ANIMAÇÃO

CRÍTICA: COM AMOR, VAN GOGH (2017)

Com amor, Van Gogh foi realizado para conversamos sobre a primeira experiência cinematográfica a ser totalmente animada através do uso de pinturas a óleo. Mas, para um experimento tão interessante quanto esse, também fiquei surpresa ao descobrir que tirando isso, o filme não tem nada mais a oferecer. Esta biografia animada sobre o famoso pintor holandês pós-impressionista Vincent Van Gogh encontrará o seu público em algum lugar, mas achei o filme vazio. Parece estranho o suficiente para mim por causa de que Loving Vincent se estabeleceu através do estilo de arte como uma ode para o trabalho do pintor, mas ao estudarmos o trabalho de Van Gogh encontramos muito mais no ‘subtexto’ presente do que neste filme.  
 O filme começa de forma adequada, logo após a morte de Vincent Van Gogh, e é levado quase como um mistério em que passamos por flashbacks para presenciar os destaques da vida do artista e o que teria influenciado seu processo criativo. O que é bastante interessante, mas não senti que estava olhando a mente de Van Gogh a partir dessa escolha narrativa. Como resultado, me senti frustrada pela forma como o filme escolheu representar Van Gogh ao tirar todo o senso do pintor ao não inclui-lo na narrativa principal dessa obra que foi feita para celebrar sua arte, uma apreensão pelo sentido perdido em tela. 
Não tenho certeza de por quê um personagem detetive narra elementos da vida do artista através do uso de flashbacks, mas considerando que é assim que devemos encontrar uma sensação de conexão com o processo artístico, tentei ao máximo não me distanciar da experiência. Na melhor das hipóteses, a paleta de cores sombria insinua a dor e o sofrimento que teriam sido destacados em algumas de suas obras de arte, mas a conexão com a história se torna tão vaga que o uso da paleta não apresenta conexão com a mensagem. Não estamos dando uma olhada na mente de Vincent Van Gogh, em vez disso, a perspectiva de um estranho que parece estar ciente de que é um estranho, mas dentro de um ponto de vista que tem pouco a dizer sobre si mesmo. E foi o que eu mais temia, porque Loving Vincent não parece ter uma ideia clara de como ele deseja contar a história de Van Gogh, apenas escolhe todos os melhores momentos e espera que a emoção nos atinja, o que não acontece. 
Dado que mencionei a paleta de cores anteriormente, é mais fácil respeitar Loving Vincent com base no experimento que é. Considerando o quanto de esforço de todos teria sido colocado na pintura de cada frame para dar vida ao cenário, acrescenta o devido mérito ao filme. É hipnotizante o trabalho de arte. Tem uma ideia de como chamar a atenção, por causa das belas cores e uma nova face da animação tradicional como a conhecemos – e para as muitas pessoas que conseguiram trazer esse experimento à vida, eles merecem nada além do que uma salva de palmas. Esse estilo de animação é algo que eu desejo ver novamente em outro ponto, pois parece ser uma forma de arte moribunda, especialmente nos dias atuais, onde a animação CGI é o que atrai as multidões.
É uma pena, no entanto, que em geral – a história seja absolutamente desinteressante. Mesmo as atuações em dublagem não são particularmente convincentes. Os atores estão claramente fazendo o seu melhor, mas só dão ainda mais evidências sobre o fato de Loving Vincent é o primeiro longa-metragem para os diretores Dorota Kobiela e Hugh Welchman. Há um monte de coisas que precisam de melhorias aqui, um segundo olhar, seja dentro do script, devido às muitas inconsistências presentes ou à ação da projeção dessa história. Chris O’Dowd respira vida neste projeto, com pouco tempo em tela, ele é uma exceção à regra, pois traz um dos melhores momentos do filme, um momento em que o filme chegou perto de ser exatamente o que deveria ter sido.
O personagem de O’Dowd narra a seqüência em um monólogo impactante sobre como o mundo inteiro se voltou contra Vincent Van Gogh. Foi o momento mais tenro, mas também sinto como se parecesse se candidatar quando falava sobre Loving Vincent. Acredito que seja a maneira mais apropriada de descrever isso, porque Loving Vincent não parece entender onde o impacto do trabalho do pintor realmente começa. O resultado saiu como uma biopic revestida de cenas românticas sobre um artista torturado, o que não é novidade para o gênero. Mas, ao jogar o personagem do Detetive em torno da vida de Van Gogh, parece criar uma maior desconexão entre o espectador e o processo criativo do pintor, que tenho certeza que não era intenção. Por uma linda experiência estética, Loving Vincent não tem muito a dizer substancialmente além do ponto de venda de pintura a óleo.

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

Deixe seu comentário


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.