CRÍTICA: Deixe a Luz do Sol Entrar (2018)

Deixe a Luz do Sol Entrar é uma filme francês dirigido por Claire Denis, diretora do filme de 1999 Bom Trabalho e que tem Juliette Binoche como protagonista vivendo Isabelle, uma artista muito bem estabelecida profissionalmente e financeiramente, mas que vive às avessas com a própria vida amorosa. Ela é uma mulher divorciada, tem uma filha que mora com ela, mas que está na casa do pai. Ela mantém um romance com um homem casado, um banqueiro vivido pelo Xavier Beauvois, que nutre um sentimento carnal pela personagem da Juliette Binoche, mas diz que não, obrigado, não pretende largar a esposa.

 

 

O que a diretora Claire Denis quer mostrar é o retrato de uma mulher incompleta em busca da satisfação amorosa, elemento que carece na vida de Isabelle, custe o que custar. A personagem da Juliette de fato sente a falta de um amor complacente e verdadeiro, não sente apenas aquela necessidade humana de satisfazer um desejo sexual. É a partir disso que ela se relaciona com outros homens, mas aparentemente todos eles não estão completamente disponíveis para absorver o que ela tem a oferecer, ou seja, ela é frequentemente iludida, uma ilusão que não surge do além: ela é correspondida na medida do possível, entrega-se, mas os homens com quem ela se relaciona são problemáticos e fogem de qualquer compromisso, se não fogem do compromisso em si, veem o relacionamento com Isabelle uma aventura passageira, uma fuga de algo maior.

Essa temática da incompletude, ou mesmo do vazio, de uma mulher tem sido um tema pauta de grandes diretoras europeias atualmente. Se em Deixe a Luz do Sol Entrar, Claire Denis deixa sua pegada nesse terreno, outras realizadoras europeias também abarcam muito bem esta mesma temática. Mia Hansen-Love em O que está por vir (2016) e Maren Ade em Toni Erdmann (2016) trabalham com essa mesma casca em seus filmes, onde personagens profissionalmente bem sucedidas sofrem abalos em suas vidas e necessitam de um elemento do qual só elas entendem para completá-las.

 

 

Este é um filme muito simpático, com momentos cômicos e muito bem atuado pela grande Juliette Binoche. Traz consigo uma visão feminina de discussões que cada vez mais vêm tomando forma, onde, principalmente, se fala da mulher moderna que conquistou e vem conquistando seu espaço, e que em meio a esse processo vem sofrendo com conflitos cada vez mais íntimos consigo mesma.

 

CRÍTICA DO NOSSO COLABORADOR: PATRICK


Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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