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Crítica: A Chegada (2016)

Lançamento: Novembro de 2016 
Direção: Denis Villeneuve
Música composta por: Jóhann Jóhannsson
Elenco: Amy Adams, Jeremy Renner, Ruth Chiang, Forest Whitaker… 

Crítica: 

Tenho a certeza em afirmar que, Stanley Kubrick e Michael Crichton habitam em Denis Villeneuve. 
Toda a temática alienígena, em que nos deparamos com seres de outros mundo – ou Universos – dentro de nosso habitat natural, exala uma especia de dúvida e medo. Em primeiro, porquê não se trata apenas de uma ação ficcional como em “Alien – O 8º Passageiro”, não estamos mais falando sobre a sobrevivência da raça humana na batalha de recursos de “Independence Day”. Na verdade, estamos conversando constantemente sobre a própria existência, o próprio saber e nosso lugar dentro desse vasto Infinito. 
A ciência não se torna mais uma sinal de evolução, mas sim uma questão de sobrevivência, que se consome em sempre buscar mais poder. 
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A principal ideia de Arrival é que, o conhecimento e a compaixão irão se tornar os elementos da salvação do mundo. O filme se dá com a resposta da humanidade perante a chegada de doze receptáculos aliens que pousam na superfície da terrestre, sem tomar qualquer ação, simplesmente pousando passivamente em nossa atmosfera. O exército americano chama Louise,  – personagem de Amy Adams, uma linguista experiente, a melhor de sua área – para tentar se comunicar, -uma boa nota de encorajamento evidenciando que Hollywwod está mais interessado, agora, em colocar pensadores como heróis, ao invés do clássico “american cowboy soldier” para salvar o dia -. 
O filme, essencialmente, segue Louise lutando para compreender a língua alienígena; enquanto tenta intervir das decisões bélicas do poder militar doméstico e estrangeiro, levando a “conversa” como uma melhor opção para uma direta forma de comunicação. Ela realmente é a pessoa mais emocional da base, enquanto suas tentativas de comunicação com os aliens a remete para dolorosas lembranças de seu intenso passado, essa emoção, para nossa surpresa, não é uma fraqueza, mas um senso único de força, conforme o filme segue preocupado em mostrar como os seres humanos saem da idealização e lidam com o medo e tragédia; como renascemos por isso ao invés de nos determos pelos obstáculos. A força de Louise em lutar por aquilo que ela acredita, saber exatamente suas habilidades e limites é o que melhor define Arrival
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Claro que levamos isso como uma percepção subjetiva. A ideia do filme segue por margem de interpretação. Há muita evidência lá fora que afirma que não sabemos como as percepções diferenciam até que tenhamos uma palavra anexada a ela, por exemplo, podemos ver o amarelo, mas até que conheçamos a palavra amarelo, o amarelo é indistinguível. Num plano semelhante, as emoções são tão inexploradas em termos de potencial linguístico. Nosso espectro emocional é vasto e indefinível, mas para articular como sentimos que recorremos a um pequeno conjunto de palavras para descrevê-los. Uma vez que surgem as palavras certas que se integram em nosso vocabulário, somos capazes de descrever nossos sentimentos de uma melhor forma e, sendo assim, temos uma capacidade maior em empatia e criamos um senso de razão. Essa incrível capacidade linguística por aprendizado nos fornece o meio de perceber o mundo. 
Essa é a ideia básica de Arrival. Que, ao encontrarmos uma espécie, tão diferente da nossa, a única maneira de se conectar e se comunicar de verdade com eles, é mergulhar completamente no que eles estão vendo, pensando e sentindo. Para podermos adentrar seu mundo, melhor entender, empatia. Encontrar uma maneira diferente e assustadoramente nova de ver, um conceito que muitos enxergam e  opõem aos fins da Terra. Em um nível menor; Isto se estende à comunicação entre povos de raça, gênero, crença. A empatia é extremamente necessária. A clareza com que falamos e articulamos nossas intenções é quase tão importante quanto o conteúdo real da mensagem. Arrival é um lembrete de que as nuances verbais são, por vezes, precursores de destruição em massa. Ou, a melhor arma para a salvação. 
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Um dos meus diretores favoritos, e certamente um dos melhores diretores dos tempos de hoje, Denis Villeneuve tem provado ser um mestre em tom e visão. Visualmente e através de pistas musicais, ele constrói ricos cenários,  texturas e paisagens sonoras; Estranhas e muito significativas. A primeira interação do ser humano com o alien é tão maravilhosamente construída tão impecável em forma de execução, que brinca com referencias de alguns clássicos da ficção científica, mas ainda consegue trazer algo completamente refrescante e novo. Ele mantém isso durante todo o filme, mudando de sci-fi  para um poderoso impacto emocional com um simples truque de luz e som.  Eu estava totalmente imersa do começo ao fim.
Temos a capacidade de sermos grandes, mas desperdiçamos com ignorância e preconceito. A necessidade de Louise de decifrar essa linguagem alien não é diferente da nossa própria necessidade de simplesmente falar com aqueles que se opõem a nós, e se comunicar com aqueles que tememos. Eu não estou dizendo que esta é a solução universal, mas certamente é um método que poderia ser aplicado com mais frequência  As palavras têm um significado além do que podemos imaginar. Este filme é um lembrete de que a comunicação oferece o melhor caminho para a humanidade; Uma luz brilhante em um mundo de incertezas preocupantes. Villeneuve fornece a ideia essencial e complexa a este filme. Enquanto Adams fornece a humanidade que o transforma em algo verdadeiramente lindo. 
Eu preciso ver isso novamente para de uma forma mais técnica, pensar de forma geral como um filme, para, talvez assim,  construir uma crítica mais prática. Mas é  porque dessa primeira vez eu só tinha olhos para a mensagem. Esse definitivamente, é o meu tipo de sci-fi.

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Pseudo escritora, artista plástica nas horas vagas. Criadora e colunista principal do site Cinema ATM.

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