheng Lu), um homem bem sucedido descobre que a empresa que ele trabalha tem uma fabrica que pode destruir um vale na região que cultiva uns dos grãos de café mais ricos da região.

Bortone conta essas histórias como fábulas sobre lições de morais, onde os conflitos raciais e a vida de Hamed são temas vistos com menos interesse do que os interesses da população local. E as questões sobre certo e errado em relação a dinheiro são colocados a prova no filme. O tom da fotografia das paisagens chinesas irão lhe tirar do eixo de tão belas que são, acrescentando o cinza suave da cidade, e os tons vivos e brilhantes do interior. Por mais que as historias sejam contadas simultaneamente, o diretor consegue colocar na tela uma empatia e um sabor que não tem como você não se importar com as três historias, com cada um dos personagens específicos das tramas.

O diálogos são apresentados nos idiomas locais de cada um, sem pressa, onde o espectador consegue ler a legenda com tranquilidade e prestar atenção em cada detalhe da cena. Na cena especifica onde Ren descreve com detalhes a sensação do café no paladar é tão sensitiva que é possível experimentar o gosto, o aroma e inevitavelmente chegam as lembranças mais simples invade nossos pensamentos. 

Mesmo que no final o ritmo da conclusão caia um pouco, Café consegue ser um filme muito bem executado, com seus defeitos e qualidades, ainda assim tem muito mais que oferecer do que um café quente, o amargo de uma vida cheia de preconceitos, o azedo de um escolha errada e a doçura de fazer a coisa certa. Bortone faz um filme para os amantes da bebida e até mesmo para aqueles que não gostam, vão amar Café.

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