DE CARONA PARA O AMOR – CRÍTICA

DE CARONA PARA O AMOR – A receita da comédia romântica francesa

Como pessoa apaixonada por cinema, eu tenho um grande defeito: não sou a maior fã de cinema francês. Eu sei, muita gente ama, mas pessoalmente os filmes nunca conversaram muito comigo. Mas acabou surgindo a oportunidade de ir assistir a cabine de De Carona Para o Amor e por ser do meu gênero preferido, pensei: por que não dar uma chance?

De Carona Para o Amor

Dirigido, escrito e protagonizado por Franck DuboscDe Carona Para o Amor conta a história de Jocelyn um quarentão mulherengo e mentiroso patológico que desde a primeira cena não mente sobre quem é. A primeira sequência do filme mostra o personagem usando todas as características descritas, não deixando margem nenhuma para dúvidas. A trama se desenrola com Jocelyn conhecendo Julie (Caroline Anglade), a lindíssima vizinha de sua falecida mãe e mentindo para ela sobre o fato de ser cadeirante. O que ele não esperava é que Julie tivesse uma irmã que também é cadeirante, e tivesse tido a ideia de juntá-los. O que antes era apenas uma “brincadeira” passa a ter um valor muito maior para inúmeras outras pessoas, e o resto do filme se dá com o desenrolar de como Jocelyn sairia dessa.

De Carona Para o Amor

O filme tem muitos pontos que fogem do humor politicamente correto, muitas vezes fazendo com que o telespectador sentisse raiva do personagem, tornando difícil como mulher não pensar e refletir sobre a objetificação de todas as mulheres do filme, e de como eram claros os usos de recursos de câmera para isso. Apesar desse desconforto, vendo o filme podemos perceber que no fundo o intencional é que esse desconforto estivesse presente. Apesar do tom de humor sobre, existe uma crítica na maneira como tudo se desenrola, e em certo ponto o próprio Jocelyn começa a enxergar as coisas de maneira diferente e pensar o que ele estava fazendo da vida.

De Carona Para o Amor

O preconceito com pessoas com deficiência também está muito presente, suas dificuldades como cadeirantes e a intensidade de seus sentimentos. Gostei que nesse ponto o roteiro foge do típico papel de “coitado” atribuído a todos que possuem alguma deficiência. Pelo contrário, a personagem de Alexandra Lamy leva a vida de forma singular, seja tocando o violino na orquestra depois de passar 20 horas sentava em um ônibus ou sendo tenista profissional. A atriz estava muito bem no papel, e suas últimas cenas para mim são as melhores. Podemos comentar o fato de não terem escolhido uma atriz cadeirante para o papel, mas aí seria uma discussão para um outro momento.

De Carona Para o Amor

Contando com uma boa fotografia que rendem momentos lindíssimos na tela, e uma direção de arte que pensou em detalhes que fizeram toda a diferença, o filme possui seus momentos. O humor apesar de certas vezes problemático, convence. Seu final não é dos mais originais, mas também não é algo que se espere em filmes do gênero. Acho que ele cumpre seu propósito, e acabei saindo do cinema com o coração aquecido. No final acho que ainda acredito na mudança das pessoas.

De Carona Para o Amor

De Carona Para o Amor fez parte do Festival Varilux de Cinema Francês e está na média dos filmes românticos, com uma receita que não foge do convencional, mas funciona dentro de seus padrões.


Sobre o Autor

Juliana Catalão
Estudou cinema no ensino médio, onde foi técnica comunicação social. É a maior fã de Harry Potter e de cantores que ninguém conhece. Recentemente fã de filmes de super herói, mãe do Midoryia de BNHA, editora de livros nas horas vagas.