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CRÍTICA: CHRISTOPHER ROBIN – A Disney nos trouxe um presente!

Sendo bem sincero, Ursinho Pooh e seus amigos não fizeram muito parte da minha infância. Então não fui assistir ao novo trabalho do diretor Marc Foster (Guerra Mundial Z) com nenhum tipo de sentimento nostálgico. Mas uma obra deve funcionar por si só, independente do que veio antes. E devo dizer, essa funciona muito bem.  A Disney segue transformando personagens clássicos de suas animações em personagens realistas. O filme conta a história de Christopher Robin, aqui vivido por Ewan McGregor (Trainspotting), quando ele deixa sua infância e consequentemente seus amigos do Bosque dos 100 Acres. Ele conhece um amor, constrói uma família, vai para a guerra, volta e se torna um viciado em trabalho. Não passa tempo com sua família.

É em um momento de crise familiar e profissional que Pooh reaparece. E busca Christopher para ajudá-lo a achar seus amigos perdidos. O ursinho está ali para ensinar uma lição a ele. Ele vai acabar achando uma parte dele mesmo que se perdeu com o passar dos anos. Mesmo que ele não saiba disso. Os outros personagens só aparecem quando Christopher resolve abraçar sua infância e aí ele lembra do que realmente importa e que muitas vezes deixamos passar. No filme, não há um vilão definido. O mais próximo disso, é o chefe da fábrica de malas em que Christopher trabalha, Giles, vivido por Mark Gatiss (Sherlock BBC). Que pressiona seus funcionários por mais horas de trabalho e espera que Robin se sacrifique e sacrifique seu tempo em família em favor da empresa. 

Christopher Robin tem uma paleta de cores acinzentada. Ao contrário dos outros filmes da Disney que são exageradamente coloridos, aqui o clima é londrino. Sempre nublado. Somando isso a uma trilha sonora, com tons por vezes melancólicos, mesmo com sobressaltos alegres, o clima de inocência e a ternura predominam, mesmo que nem sempre alegres. O meu problema é o seu final feliz demais. Não. Não sou contra finais felizes. Na verdade, gosto muito deles. Deixa eu me explicar melhor:

Para mim, era bem claro que aquilo tudo fazia parte da imaginação do protagonista. Existe inclusive um estudo, que aponta que cada um dos personagens representa um tipo de distúrbio mental (TDAH, ansiedade, hiperativismo, depressão, TOC ) e que o Christopher Robin era a criança que ia para aquele mundo como uma forma de escape. Então no momento em que eles vão para o mundo real e todos podem vê- los se mexendo ou falando, a magia meio que se perde e tudo vira um tipo de Toy Story.

Mas entendo que a maioria não vai se incomodar com isso e que o propósito é ser uma reimaginação para o público em geral. A verdade é que Christopher Robin vai acertar em cheio o coração da criançada, mas quem vai sair encantado do cinema vai ser você! 

Ah, e fica a lição: nunca se esqueça de fazer nada com quem importa para você. Afinal, a vida é feita desses momentos.

Sobre o Autor

Guilherme Loureiro
Apaixonado por filmes desde que se entende por gente, carioca, aventureiro por natureza, vai o máximo que consegue ao cinema mas não perde a chance de ficar em casa pra assistir aquele filminho. Projetista e Designer de Interiores nas horas vagas (...err).

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