CINEMA

CRÍTICA: COLHEITA AMARGA (2018) – Perda de tempo, de talento… de tudo!

Colheita Amarga, embora seja um filme que carrega uma história importante, sem dúvida, é um potencial desperdiçado. Uma bagunça com péssima produção, má atuação e edição. O filme consegue não apenas ser supremamente entediante, mas também supremamente ruim em todos os sentidos da palavra.
Situado durante o Holodomor em 1930 na Ucrânia, dois amantes, Yuri – interpretado por Max Irons – e Natalka – interpretada por Samantha Barks – são separados por conta da Guerra e da fome. Tentando salvar um ao outro, os dois planejam se encontrar e fugir para o Canadá para salvar seu povo.
Holodomor, que custou a vida de milhões, é uma história importante, sem dúvida. Semelhante ao Holocausto, é um mal que não deve ser esquecido e deve ser contado para que a história não se repita com esse tipo de tragédia. No entanto, mesmo que o filme demonstre bem no que se diz a tragédia de milhares de mortes, o filme é menos sobre as tragédias e mais sobre um romance mal escrito e mesmo assim o filme é incrivelmente carente nesse departamento.
Baseando-se em personagens que são pobremente mal escritos, nenhum dos atores consegue trabalhar com o material que lhes foi entregue, soando tudo como uma novela falsa e despretensiosa. É incrivelmente ruim que um filme de guerra, que queira ser o mais trágico possível, simplesmente não nos dê nenhuma forma de personagens convincentes. Combine isso com um roteiro que é, para intenções e propósitos, horrível, você tem um filme chato e difícil de assistir.
A única coisa que salva aqui é a direção de George Mendeluk, que ainda assim, não atinge sua total capacidade. O filme é bem filmado, com uma ótima cinematografia, mas, graças a um design de produção barato e a efeitos ruins, é desperdiçado em algo que parece ter sido feito por amadores. 
Samantha Barks é facilmente a melhor atriz daqui, tendo provado ser um talento desde Les Miserables, infelizmente seus talentos são desperdiçados em um filme como este. Max Irons é carismático até certo ponto, mas não atinge o necessário como grande nome principal, Barry Pepper é maravilhosamente desperdiçado em um papel pequeno e limitado. Terence Stamp parece ter aceitado o papel de última hora e Tamer Hassan enquanto o segundo mais forte, continua não conseguindo suprir as minhas expectativas.
A trilha de Benjamin Wallfisch é um pequeno ponto positivo aqui, embora esteja longe de ser um de seus melhores trabalhos, logo ele, que fez um excelente trabalho em Blade Runner 2049. Mas, pelo menos, ajusta-se perfeitamente ao tom do filme e torna o filme um pouco mais assistível.
Tinha tudo para dar certo e é justamente o tipo de história que precisava ser contada, mas Colheita Amarga não conseguiu realizar isso da forma correta. Falta no ritmo, elenco mal trabalhado, e escolhas mal colocadas que que apresentaram de forma desajeitada e até mesmo desrespeitosa um filme que poderia ter sido maravilhoso. 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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