CINEMA

CRÍTICA: COVIL DE LADRÕES (2018) – Ideia repetida, nova direção!

Há uma fala excessivamente usada em filmes quando homens geralmente se enfrentam e tentam fazer sentido um ao outro. “Não somos tão diferentes você e eu”, diz um deles. Eles procuram isso nos olhos um do outro e a platéia se pergunta se isso é verdade. Há uma cena como essa em Heat, onde Pacino e DeNiro sentam e discutem suas motivações. É território desgastado. 
O que eu tenho visto com menos frequência é a existência de um filme, neste caso, Covil de Ladrões, se comportar um discurso de “não tão diferente” melhor do que muitos filmes já feitos, em exemplo, novamente, Heat – Em outras palavras, é difícil falar sobre Covil de Ladrões sem citar Heat. Mas mesmo que o primeiro tome emprestado pesadamente o discurso do último, este filme acaba sofrendo a incapacidade de acrescentar algo significativo ao gênero. 
Big Nick,  interpretado por Gerard Butler está como Vincent de Pacino, aquele de policial consumido cuja paixão é responsável pelos destroços em sua vida pessoal. Em Heat – veja, aqui vou eu – isso foi complicado pelos sentimentos óbvios que Vincent tinha por sua enteada. Suas falhas estavam relacionadas à falta de tempo e capacidade de estar fisicamente presente. Big Nick, por outro lado, os pontos são menos interessantes. Ele se entrega para drogas strippers e o público não sente empatia quando sua esposa vai embora com as crianças, o deixando para trás. 
Seu rival criminal, Ray, vivido por Pablo Schreiber, reflete DeNiro um pouco melhor. Ambos são tecnicamente precisos e taciturnos, mas Ray nunca recebe uma contrapartida – como Eady -. Isso é muito ruim. Schreiber tem uma intensidade que me carregou durante o filme inteiro, mas é lamentável que o filme redirecione a atenção para apenas um membro do grupo de Ray, Donnie, personagem de O’She Jackson, que entra na gangue para ser o motorista, mas na verdade o personagem serve como um intermediário para os outros dois homens. O perigo aumenta e o tumulto moral se torna o ponto alto, até o propósito maior ser apresentado.  Covil de Ladrões não é de todo ruim. A cena de abertura com o crime é tensa e cativante em meio ao cenário extenso de Los Angeles, algumas pistas das dimensões pessoais dos personagens, uma conclusão sangrenta e não heroica. Mas é uma pena que esses elementos sejam repetitivos e que em Heat tudo tenha sido apresentado com muito mais elegância. 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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